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Capítulo 3

Author: Estrelas em Ascensão
Com os olhos fixos na tela do celular, Olívia acompanhou pelo sistema de câmeras o instante em que Sandro e Daniela entraram no escritório, um após o outro.

Os dois já haviam ido para a cama juntos ao meio-dia, mas pelo visto a vontade era tanta que não conseguiram se segurar até a manhã seguinte. O vício daquela traição parecia insaciável.

A psicóloga vestia um sobretudo longo que, à primeira vista, não levantava qualquer suspeita. No entanto, assim que parou de frente para Sandro, ela deixou o casaco escorregar pelos ombros, revelando um corpo sem qualquer pudor por baixo da peça.

Em seguida, Daniela puxou uma fita de cetim e vendou os olhos do homem. O que aconteceu logo depois deixou Olívia em estado de choque. Sandro pegou um frasco de perfume e começou a borrifar o líquido sobre a pele da amante. Era uma fragrância que a esposa traída conhecia melhor do que ninguém, o seu próprio perfume exclusivo, criado por ela e usado todos os dias.

Olívia tinha o costume de preparar vários frascos da mesma essência para deixar de reserva em casa. Ver o marido usando o seu perfume para banhar outra mulher foi um golpe baixo. O que ele estava tentando fazer com aquilo?

A resposta não demorou a chegar, revelada pela conversa repulsiva que se seguiu. Daniela passou um dos braços ao redor do pescoço de Sandro, enquanto a outra mão deslizava pelo peito dele com malícia.

— E se a gente continuar fazendo isso e a Olívia acabar descobrindo? — Perguntou a mulher, com uma voz carregada de falsa preocupação.

A expressão do homem era de pura arrogância, sem o menor traço de culpa.

— E daí se ela descobrir? Eu não estou traindo ninguém, estou apenas passando por um tratamento médico. — Justificou ele, segurando o queixo da amante com firmeza. — Eu fecho os olhos, sinto o cheiro dela e imagino que é a minha esposa que está aqui. Tudo o que eu faço é para me curar o mais rápido possível. Se ela não é capaz de me satisfazer, não me resta outra escolha a não ser usar você como substituta.

— É fácil falar, mas as mulheres costumam ser muito ciumentas. Mesmo que você só me deixe usar as mãos, acho muito difícil que ela aceite uma situação dessas... — Ponderou Daniela.

— Ela vai entender. E se não entender, basta um pouco de conversa e um agrado para ela esquecer tudo. — O tom de Sandro transbordava uma confiança inabalável. — Você não faz ideia do quanto ela é louca por mim. Sabe por que ela conseguiu me conquistar no meio de tantas outras garotas no passado? Porque as outras desistiam no primeiro fora, mas a Olívia não. Não importava quantas vezes eu rejeitasse ela, ela sempre voltava rastejando, implorando pela minha atenção. Se você passasse dois anos correndo atrás de um homem como um cachorrinho carente até conseguir o que queria, você abriria mão dele tão fácil? Ela nunca vai me deixar. Ela é obcecada por mim.

Naquela hora, a ficha de Olívia caiu. Toda a coragem e a dedicação que ela havia investido naquele amor no passado não passavam de uma humilhação patética aos olhos de Sandro. Os sentimentos puros que ela guardava com tanto carinho haviam se transformado em um mero troféu, exibido com orgulho para massagear o ego dele diante de outra mulher.

Uma risada escapou dos lábios de Olívia, enquanto lágrimas de pura ironia brilhavam em seus olhos. Era uma situação tão ridícula quanto dolorosa.

Ela permaneceu sentada no escuro por um longo tempo, imóvel, sentindo o corpo inteiro congelar. Qualquer outra palavra dita pelo casal no escritório se tornou um ruído distante e ininteligível. O estômago dela revirou com violência.

Ao ver Daniela se ajoelhar na frente de Sandro, submissa, Olívia não suportou mais. Correu para o banheiro e vomitou até não sobrar mais nada.

...

Aquela noite fria pareceu durar mais do que os anos de casamento somados. Na manhã seguinte, quando Olívia desceu as escadas, encontrou Sandro e Daniela sentados à mesa da sala de jantar. Os dois conversavam e riam de forma descontraída, exibindo uma aparência revigorada, provável reflexo da diversão da madrugada.

Olívia não tinha o menor apetite. O mal-estar das horas anteriores ainda castigava o seu corpo, e a simples visão daquela dupla fez a vontade de vomitar retornar com força.

Ao notar que a esposa não faria menção de se juntar a eles, Sandro franziu a testa.

— Você não vai tomar café da manhã? — Indagou ele.

— Não. — Respondeu ela, de forma seca.

— E aonde você vai tão cedo?

— Trabalhar.

A lembrança do objeto que a filha de Daniela havia levado para a sala no dia anterior invadiu a mente de Sandro de forma abrupta, e o rosto dele escureceu na mesma hora.

— Feche aquele seu estúdio de uma vez por todas. Se quiser brincar de fazer perfume, pode muito bem fazer isso aqui em casa. Não há a menor necessidade de ficar se exibindo lá fora. — Ordenou ele, com desdém.

Para Sandro, o sonho de Olívia não passava de um passatempo inútil, algo que ele nunca havia levado a sério. O olhar da mulher se tornou cortante como uma lâmina de gelo, cravando-se no rosto do marido em um silêncio ameaçador.

— Aquilo é o meu trabalho, não é uma brincadeira.

— E desde quando você precisa trabalhar? Por acaso eu não ganho o suficiente para sustentar você? — Rebateu ele, elevando o tom de voz.

— Se é assim, por que você não sugere que a doutora Daniela feche o consultório dela também? Ela poderia ser a sua psicóloga exclusiva em tempo integral. Dinheiro para bancar os serviços dela é o que não falta para você. — Disparou Olívia, sem recuar um milímetro.

As sobrancelhas de Sandro se juntaram em uma expressão de desgosto, seguida por um sorriso carregado de deboche.

— Você está mesmo querendo se comparar com a doutora Daniela? Ela é uma profissional renomada, ganhou inúmeros prêmios e o nome dela impõe respeito em qualquer congresso da área. — O tom de admiração deu lugar a um desprezo cruel. — E você, o que tem a oferecer? Aquele seu estúdio minúsculo consegue atrair pelo menos dois ou três clientes por mês? Se você não estivesse casada comigo, ninguém faria a menor ideia de quem você é.

Assistindo à cena de camarote, Daniela decidiu intervir com uma falsa compaixão. Embora fingisse estar defendendo Olívia, o brilho de satisfação em seus olhos era inegável.

— Sandro, não seja tão duro com a Olívia. Ela pode não ser famosa agora, mas quem sabe um dia o trabalho dela não ganha o reconhecimento que merece?

O homem soltou um riso anasalado, repleto de escárnio.

— Reconhecimento? Com aqueles perfumes estranhos que ninguém quer usar? Um produto só tem valor quando existe alguém disposto a pagar por ele. Se ninguém se importa, isso não passa de um delírio para massagear o próprio ego.

Olívia encarou o rosto de Sandro e, por um instante, sentiu como se estivesse olhando para um completo estranho. Talvez ele não tivesse mudado; talvez fosse ela quem por fim havia tirado a venda dos olhos. Quando se ama alguém, até os piores defeitos parecem qualidades. Mas, quando a ilusão se quebra, os monstros ao redor revelam as suas verdadeiras faces.

"Que homem patético", pensou ela, abrindo um sorriso irônico.

Olívia não se deu ao trabalho de rebater as ofensas. Qual seria o sentido de perder tempo com uma discussão vazia? A melhor vingança seria esfregar o próprio sucesso na cara dele no futuro.

— Se é um delírio, o importante é que eu me divirto com ele, e ninguém tem o direito de se intrometer. — Declarou ela com firmeza. Fez uma breve pausa antes de dar o golpe final. — Ah, e tem mais uma coisa. Existe um ditado que diz que o homem que maltrata a própria esposa acaba afastando a sorte e a prosperidade. Então, Sandro, eu sugiro que você tome muito cuidado com o que sai da sua boca.

Deixando essas palavras pairarem no ar, ela virou as costas e saiu de casa sem olhar para trás.

Observando a silhueta da esposa desaparecer pela porta, Sandro foi tomado por uma sensação sufocante de frustração. No passado, havia sido Olívia quem correra atrás dele, e, ao longo dos anos, ele se acostumou com a submissão, a paciência e as concessões dela.

No entanto, nos últimos dias, ela parecia ter se transformado em um animal selvagem, escapando do seu controle. Ele odiava aquela sensação de impotência. Não conseguia encontrar uma explicação lógica para uma mudança de comportamento tão drástica.

A imagem daquele objeto íntimo voltou a assombrar os seus pensamentos. Será que ela estava se encontrando com outro homem?

Com o rosto sombrio, ele saiu da sala de jantar e ligou para o seu assistente.

— Quero dois homens vigiando a Olívia o tempo todo. Não deixem nenhum homem se aproximar dela. Se algum desconhecido tentar entrar no estúdio, barrem na mesma hora!

— Entendido, senhor Sandro! — Respondeu a voz do outro lado da linha.

Mesmo após desligar o telefone, a tensão não desapareceu do rosto dele. Seus olhos transbordavam um sentimento doentio de posse.

"Olívia, eu nunca vou permitir que outro homem toque em você. Ninguém vai tirar você de mim", prometeu a si mesmo.

Nos dias que se seguiram, talvez devido ao excesso de trabalho, os encontros entre Olívia e Sandro se tornaram raros.

Quando voltaram a se cruzar, ele percebeu de imediato que o perfume dela estava diferente. Certa noite, após retornar de um jantar de negócios, depois de beber além da conta, Sandro entrou no quarto e se deparou com Olívia em pé diante da janela de vidro.

Ela vestia uma camisola de seda provocante. A luz da lua banhava o seu corpo, destacando as curvas perfeitas de sua silhueta. As clavículas, a linha dos ombros, a curva da cintura... cada detalhe parecia uma obra de arte esculpida à perfeição.

Sandro engoliu em seco, sentindo o desejo despertar. Ele caminhou a passos firmes na direção dela. Uma brisa suave entrou pela janela, trazendo um aroma desconhecido e inebriante. Envolvendo-a em um abraço por trás, ele sussurrou:

— Você mudou de perfume?

— Mudei. — Respondeu ela, com a voz mansa.

— Será que hoje à noite nós podemos... tentar de novo?

A respiração dele estava ofegante. Naquele instante, Sandro estava tomado pela luxúria. Fosse pelo efeito do álcool ou pelo charme irresistível da esposa, ele a desejava de forma incontrolável.

Olívia ficou na ponta dos pés com uma lentidão calculada, aproximou os lábios do ouvido do marido e, com um hálito quente, sussurrou de forma doce:

— Que pena, meu amor. Eu acabei de ficar naqueles dias.

A recusa caiu sobre Sandro como um balde de água congelante. Toda a excitação desapareceu, dando lugar a uma frustração amarga.

Sem dizer mais nada, Olívia caminhou até o banheiro. Quando saiu, o quarto já estava vazio. Ela lançou um olhar afiado em direção à porta, com a frieza de quem tinha o controle absoluto da situação. Pegou o celular e abriu o aplicativo das câmeras de segurança. Ao ver a imagem de Daniela entrando em passos silenciosos no escritório, um sorriso perverso se desenhou em seus lábios.

"O show está prestes a começar", pensou ela, pronta para o próximo ato.

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