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Capítulo 3

Author: Porca Glamourosa
A campainha tocou. Francisco foi abrir a porta, e Tatiane estava do outro lado.

Ela usava um vestido branco e balançava no ar o celular de Francisco, que trazia na mão.

— O que você está fazendo aqui?

— Vim trazer o seu celular. Sua avó até me ligou para pedir que eu viesse entregá-lo pessoalmente.

O tom de Francisco era descontraído. O sorriso que se desenhava em seus lábios era surpreendentemente parecido com o de Tatiane.

Em apenas três anos, os dois já pareciam um casal de verdade.

Mas a esposa dele era eu.

O olhar de Francisco se deteve nos ombros descobertos dela, e ele franziu a testa.

— Espere um pouco. — Depois de dizer isso, passou por mim, atravessou a sala e entrou no quarto de hóspedes.

Quando voltou, trazia um xale nas mãos.

— Vou levá-la para casa primeiro. Pode ir dormir.

Ele estava falando comigo.

— Você vai voltar?

— Claro.

Francisco abriu o xale e o colocou sobre os ombros de Tatiane com a familiaridade de quem já tinha feito aquilo muitas vezes.

Era de um amarelo quente, coberto de pequenas flores. A cor preferida de Tatiane.

— É lindo. — Comentou Tatiane. — Foi Francisco quem comprou. Ele tem ótimo gosto. Manuela, da próxima vez que for às compras, você precisa levá-lo junto.

— Esse vestido branco que você está usando também foi escolhido por ele?

— Foi. Gostou?

— Ficou bonito.

Uma semana antes de assinarmos os papéis do casamento, eu disse que queria comprar um vestido branco e pedi que ele fosse comigo. Francisco inventou várias desculpas para não ir.

Quando insisti demais, ele respondeu:

— Desde quando homem gosta de ficar fazendo compras?

No fim das contas, o problema nunca foi acompanhar alguém às compras. Tudo dependia de quem era essa pessoa.

O elevador chegou. Francisco acompanhou Tatiane até a saída.

E, mais uma vez, fiquei sozinha naquela casa. Depois de algum tempo, mandei uma mensagem para ele.

[Volte cedo. Preciso conversar com você.]

[Sobre o quê? Tatiane tem medo do escuro, então talvez eu demore um pouco para voltar. Pode falar agora.]

[Você se apaixonou pela Tatiane?]

[Que absurdo é esse? Ela é só minha amiga.]

[Você vai com ela às compras e visitar sua avó, mas nunca foi às compras comigo nem me levou para visitar sua avó. Ela parece muito mais sua esposa do que eu.]

Alguns segundos depois, Francisco me ligou.

— É só por causa disso que você está interpretando mal a nossa relação?

— Não estou interpretando mal.

— A culpa é minha. Tatiane já disse que você se sente insegura. Ficamos separados por três anos, então não vou culpar você por pensar assim.

— Foi ela quem disse isso?

— Isso não importa. O que importa é que foi com você que eu me casei. Ainda teremos muito, muito tempo para ficar juntos. — Sua voz ficou mais apressada. — Tatiane já comprou um lanche para mais tarde, e precisamos mesmo ir. Não fique pensando demais. Logo eu volto.

"Muito tempo? Três anos já não foram tempo suficiente?"

Ele passou três anos em Nova Vitória ao lado de Tatiane, enquanto eu fiquei sozinha em Santa Aurora.

Voltava para casa sozinha, trabalhava sozinha e cuidava da avó dele sozinha.

Murmurei baixinho:

— Já foi tempo demais.

Naquela noite, ele não voltou para casa.

No dia seguinte, estava me preparando para ir à empresa pedir demissão.

Francisco entrou em casa.

— Você não voltou para casa ontem à noite?

— Ficou tarde demais. Fiquei com medo de acordar você, então passei a noite no sofá da casa dela. Você não está brava, está?

— Não.

— Ah, hoje é aniversário da minha avó. Ela convidou Tatiane. Você não se importa, não é?

— Não me importo.

— Essa é a minha Manuela, sempre tão compreensiva.

Não era compreensão. Eu simplesmente já não me importava mais.

Às seis da tarde, quando voltei do trabalho, a avó dele e Tatiane já tinham chegado.

Tatiane estava sentada ao lado da avó. Do outro lado, estava Francisco.

Parei por um instante. A porta ainda estava aberta, e uma corrente de vento frio entrou pela casa.

Francisco franziu a testa e colocou o próprio casaco sobre os ombros de Tatiane.

— Feche a porta!

Seu tom foi duro. Fechei a porta e me sentei no lugar mais distante deles.

— Duas Tatianes?

A avó estava confusa outra vez.

— Vovó, eu é que sou a Tatiane.

Tatiane a corrigiu com um sorriso.

— Olhe só a minha memória... Tatiane, você finalmente voltou. Francisco esperou por você por muito, muito tempo.

— Sim, eu voltei.

— Quando vocês vão se casar? Eu já deixei até o presente preparado para você.

— Vovó, a senhora está confundindo as coisas. Manuela é que é a esposa de Francisco. — Ela explicou. Mesmo assim, a avó segurou as mãos dela e de Francisco e as juntou.

— Já está ficando tarde. Vou preparar o jantar. O que vocês querem comer?

Francisco se levantou. A pergunta era dirigida a todos, mas seus olhos estavam voltados para Tatiane.

— Quero camarão na manteiga.

A expressão de Francisco se fechou. Tatiane tinha a saúde frágil e precisava evitar frutos do mar.

Ela encolheu os ombros e lançou a ele um sorriso cheio de manha.

— O que você fizer, eu vou gostar.

A expressão de Francisco se suavizou. Ele lançou a Tatiane um olhar de advertência, mas carregado de carinho.

A forma como os dois interagiam era tão natural e acolhedora que parecia que aquela era, de fato, a casa deles em Santa Aurora.

Tatiane olhou para mim.

— Você ainda nem perguntou o que Manuela quer comer.

— Ela não dá tanto trabalho quanto você. Come de tudo.

"Eu como de tudo? Não. Ele é que nunca teve tempo de descobrir do que eu gosto."

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