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Capítulo 4

작가: Mabby
last update 게시일: 2026-08-26 17:53:08

POV de Jace

—Senhor, sua reunião começa em trinta minutos —ouvi alguém dizer da porta, fazendo-me erguer da cadeira. A loira sentada no meu colo acabou caindo no chão por não ter sido avisada.

—Tudo bem. Avise Jay e Brandon que vamos sair em dez minutos —respondi com a voz rouca.

Ela assentiu e saiu apressada, e agora conseguiu acabar com o meu humor.

—Levante-se e saia —ordenei à loira, cujo nome eu nem sabia. Nenhuma surpresa. É difícil lembrar o nome de qualquer uma delas.

—Espera, o quê? —ela perguntou, completamente confusa e, diga-se de passagem, ainda no chão. Será que estava esperando que eu a ajudasse a levantar? Porque, se estivesse, era melhor se preparar para limpar o chão depois.

—Você ouviu o que eu disse —respondi, voltando minha atenção para os arquivos sobre a mesa que precisavam ser analisados.

—Nós ainda não terminamos o que começamos —ela disse, tentando soar sexy, mas aquilo só conseguiu me irritar ainda mais.

—Não me faça repetir, Janet —falei, tentando manter a calma, embora minha paciência estivesse acabando.

—Meu nome é Brittany —ela corrigiu, praticamente guinchando.

—Segurança, venha tirar esse lixo daqui —ordenei pelo AirPod em meu ouvido.

—Você só pode estar brincando comigo —ela reclamou, finalmente se levantando e sacudindo a roupa. Acho que percebeu que não conseguiria limpar o chão do jeito que eu gosto.

—Senhor —um dos meus seguranças chamou da porta.

Assenti, sinalizando para que entrasse. Bastou um olhar meu para a loira para ele entender imediatamente.

—Não chegue perto de mim, eu consigo sair sozinha —ela disse, pegando a bolsa e indo embora, mas não antes de deslizar sobre minha mesa um pedaço de papel com o que imagino ser o número dela. E pensar que estava tão irritada comigo.

—Prepare minha limusine preta. Tenho uma reunião daqui a alguns minutos —ordenei ao segurança.

Ele fez um breve aceno e saiu.

—Se alguém ligar, você sabe o que dizer, certo? —perguntei à minha secretária enquanto saía do escritório, trancando a porta atrás de mim.

—Sim, senhor. Mas e se o seu pai ligar? —ela perguntou baixinho, sabendo exatamente onde estava pisando.

—Como eu disse, você sabe o que dizer.

Saí antes que acabasse dizendo alguma coisa da qual pudesse me arrepender.

—Vamos, já estamos atrasados —ouvi Brandon dizer assim que saí do enorme prédio.

—Não é como se eles pudessem começar a reunião sem a gente —respondi, dando de ombros enquanto entrava na limusine.

—Mesmo assim, não deveríamos chegar atrasados. Não pega bem para nós —ele disse, fazendo-me revirar os olhos.

—Pare de agir como se fosse um santo ou alguma coisa assim. Tenho certeza de que você nem queria vir —falei, virando-me para encará-lo.

—Eu sou melhor do que esse cabeção aqui. Ele ficou reclamando que você acabou com a diversão dele e coisas do tipo. Pelo visto, ele estava prestes a conseguir alguma coisa quando você mandou Jamie nos chamar —disse ele, referindo-se ao meu irmão mais novo, que mostrou a língua para ele.

—Eu não pedi para você me lembrar disso —Jay respondeu, fazendo-me cair na gargalhada.

—A ironia de eu mesmo ter acabado com a minha própria diversão —falei entre risadas.

—Isso significa que eu sou o único homem são e decente entre nós? —Brandon perguntou.

Jay e eu demos a ele um olhar cético.

—Isso é porque você diz que tem uma namorada que ama. É engraçado como Lisa transformou você em um cachorrinho apaixonado —provoquei.

—Você só vai entender quando uma garota te tirar do chão —ele respondeu, ignorando os olhares que Jay e eu trocávamos.

—É, isso não vai acontecer —disse, balançando a cabeça.

—Não tenha tanta certeza. Afinal, aquela garota do ensino médio conseguiu. Qual era mesmo o nome dela? Ah, isso… Paige —ele disse, e eu congelei.

—É verdade, cara. Você nunca contou o que realmente aconteceu entre vocês dois —Jay entrou na conversa e, naquele instante, meu humor morreu.

—Como eu disse antes, não foi nada. Nós simplesmente nos cansamos um do outro e decidimos dar um tempo. Depois ela se mudou —murmurei, virando o rosto para eles.

—Aham, sei. Mas você ainda continua preso a ela —Brandon disse, claramente sem acreditar em mim.

Eu não podia contar nada a eles. Simplesmente não conseguia. Ainda me lembro daquele dia como se tivesse acontecido ontem, o dia que continua me assombrando…

Flashback

—Você não pode simplesmente negar tudo desse jeito —Paige gritou, enquanto lágrimas se acumulavam em seus olhos. Ela estava me mostrando sua dor, o quanto minhas palavras estavam destruindo-a, mas eu não conseguia pensar direito depois da notícia que ela acabara de me dar.

—Bom, observe —respondi casualmente, jogando-me no sofá ao lado da minha mesa.

—Precisamos encontrar uma solução para essa gravidez. Você não pode esperar que eu aborte nosso bebê.

Espere. Quem falou em aborto? É claro que ela não faria isso. Mas eu simplesmente não podia. Eu tinha um futuro pela frente.

—Seu bebê, não nosso —disse, chocando tanto a ela quanto a mim mesmo.

Eu a amava, mas simplesmente não conseguia. Meu pai não aceitaria aquilo de jeito nenhum, e eu não podia permitir que nada se colocasse entre mim e o meu futuro.

—Você está realmente negando que dormiu comigo e me engravidou? —ela gritou, finalmente deixando as lágrimas caírem.

Naquele momento, senti vontade de abraçá-la, pedir desculpas, aceitar o bebê e tentar encontrar uma solução. Mas alguma coisa continuava me segurando, mantendo-me preso ao lugar.

—Olha, eu admito que dormi com você, mas com certeza não fui eu que te engravidei. Por que não pergunta aos seus inúmeros amantes? Talvez algum deles assuma que ejaculou dentro de você —falei, tentando parecer indiferente às lágrimas dela, quando, por dentro, aquilo estava me destruindo.

Eu sabia muito bem que ela não tinha amantes nem outro homem além de mim. Mas eu precisava dizer alguma coisa. Qualquer coisa.

—Do que você está falando? Eu não tenho outro namorado além de você —ela disse, enquanto as lágrimas escorriam sem controle.

—Ah, por favor, poupe-me de todo esse drama. Quando terminar com isso, vá embora e feche a porta atrás de você —falei, porque já estava no limite de perder o controle.

Eu só queria ignorar os avisos do meu pai e abraçá-la, beijá-la, fazer qualquer coisa para parar suas lágrimas. Mas sabia que ele não estava blefando.

—Só para você saber: se alguém perguntar quem é o responsável por essa coisa que você está carregando e você se atrever a dizer o meu nome, eu prometo que vou negar até mesmo que já te conheci. E acredite quando digo que vou tornar sua vida um inferno.

Finalmente entrei no banheiro e fechei a porta atrás de mim, mas não antes de ver a expressão destruída em seu rosto.

Naquele instante, me arrependi de tudo o que tinha acabado de dizer. Mas não podia voltar atrás.

Não ouvi mais sua voz nem seus soluços, então presumi que ela tinha ido embora.

E ela realmente foi.

Foi embora para sempre.

Eu nunca mais a vi…

Dias atuais

Procurei por ela em todos os lugares. A mãe dela ficou completamente destruída sem a filha, e isso só aumentou ainda mais a minha culpa. Paige nunca mais voltou à escola. A mãe dela me mostrou a carta que ela havia deixado, e foi então que percebi que tinha cometido o maior erro da minha vida.

Eu precisava encontrar uma maneira de ajudar a mãe dela sem deixar que descobrisse que eu era o responsável por tudo aquilo. Até hoje, sempre arranjo tempo para ela. Ela nunca mais foi a mesma depois daquele acontecimento, mas acho que está melhor do que estaria sem a minha ajuda.

Todos os dias me sento e me pergunto: para onde ela foi? Será que deu à luz? Será que ficou com aquela criança? Se ficou, quero saber se é menino ou menina. Se ele ou ela se parece comigo, com ela ou com nós dois. Será que algum dia vou vê-la novamente? Será que algum dia vou conseguir pedir desculpas? Será que ela ainda está viva?

Eu sei que não deveria pensar assim, mas não consigo evitar.

Nenhuma rede social tem qualquer informação sobre ela desde aquele dia. Já contratei tantos detetives, mas todos acabam encontrando pouco ou absolutamente nada que possa me ajudar a localizá-la.

De vez em quando, culpo meu pai por tudo isso. Ele sabia que ela estava grávida e me obrigou a rejeitá-la. Mais uma vez, usou o dinheiro dele a seu favor.

Hoje sei que isso não é desculpa. Mas, naquela época, eu vivia do dinheiro dele. Se ele tivesse cumprido a ameaça, eu teria ficado sem absolutamente nada.

Ainda não consigo olhar para o meu pai da mesma maneira desde aquele dia. Eu sentia que ele me odiava. Tudo o que sempre importou para ele foi o dinheiro.

E agora que construí minha própria fortuna sozinho, ele quer fundir nossas empresas.

Mas eu não vou permitir.

Ele que vá para o inferno, por mim…

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