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Capítulo 2

Author: Estrelas em Ascensão
Olívia soltou uma risada amarga, achando toda aquela situação um verdadeiro absurdo.

Há muito tempo ela já havia notado que a filha de Daniela passava longe da inocência típica das crianças de sua idade. A menina sabia exatamente como bajular Sandro, exibindo um comportamento que contrastava de forma gritante com a frieza que reservava a Olívia.

Antes de descobrir o caso entre os dois, Olívia nunca havia dado muita importância a esses detalhes. No entanto, agora tudo fazia sentido, pois cada atitude daquela criança era fruto da manipulação da própria mãe.

Para induzir uma menina de apenas cinco anos a usar um objeto daqueles para difamá-la, Daniela com certeza tinha um objetivo muito claro em mente. Qual seria esse plano, porém, Olívia ainda precisava descobrir.

Fixando um olhar gélido na criança que mentia sem o menor pudor, Olívia questionou com a voz afiada como uma lâmina:

— Rosana, você tem certeza de que pegou isso no meu quarto?

— Tenho sim, estava bem debaixo do seu travesseiro. — Respondeu a menina, mentindo sem sequer piscar.

— Isso não me pertence. E sobre a verdadeira dona desse objeto, acredito que a pergunta deva ser direcionada à doutora Daniela. — Rebateu Olívia, transferindo seu olhar cortante para a psicóloga.

Daniela se apressou em puxar a filha para trás de si, assumindo uma postura protetora.

— Crianças não costumam mentir. Olívia, não há motivo para você negar uma coisa dessas. Todos nós sabemos da condição do Sandro, então é perfeitamente compreensível que você tenha as suas necessidades como mulher.

— Se eu tenho as minhas necessidades, você também não teria as suas, doutora Daniela? O meu marido tem um problema de saúde, mas você é uma mulher divorciada. Com base em que você ousa afirmar que isso é meu? — Retrucou Olívia, sem recuar um milímetro.

— Eu não preciso desse tipo de coisa... — Murmurou Daniela, com os cílios tremulando em uma falsa fragilidade.

— E por qual motivo você não precisaria, doutora Daniela? Por acaso já tem alguém cuidando muito bem de você na cama? — Provocou Olívia, implacável em sua insinuação.

Perdendo a paciência ou talvez consumido pela própria culpa, Sandro interveio aos gritos:

— Já chega! O assunto aqui é você, então por que está tentando envolver a doutora Daniela nisso?

Seus olhos escuros faiscavam com uma raiva fria, e ele continuou:

— Você só pensa nesse tipo de baixaria porque tem tempo livre de sobra. A doutora Daniela é uma profissional dedicada, ela não é como você.

Após despejar aquelas palavras, ele segurou a mão de Rosana. Como se formassem uma família perfeita, os três deram as costas e desapareceram do campo de visão de Olívia.

Com a visão embaçada pelas lágrimas que se recusava a derramar, Olívia se sentiu transportada para o dia em que conheceu Sandro.

A lembrança do refeitório barulhento da faculdade tomou conta de sua mente. Em meio ao vaivém frenético de estudantes, ele estava lá, com uma das mãos casualmente enfiada no bolso da calça, conversando com os colegas. A camisa branca impecável destacava as linhas bem definidas de suas clavículas.

Alternando entre expressões sérias e sorrisos cativantes, ele parecia intocável naquele ambiente caótico, destacando-se de tal forma que era impossível desviar o olhar. Foi amor à primeira vista.

Naquela época, Sandro era o alvo dos suspiros de quase todas as garotas do campus, um prêmio inalcançável que, no fim das contas, ela conseguiu conquistar. Eles viveram anos repletos de doçura. Da época de estudantes até o altar, foram seis anos de uma jornada construída a dois. Contudo, para que passassem de marido e mulher a dois completos estranhos, bastou uma única traição.

Fechando os olhos marejados, ela abaixou a cabeça e deixou escapar um sorriso melancólico.

"Qual mulher nunca desperdiçou a juventude amando um canalha?", pensou ela, conformada.

Não havia espaço para arrependimentos. Se no passado ela havia se deixado levar pela paixão cega, agora precisava ter a maturidade de aceitar a derrota e seguir em frente.

...

A noite caiu pesada sobre a casa.

Após sair do banho, Olívia parou diante da pia do banheiro para secar os cabelos. Uma figura alta e imponente cruzou a porta, tomando o secador de suas mãos.

Através do reflexo no espelho, ela observou o homem. Os movimentos continuavam carinhosos, mas aquele rosto já não pertencia ao jovem por quem ela havia se apaixonado tão profundamente.

Assim que terminou de secar os fios úmidos, Sandro se inclinou em direção ao pescoço dela, envolvendo sua cintura com os dois braços. Os olhares de ambos se encontraram no espelho.

— Me desculpe por ter levantado a voz mais cedo. A doutora Daniela tem razão. É muito melhor que você resolva essas questões sozinha em casa do que acabar procurando outro homem na rua. — Sussurrou ele.

Olívia achou aquela conclusão patética, mas já não tinha a menor disposição para tentar se explicar.

— Mesmo assim, eu confesso que fiquei surpreso, Olívia. Nunca imaginei que você fosse capaz de usar um objeto daqueles... — O rosto bonito de Sandro exibia uma mistura de confusão, constrangimento e frustração. — Você não foi criada em uma família tradicional? O seu avô sempre ensinou que as mulheres devem ser recatadas e conservadoras. Você se esqueceu de tudo isso?

Foi justamente por causa daquela criação rigorosa que os dois nunca haviam passado dos limites antes do casamento.

Olívia curvou os lábios em um sorriso contido, reconhecendo que, naquele ponto, ele tinha razão.

Os tempos haviam mudado, mas seu avô continuava preso a valores de um século passado.

Se o seu avô descobrisse a traição, a única coisa que faria seria exigir que a neta engolisse o choro e suportasse a humilhação em silêncio. Para o velho, a simples menção à palavra divórcio seria tratada como uma ofensa imperdoável.

Sabendo disso, Olívia tinha plena consciência de que, se quisesse se livrar daquele canalha, precisaria agir em absoluto sigilo. Qualquer escândalo antes da hora certa só traria obstáculos insuperáveis para a sua liberdade.

Escondendo suas verdadeiras emoções por trás de uma máscara de indiferença, ela sorriu com leveza.

— As pessoas mudam com o tempo, Sandro. Assim como você me amava no passado e hoje é capaz de me desprezar por causa de uma pessoa de fora.

As palavras atingiram Sandro em cheio, fazendo com que ele a puxasse para um abraço apertado.

— Os meus sentimentos por você continuam os mesmos. A única coisa que me incomoda é quando você me contraria. Eu gosto de você dócil, obediente. — Ele acariciou a nuca dela com uma lentidão calculada. — A doutora Daniela tem se dedicado muito ao meu tratamento, então hoje à noite... poderíamos tentar de novo.

...

Pouco tempo depois, quando Sandro saiu do chuveiro, encontrou Olívia deitada na cama, virada de costas para ele em uma postura gélida. Ele ergueu as cobertas e se aproximou, mas, no exato momento em que sua mão tocou a cintura da esposa, ela o afastou de forma ríspida.

— Não estou no clima para isso hoje. — Cortou ela.

O corpo do homem enrijeceu na mesma hora. Um silêncio pesado tomou conta do quarto, fazendo o ar parecer espesso e insuportável. Logo em seguida, o tom de condenação ecoou pelos ouvidos de Olívia.

— É exatamente por causa dessas suas atitudes que eu nunca consigo me curar desse problema.

Paralisada por um segundo diante do absurdo daquela acusação, Olívia se sentou na cama de supetão.

— E o que eu tenho a ver com isso?

— Outras mulheres são sedutoras, sabem como agradar um homem e se tornam irresistíveis. Você, por outro lado, nunca faz o menor esforço para me satisfazer. Quando deita nessa cama, parece mais um cadáver. — Disparou Sandro.

O mais revoltante era a expressão de pura convicção em seu rosto, como se estivesse cheio de razão ao proferir tamanha barbaridade.

Olívia cravou as unhas nas palmas das mãos com tanta força que quase feriu a pele. Sentia o coração ser esmagado por uma mão invisível, e cada batida doía como se uma faca cega rasgasse o seu peito.

— E quem seriam essas outras mulheres? — Perguntou ela, abrindo um sorriso repentino que quebrou a tensão.

Aquela reação fora do comum causou um desconforto imediato em Sandro. Consumido pela culpa, ele desviou o olhar e puxou o cobertor até o pescoço.

— Vamos dormir.

O quarto mergulhou na escuridão. Muito tempo se passou até que o celular de Sandro, esquecido ao lado do travesseiro, vibrasse repetidas vezes.

Ele tateou o colchão até encontrar o aparelho, mas não desbloqueou a tela de imediato. Em vez disso, usou a luz fraca do visor para iluminar o rosto de Olívia. Apenas quando se convenceu de que ela estava em um sono profundo é que ele abriu as mensagens.

Uma sequência de fotos de uma mulher vestindo lingeries provocantes saltou aos seus olhos. Eram ângulos variados, poses sugestivas. A respiração de Sandro foi se tornando pesada e ofegante. O que ele não imaginava era que a esposa, que ele julgava estar dormindo, acompanhava cada um de seus movimentos na penumbra.

Olívia viu tudo. Viu perfeitamente como Daniela conseguia se transformar em uma verdadeira sedutora barata assim que tirava as roupas de trabalho.

Sandro afastou as cobertas com cuidado e desceu da cama em silêncio. Ele mal havia dado dois passos em direção à porta quando foi interrompido.

— Aonde você vai? — A voz investigativa de Olívia cortou o silêncio do quarto, e as luzes com sensor de movimento se acenderam no mesmo instante.

Sandro tentou disfarçar o pânico que brilhou em seus olhos, forçando um tom de voz calmo para responder:

— Tive um pesadelo horrível agora há pouco e estou me sentindo sufocado. Vou pedir para a doutora Daniela fazer uma sessão rápida de relaxamento comigo.

Olívia sentiu nojo, mas não se deu ao trabalho de desmascará-lo. Toda a humilhação que aquele casamento havia lhe causado seria devolvida da sua própria maneira.

— Acabei de me lembrar de uma coisa. Estou pensando em comprar dois pontos comerciais e preciso que você assine os papéis para mim. — Disse ela, abrindo a gaveta da mesa de cabeceira e estendendo dois documentos na direção do marido.

Desconfiado, Sandro passou os olhos pela primeira página sem prestar muita atenção, confirmando que se tratava de um contrato imobiliário.

— Deixe isso para amanhã. Não tem necessidade de resolvermos essas coisas no meio da madrugada.

— Você vai sair muito cedo para a empresa amanhã, e eu tenho medo de que acabe esquecendo. — Insistiu ela, mantendo a expressão serena.

O celular na mão de Sandro voltou a vibrar com insistência. Visivelmente disperso e ansioso para sair dali, ele pegou a caneta que Olívia oferecia e rabiscou a própria assinatura nos papéis sem pensar duas vezes.

Assim que a silhueta do marido desapareceu pelo corredor, Olívia puxou um dos documentos que estava escondido no meio da papelada. Era o acordo de divórcio. Um sorriso carregado de deboche começou a se desenhar em seus lábios. Ela não tinha pressa alguma, mas ele estava desesperado.

Sandro sempre foi conhecido por sua postura meticulosa e implacável no mundo dos negócios. Contudo, quando a luxúria tomava conta, ele se rebaixava a um idiota que só conseguia pensar com o que tinha entre as pernas.

Guardando os documentos com cuidado, Olívia pegou o próprio celular com uma calma assustadora e acessou as câmeras de segurança do escritório.

Sandro jamais imaginaria que ela seria capaz de instalar um sistema de vigilância no reduto dele. Da mesma forma que ela nunca poderia prever que o próprio marido estaria tendo um caso com a psicóloga dentro de casa.

Agora, ela estava pronta para assistir de camarote. Queria ver com os próprios olhos como a renomada doutora Daniela aplicava as suas técnicas profissionais para fazer um homem com disfunção erétil recuperar toda a sua vitalidade.

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