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Capítulo 5

Author: Porca Glamourosa
Na manhã de sábado, eu estava plantando flores na varanda quando Francisco se aproximou.

— Manuela, o que você está fazendo?

Havia terra espalhada pelo chão e vasos vazios por toda parte.

— Acordou? Venha plantar flores comigo.

— Claro. Essas mudas estão aqui há tantos dias. Por que resolveu plantá-las de repente?

— Deu vontade. Vai ficar comigo?

— Vou!

Ele arregaçou as mangas e tirou a pá da minha mão.

Segurei a muda no lugar enquanto o observava atentamente.

— Por que está me olhando desse jeito?

— É que fazia muito tempo que eu não via você assim.

— Daqui para a frente, vamos ter todo o tempo do mundo.

— Francisco, você ainda se lembra do que disse quando me pediu em casamento, três anos atrás?

— Lembro. Como poderia esquecer?

— Pode repetir hoje?

Ele bateu uma mão contra a outra para tirar a terra e, com um olhar cheio de carinho, disse:

— Claro. Manuela, imaginei inúmeras vezes como seria pedir você em casamento, mas nunca houve um momento em que eu tivesse tanta certeza de que queria ter você ao meu lado. Quero acordar todos os dias vendo você ao meu lado e adormecer tendo você como meu último pensamento. Manuela, eu amo você. Quer se casar comigo?

De repente, a campainha tocou.

Ele se levantou para abrir a porta, mas, ao chegar à sala, parou de repente.

— Ainda estou esperando a sua resposta.

Quando abriu a porta, deu de cara com Tatiane.

Sem dizer uma palavra, ela apenas enfiou a ficha médica nas mãos de Francisco.

Ele se virou para mim.

— Desculpe, hoje não vou poder ficar com você.

— Por quê?

— Como eu poderia deixá-la ir sozinha à consulta?

— E por que ela não pode ir sozinha?

— Você não entende. Com a doença que ela tem, não pode ficar sem alguém por perto.

Ele lavou a terra das mãos, pegou as chaves do carro e se virou para sair.

Eu o chamei.

— E a minha resposta? Você não quer mais ouvir?

— Nós já somos casados. A resposta não importa mais.

— E as flores? Ainda vamos plantá-las?

— Quando eu voltar, está bem?

Antes mesmo que eu pudesse responder, ele já havia desaparecido de vista.

— Nós nos divorciamos. Eu também não quero mais esperar.

Me sentei no chão, de pernas cruzadas.

Limpei toda a terra espalhada pelo chão, inclusive a terra preta que Tatiane havia trazido.

Arranquei pela raiz as mudas que já estavam plantadas nos vasos.

Por fim, joguei tudo no lixo.

A tela do meu celular se acendeu. Era Francisco.

[Manuela, não se preocupe. Não vou fazer como há três anos. Quando eu voltar para casa, preparo o jantar para você.]

Fiquei olhando para aquela mensagem por um longo tempo. Pressionei a tela, toquei em excluir e, de quebra, bloqueei o número dele.

Depois, apaguei também todos os vestígios do que havíamos vivido juntos.

Liguei para uma empresa de mudanças. Em menos de meia hora, o caminhão chegou com os funcionários.

— Senhorita, o que precisa ser levado?

— Tudo!

A televisão, a geladeira e os eletrodomésticos ocuparam um terço do caminhão. Os móveis, o sofá e até a cama de casal ocuparam mais um terço.

O restante já não tinha importância. Ao longo daqueles três anos, eu havia comprado tudo aquilo. Não conseguia simplesmente abrir mão de tudo. Deixei a sentença judicial sobre a mesa e escrevi um bilhete.

[Francisco, foi você quem comprou este apartamento, então não quero ele. Mas fui eu quem comprou tudo o que há dentro desta casa e não vou deixar nada para você. E mais: desejo felicidades a você e a Tatiane.]

Coloquei a mochila nas costas e saí daquela casa sem olhar para trás.

Lá embaixo, meu motorhome já estava pronto. Dei a partida. Uma figura familiar passou diante de mim.

O som estridente dos freios rasgou o ar.

— Manuela!

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