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Capítulo 4

Author: Porca Glamourosa
A mesa ficou repleta de pratos: legumes salteados com alho, camarões ao limão e ervas, sopa de frango e costelinhas de porco ao molho de laranja e mel.

Francisco se levantou, pegou a tigela da avó e lhe serviu uma porção de sopa.

— Vó, coloquei uma coxa bem grande, do jeito que você gosta. — Depois, serviu algumas costelinhas de porco para Tatiane. — Não coma demais. O médico já disse que você precisa maneirar na carne.

Quando chegou a minha vez, ele pareceu não saber o que dizer. Em silêncio, colocou apenas alguns legumes no meu prato.

Tatiane brincou:

— Manuela gosta de legumes?

— Eu já não disse? Ela não é exigente. Come de tudo.

Mas eu não gostava de legumes.

Com pena dele, a avó o puxou para que se sentasse e colocou algumas costelinhas de porco no prato de Francisco.

— Pare de cuidar de todo mundo. Se sente e coma também.

— Vó, ele acabou de cozinhar. Depois de preparar a comida, ele não consegue comer carne. Diz que fica enjoado de tanta gordura.

— E o que ele faz, então?

— Isso passa rápido. Basta tomar um pouco de sopa para aliviar.

Assim que ela terminou de falar, uma tigela de sopa foi colocada diante de Francisco.

Três anos foram suficientes para que ele a conhecesse bem. E o mesmo valia para ela.

Eu me sentia uma estranha. Nunca soube que Francisco sabia cozinhar, muito menos que tinha o hábito de tomar uma tigela de sopa depois de cozinhar.

Ele estava em casa, bem ali diante de mim. Ainda assim, eu sentia que estava muito longe.

Depois que todos terminaram de comer, fui até a cozinha lavar a louça. Tatiane recolheu os pratos e os levou para lá, me ajudando.

— Manuela.

— O quê?

— Eu vi aquela notificação.

— E daí?

— Eu só queria dizer que você entendeu Francisco errado. Se eu não tivesse ficado doente, ele não teria...

— Não teria o quê?

— Seja como for, não é o que você está pensando.

— E o que eu estou pensando?

— Nós somos apenas amigos.

— Então, como amiga dele, por que você não contou isso a ele?

Tatiane ficou paralisada por um instante e desviou o olhar.

— Eu... Eu estava doente. Precisava dele.

— Eu vi o seu vlog. Agora me diga: se você estivesse no meu lugar, o que pensaria? Amigos? Namorados? Ou marido e mulher?

— Não existe nada de errado entre nós como você imagina. Ele nunca fez nada para trair você. Nem uma única vez.

— Então isso não é traição?

— De qualquer forma, nós somos apenas amigos. — Ela se virou para sair, mas parou de repente. — Eu trouxe a terra que o Francisco pediu para eu entregar a você. Se vai usar ou não, é problema seu.

Pouco depois, risadas e conversas animadas começaram a ecoar pela sala. Sequei as mãos e fui até a varanda.

A pequena muda ainda estava caída no chão. Ao lado dela, havia um saquinho de terra.

Mas tanto a muda quanto a terra eram de Tatiane. Só o vaso era meu.

Francisco havia voltado para casa fazia apenas dois dias. Ainda assim, aquela casa já estava cheia de marcas da presença de Tatiane.

Saí da varanda e me sentei em um canto da sala. Aos poucos, porém, as risadas foram desaparecendo.

Francisco se levantou com a bolsa de Tatiane na mão.

— Vamos, eu levo você para casa. — Então, se virou para mim. — Cuide da vovó, por favor.

— Por que você vai levar Tatiane, e não eu?

— Você não detesta a Tatiane?

Então ele sabia de tudo. Sorri e respondi apenas:

— Está bem.

Durante todo o caminho, a avó permaneceu em silêncio. Quando estávamos quase chegando à casa de repouso, ela falou de repente:

— Naquela época, Tatiane foi embora porque não queria ser um peso para Francisco. Caso contrário, você nunca teria tido uma chance.

Apertei o volante com mais força.

— Eu sei.

— Agora que Francisco voltou, tratem de viver bem juntos.

Não respondi. Apenas permaneci em silêncio.

Chegamos à casa de repouso, e uma enfermeira acompanhou a avó de volta ao quarto.

Eu me virei e caminhei até o posto de enfermagem.

— Srta. Manuela, gostaria de deixar alguma orientação?

— Quero trocar o contato de emergência da minha avó.

— Claro. Para quem deseja alterar o contato?

— Francisco. Ele é o neto biológico dela.

A enfermeira pegou a caneta.

— Certo, já fiz a alteração.

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