LOGINRUBY PORTMAN
Decidi comprar o vestido sem hesitação. Enquanto a vendedora fazia os ajustes finais na embalagem, Sophia e eu continuamos a conversar sobre a viagem dela e os planos.
— E então, Ruby, o que você acha que vai acontecer hoje à noite? — Sophia perguntou, enquanto esperávamos no caixa.
— Não sei, Sophia. Acho que hoje à noite é mais sobre deixar o Johnny brilhar, e também mostrar a ele que estou pronta para seguir em frente. Quero sentir-me no controle de novo. Quero me sentir bem comigo mesma, sem pensar no passado. Acho que já enrolei muito ele, está na hora de dar uma oportunidade de tentar, e tentar melhor.
Sophia acenou com a cabeça, compreendendo perfeitamente o que eu queria dizer.
— E você está fazendo isso, Ruby. Tenho orgulho de ver como você está lidando com tudo isso. Não precisa tentar atropelar isso, vai com calma, eu não o conheço, mas parece ser um bom cara.
— Bem, de bons caras o inferno também está cheio. — Respondi já segurando as sacolas com as compras e saindo da loja. — Mas é esse o espírito, não é? — A morena me deu uma cutucada que me fez rir na hora.
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O retorno ao apartamento foi tranquilo, havíamos também aproveitado para almoçar em um restaurante mexicano bem ao lado do shopping, e tomar um coquetel no bar ao lado do tal restaurante, e como estávamos com muitas compras e ir de novo de metro poderia ser um risco de sermos assaltadas, preferimos pegar um táxi que nos deixou a frente do meu prédio.
Quando chegamos em casa, despedi-me de Sophia, que logo se recolheu para o quarto de hóspedes para organizar as suas compras e as malas de viagem também. Eu, por outro lado, fiquei no meu quarto, admirando o vestido que havia comprado. Toquei o tecido suave, sentindo a firmeza da decisão que havia tomado naquela manhã. Céus, esse particularmente havia sido o meu jackpot, e eu nem havia gastado tanto dinheiro.
Peguei o celular e vi que Johnny havia me enviado uma mensagem, perguntando como estava indo o meu dia. Pensei em responder, mas hesitei. Parte de mim ainda se sentia culpada por não lhe ter dado tudo de mim, mas a outra parte sabia que, para ser justa com ele, eu precisava resolver as minhas questões internas primeiro. Decidi que falaria com ele após o evento. Precisávamos ter uma conversa sincera sobre o que eu realmente queria para o nosso futuro.
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Depois de um dia cheio, era finalmente hora de me preparar para o evento. A minha mente estava serena, focada na decisão que havia tomado pela manhã: seguir em frente. Entrei no banheiro e enchi a banheira com água quente, deixando que o vapor preenchesse o ambiente e relaxasse cada músculo do meu corpo. Quando a banheira estava cheia o suficiente, mergulhei na água, sentindo o calor envolvente me acalmar. A espuma cobria a superfície, e o aroma suave de lavanda preenchia o ar, proporcionando-me um momento de paz que há alguns dias eu não experimentava devido o trabalho.
Lembrava-me de como tudo começou de forma simples, quase casual, no meu trabalho como secretária em uma pequena, porém promissora, empresa de design. É o emprego que eu havia aceitado assim que retornei a Nova Iorque, já que havia, logicamente, sido despedida da Radcliffe's após tudo o que havia acontecido com Harry.
Foi nessa empresa que conheci Johnny. Ele é um dos sócios de uma empresa de fotografia que havia se tornado a nossa parceira em vários projetos. O seu jeito tranquilo e atencioso conquistou-me aos poucos, diferente da intensidade avassaladora que eu estava acostumada com Harry. Johnny tinha uma paixão pelo que fazia, uma dedicação que eu admirava profundamente. Era fácil gostar dele, fácil deixar-me envolver pela sua presença constante e segura.
Fechei os olhos e deixei a minha mente divagar, mas com um esforço consciente, evitei pensar ainda mais em Harry. Hoje, ele não teria espaço nos meus pensamentos. Queria concentrar-me no presente, no que estava por vir, e em como essa noite poderia ser um ponto de virada na minha vida. Depois de alguns minutos, decidi que era hora de sair. Não queria atrasar-me e deixar Johnny esperando.
Levantei-me da banheira, permitindo que a água escorresse pelo meu corpo antes de envolver-me em uma toalha macia. Caminhei até o espelho e, com um suspiro, comecei a pentear o meu cabelo. Estava mais longo do que o habitual, mas gostava do jeito que ele caía suavemente pelos meus ombros. Resolvi prendê-lo em um coque elaborado, deixando algumas mechas soltas que emolduravam o meu rosto. A imagem refletida no espelho era de uma mulher segura, confiante. Era assim que eu queria me sentir naquela noite.
Após cuidar do cabelo, vesti o vestido que havia comprado mais cedo. O tecido deslizou facilmente pelo meu corpo, ajustando-se perfeitamente às minhas curvas. A bela cor fazia-me sentir poderosa, exatamente o que eu apreciava depois de várias semanas com roupas formais. Peguei uma sandália alta preta e calcei-a, e por fim, apliquei uma maquiagem discreta, mas eficaz, destacando os meus olhos e lábios. O toque final foi um batom vermelho, complementando o vestido.
Assim que terminei, ouvi o som do meu celular vibrando sobre a cômoda. Era Johnny. Ele estava me esperando lá em baixo. Peguei a minha bolsa, respirando fundo antes de sair do quarto. Ao abrir a porta, encontrei Sophia parada na sala de estar, me observando com um olhar de admiração.
— Uau, Ruby! Você está deslumbrante. Tenho certeza de que essa noite será inesquecível para você.
O seu sorriso era genuíno, e embora quisesse compartilhar mais daquele momento com ela, sabia que não podia atrasar-me. Acenei para ela, agradecida pelos elogios, e saí do apartamento. Sophia continuou a sorrir, fazendo-me sentir ainda mais confiante sobre a noite.
Quando cheguei ao térreo, vi Johnny esperando do lado de fora do carro. Ele estava elegante em um terno preto, perfeitamente alinhado. Ao me ver, o seu rosto iluminou-se em um sorriso de aprovação.
— Você está incrível — Afirmou com um brilho nos olhos escuros, antes de se inclinar para me dar um beijo na testa, cuidadoso para não estragar o meu batom.
Eu sorri, sentindo uma onda de afeto por ele. Johnny sempre foi um cavalheiro, um homem que sabia como tratar uma mulher com respeito e carinho. Ele abriu a porta do carro para mim, e em seguida, contornou o veículo para entrar do outro lado. Logo estávamos a caminho do evento, o motor do carro ronronando suavemente enquanto cruzávamos as ruas movimentadas de Nova Iorque.
HARRY RADCLIFFEO ronco grave do motor era a única coisa que preenchia o silêncio pesado no carro. Steffan estava de braços cruzados, o corpo jogado contra o banco, encarando a paisagem como se pudesse arrancar respostas do asfalto. Eu sabia que ele remoía tudo — Lorena, Herodes, o inferno inteiro que passamos na época que convivemos com eles — mas, ao contrário dele, eu não tinha muita paciência para melodrama. — Não faz sentido, Harry — ele começou, a voz carregada de uma revolta quase infantil. — A gente estava matando para tolerar aquela escrota drogada, e esse maldito vivendo essa vidinha feliz de comercial com outra mulher? Ou seja, ele traia a drogada com uma filha de empresários? Que sentido isso faz? — Revirei os olhos. — Cala a boca, Steffan.— Não, eu não vou calar a boca — ele retrucou, virando-se para mim. — Você sabe?— Se eu soubesse, achas que estaria aqui contigo, ouvindo essa ladainha? — apertei o volante, sentindo os nós dos dedos ficarem brancos. — Herodes sempr
HARRY RADCLIFFEO barulho da chuva era o pano de fundo perfeito para um reencontro que nunca deveria estar acontecendo. A cidade estava muito úmida e cinzenta, o que parecia conspirar com o meu humor. Não havia nada de ensaiado na mensagem que recebi dois dias antes, nenhuma cerimônia, somente um convite direto e quase desesperado. Eu deveria ter ignorado, mas aqui estava eu, parado diante da porta de um café no centro de Brooklyn, com a estranha sensação de que cada gota que caía do céu era um prenúncio.Quando empurrei a porta, o calor do ambiente me atingiu como um soco. O cheiro de café recém-moído e madeira encerrada se misturava ao peso das memórias, e eu vi-o antes que ele me visse. Herodes Radcliffe.A primeira coisa que me chamou atenção foi que ele estava diferente. O cabelo mais curto, a barba bem-feita, roupas caras, postura ensaiada demais, era como se a vida tivesse se empenhado em reconstruir uma versão dele que não me lembrasse da infância, mas era inútil, bastava o
HARRY RADCLIFFEAcordei com o calor do corpo de Ruby colado ao meu, incluindo os dedos magros sobre os meus. O apartamento cheirava a café velho e lavanda, uma mistura estranha, mas curiosamente reconfortante, ainda mais em contraste com a madrugada que só cheirava a sangue.Abri os olhos devagar, ainda com a cabeça pesada, e percebi que ela já me olhava de canto com aquele sorriso sonolento que usava para disfarçar quando era pega me olhando.— Hoje não vou trabalhar — murmurei enquanto tentava endireitar-me melhor sobre o seu colchão que certamente era de péssima qualidade. — Quero passar o dia inteiro com você.Ela piscou, surpresa, mas logo assentiu com um entusiasmo doce.— Gosto dessa versão de você, sabias? — Disse, brincando. — Podíamos ver um filme e comer porcarias o dia todo. Você, com esse seu tamanho todo, perdido no meu apartamento minúsculo… gosto de ver você deslocado.Não respondi, apenas a olhei se divertindo caçoando de mim, tentando gravar cada detalhe do seu rosto
HARRY RADCLIFFEO grito da minha irmã veio primeiro.Agudo e rasgando todo o ar.Eu estava parado no meio da escada, como uma estátua rachada, os pés colados ao chão, e sabia, sabia com uma clareza cruel, que algo terrível estava prestes a acontecer.O corredor lá em cima estava engolido pela penumbra, a luz fraca oscilando como uma vela prestes a apagar, e após longos segundos a consegui ver. Minha mãe estava ajoelhada diante do balcão, os cabelos loiros soltos colados à pele pelo suor, a respiração ofegante; ela segurava a mão de Íris, que soluçava baixo e permanecia com o rosto escondido entre os seus ombros.Havia um homem que eu não reconhecia, uma simples sombra viva com o corpo disforme e o rosto mergulhado no breu, ele aproximou-se delas com uma lâmina longa demais para ser real.O tempo dilatou com cada passo seu marcado no carpete.— Não… — a palavra escapou de mim, mas não fez barulho algum e a minha garganta ardia, como se uma mão invisível a apertasse com força.O primeir
HARRY RADCLIFFE— Eu... juro que não sabia da lavagem — a sua voz tirou-me momentaneamente do transe. — Nunca soube de nada, Harry.Mantive-me em silêncio, esperando que continuasse. Ela respirou fundo, fechou os olhos.— Mas... havia coisas estranhas, de fato, havia reuniões... "sigilosas", sabe? Com executivos que eu nunca conheci, mas também, pouco me importava — ela engoliu seco, desviando o olhar. — Você não entende, meu pai só... só se reunia com eles porque precisava pagar umas dívidas antigas, não tem como a ver com o que aconteceu com Johnny.— Continua.— Tinha umas tais de floriculturas que sempre apareciam nas transações... eu achava que era uma piada, mas não era porque Robert ia lá o tempo todo, precisava "resolver alguma coisa".— E o que mais ele disse? — perguntei, ela assentiu, inquieta.— Sei lá, havia um juiz, sinceramente, sempre caguei para o nome dele, mas era "amigo da casa", encontrei extratos com depósitos vultosos e jantares pagos em dinheiro vivo, foi nessa
Eu certamente odiava ligações.Pessoas insistiam nelas como se uma voz no ouvido tivesse o poder de consertar o mundo, mas Ruby... era diferente, ela sempre seria a minha única exceção.O carro ficou rapidamente mergulhado num silêncio quando desliguei o rádio e disquei o seu número. Os faróis riscavam a estrada, e, apesar do caos na minha cabeça depois da conversa nada produtiva com Karl Humpert, eu via o rosto dela com clareza. Sabia que a morte do Johnny tinha mexido com a minha esposa, eu supunha — espera, especialmente — não porque ainda o amasse, mas porque além de ter feito parte da sua vida até alguns meses atrás, a forma como tudo aconteceu feria qualquer um.— Ruby.— Harry? — O tom soou frágil, quase um sussurro. — Onde você está? Por que demorou tanto para retornar as ligações? — Apertei o volante com mais força.— Estava resolvendo algumas coisas — O meu tom saiu mais neutro, como se as trivialidades de tais coisas não tivessem nenhuma importância.— Não vai me dizer o qu







