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Capítulo III - Gênesis 19.15

Penulis: Érika Gomes
last update Tanggal publikasi: 2021-07-05 09:27:57

Naiara estava largada sobre a cama, sozinha e irritada, naquele momento só queria partir Yekun ao meio e dar um chute na canela de Agares, não entendia como ele a deixou daquela forma, como pôde pensar que ele não era o suficiente para ela, quando tudo o que havia se tornado e tudo o que gostaria de ser, estava eternamente ligado a ele, ela suspirou alto quando a certeza dos seus atos caíram em seu entendimento, claro que ela sabia o porquê Agares estava daquela forma, morreria se soubesse que ele havia passado uma manhã nos braços de qualquer outra demônia daquele lugar, pensar então que ele pudesse se sentir como ela se sentiu, ela morreria ou mataria com certeza. A respiração acelerada e o travesseiro sobre a cabeça, não estava deixando com que se acalmasse ou pensasse direito, acreditava que com a chegada da mãe, todos seriam uma grande família endemoniada feliz e nada mais, mas tudo se complicava um pouco mais a cada dia. Sentou-se na cama abruptamente, revelando os cabelos grudados no rosto com o suor, tentando de uma forma nada cuidadosa, colocar os fios no lugar, ela soube exatamente do que precisava, soube do que seu coração necessitava naquele momento, tudo o que Naiara queria, era a presença tranquilizadora de Gabriel, com certeza ele estaria fazendo algum comentário inapropriado, arrancando risos dela. A última vez em que se viram, ela havia sido muito rude, sabia que suas palavras estavam magoando o amigo, mas sabia também que era para o seu próprio bem, aquele não era o mundo que Gabriel deveria viver, mas agora, dias após seu último encontro, ainda não sabia por onde o amigo andava ou se ao menos estava em segurança, queria poder senti-lo novamente, ir até ele, como fez quando Belial o sequestrou, mesmo que não pudesse toca-lo, mesmo que não pudesse senti-lo, ainda assim, queria poder olhar em seus olhos, para ter a certeza de que tudo daria certo. Naquele momento, o desejo mais intenso de seu coração, era somente a presença de Gabriel em sua vida novamente.

— Não sei se você está certo não Miguel. – Dizia Gabriel com uma grande espada nas mãos – Isso é enorme e mais parece um sabre de luz, olha como isso brilha! Nunca ninguém ficou cego com isso não?!

Miguel olhou para o magro menino a sua frente e por uma fração de segundo, duvidou dos planos de seu criador, não entendia em que uma criatura como ele, poderia ajudar naquela guerra, o menino mal conseguia manter a espada erguida. O grande e imponente anjo, respirou fundo, reunindo toda pouca paciência que existia dentro dele e aproximou-se, parando atrás de Gabriel e segurando a espada com ele.

— Criança, já lhe disse que precisa separar um pouco mais as pernas, segurar de forma firme o punho de sua espada. – Conforme falava, Miguel apertava as mãos de Gabriel entre suas mãos e o ajudava a levantar a arma um pouco acima da altura dos ombros. A espada realmente brilhava, mas uma luz diferente de tudo já visto, era como se pudesse separar o pecado da santidade, cortando bem ao meio, sem macular nenhum dos dois.

Gabriel havia mudado, nos últimos dias, desde a sua estranha chegada ao lugar que ele carinhosamente apelidou de “quase paraíso”, estava mais alto, ombros mais largos e mais encorpado, nada comparado a Miguel, mas não estava desengonçado e magricela como antes, seus cachos castanhos, ganharam formas definidas, caiam de forma sutil sobre os olhos.

— Isso pesa demais Miguel e essa claridade toda na minha cara, não enxergo nada, não dá para apagar essa luz?

— Chega! Eu desisto! – Gritou Miguel, enquanto soltava as mãos de Gabriel, que automaticamente caíram, derrubando a espada no chão. – Você não pode estar no lugar certo, pela primeira vez desde a minha criação, estou começando a duvidar da escolha de meu Pai. Você jamais será um de nós, jamais!

— Calma meu irmão, nem todos são como você, alguns demoram um pouco mais de tempo para aprender. – Uma voz doce e paciente ecoou entre eles, antes mesmo que a imagem fosse definida. Gabriel estava com os ombros encolhidos, sentindo a vergonha por seu fracasso dominar seu corpo, os olhos de Miguel ardiam em chamas de decepção. O dono da voz surgiu ao lado deles, claro que não era muito diferente de Miguel, beirava a perfeição. Ele era alto e todos os músculos de seu enorme corpo era definido, os ombros largos davam a ele uma presença grandiosa, Gabriel encolheu ainda mais o corpo, revirando os olhos, acreditando que era o rascunho jogado no meio de obras de arte.

— Mas Diego, meu irmão. Essa criança simplesmente não tem jeito!

— Não foi nosso Pai que nos ensinou a suportar os mais fracos e guiar os cegos, meu irmão? Quem sabe o erro não está em você?

— Em mim? Como assim? – Explodiu Miguel

— Sim, já parou para pensar que está pode não ser a arma certa para ele? Não é porque você nasceu para desembainhar a espada, que todos os seus irmãos também! Afinal, Gabriel tem sua própria arma... – Dizia Diego enquanto pela primeira vez, voltava sua atenção para o menino. – Ora criança, erga-se, endireite seu corpo, não é motivo para vergonha tentar e não conseguir, não deixe que o temperamento forte de nosso irmão, seja motivo para lhe fazer parar

— Irmão? – De tudo o que havia escutado até então, aquela havia sido a única palavra que despertou a atenção de Gabriel.

— Sim, somos todos irmãos, filhos de um único pai, criados para sua gloria e adoração.

— Está vendo, sabia que vocês haviam se enganado, sou filho único, meu pai morre se souber que estão querendo me dar um pai novo.

As palavras brotavam dos lábios dele de forma genuína, ele simplesmente as diziam, sem querer agredir alguém ou se fazer de engraçado, era somente Gabriel, sendo o Gabriel, sentia que a qualquer momento iria acordar e estaria em casa, sentindo o cheiro doce que vinha da casa vizinha a sua, pudim da Dona Anna ou ouvindo as risadas altas de Lauren, sua melhor e única amiga, as lembranças de uma outra vida, que parecia tão distante e tão vivida ao mesmo tempo, encheu Gabriel de tristeza, lagrimas se formaram no canto de seus olhos, ele não queria chorar, não na frente de Miguel, que fazia questão de lembrar o quanto ele era inferior a todos os outros.  Como em um truque de mágica barato, imagens da amiga, agora já conhecida como Naiara, invadiram sua mente, as palavras que ela disse atingia seu coração como uma adaga afiada, todas as vezes em que a escolha foi outro alguém e não ele, a forma como ela havia simplesmente esquecido todos os anos em que foram somente um para o outro, uma amargura misturada ao sentimento de vingança passou a ganhar vida dentro dele, as boas lembranças perdendo força.

— Chega Miguel!

A voz doce de Diego soou de forma autoritária, fazendo até mesmo Gabriel se assustar o olhando, Miguel por sua vez, pareceu não se importar, somente deu de ombros, não fazendo questão alguma de disfarçar o que estava fazendo.

— Acredita mesmo que agredir essa criança, distorcendo a verdade sobre sua melhor amiga é algo que nosso Pai aprovaria?

— Não acredito que nosso Pai esteja pensando da melhor forma nos últimos tempos, dar aquela aberração o benefício da dúvida, fazer um dos nossos crescer entre os mortais e se tornar algo assim – seus dedos apontaram Gabriel de cima a baixo – tão insignificante e acreditar que não devemos invadir aquele poço de imundícia e acabar com todos que ali habitam. Então não meu irmão, não sei se nosso Pai aprovaria isso.

A raiva era algo constante e latente na voz de Miguel, que saiu marchando, se distanciando deles, para onde, Gabriel não sabia, naquele lugar não havia cômodos, não havia porta ou divisões, era somente um imenso espaço branco, tão branco e sempre tão enevoado. Mas de uma forma muito curiosa, Gabriel sempre estava descansado e saciado, mas desde que entrou naquele sonho não dormiu ou comeu coisa alguma. Sentiu o peso do olhar de Diego a sua frente, que parecia desvendar a alma de Gabriel com os olhos.

— O que foi? – Perguntou o menino sem entender direito o porquê daquele olhar.

— Nada criança, nada.

— Será que não podem me chamar pelo meu nome? Ficam o tempo todo, criança isso, criança aquilo, sou batizado, minha mãe escolheu com carinho o meu nome, há todo um significado para ela.

— Não tenho dúvidas disso Gabriel. – Afirmou o anjo sorrindo. – Bem, vamos então começar, já vimos que seu forte não é com a espada.

— Sem espada por favor!

— Sim, sem espada. Acredito que nosso irmão não tenha lhe contado nada, explicado como e porque está aqui, explicou?

— Nadinha, há dias ele berra, por Deus, como ele berra e fica com aquele sabre de luz forte me cegando o tempo todo.

O anjo explodiu em riso, deixando Gabriel ainda mais sem graça.

— Venha Gabriel, vamos conhecer o local que será seu lar e aproveito para lhe contar algumas coisas essenciais!!!

Andavam em passos lentos, parecia nem mesmo estar se movendo, tudo ao redor deles estava coberto por uma nevoa branca e a sensação que Gabriel teve no primeiro dia, de que estava andando entre as nuvens e que cairia a qualquer momento, não passava. Diego não parou de falar por um momento se quer, contou o começo da criação e a forma como “eles” adoravam ao seu Criador sem cessar, dizia sobre como Ele se entregou na criação da humanidade e Sua alegria, quando enfim acabou sua obra mais perfeita. Claro que tudo aquilo, segundo Diego, acabou despertando o ciúmes de alguns, outros não conseguiam entender o porquê Ele precisava de mais alguém para o adorar.

— Mas espere um momento!

Gabriel parou de andar e a pergunta surpreendeu Diego, que parou o olhando com certa curiosidade.

— Se Ele sabe de todas as coisas e conhecia o caráter falho dos humanos que havia acabado de criar, porque então deixou que Lúcifer entrasse no Eder e fosse tentar a Eva?

Mal sabia Gabriel, que aquela era a pergunta que todos se faziam, Diego respirou fundo e grandes pedras surgiram na frente deles, entre elas um rio de aguas claras, corria devagar. Diego voltou a andar e com agilidade subiu, sentando-se no alto de uma das grandes e largas pedras, tendo Gabriel o acompanhando, com certa dificuldade.

— Sabe cria... Desculpa, Gabriel. Por muitos anos essa foi a pergunta que assolou meu coração, não entendia o porquê deixar que sua criação fosse corrompida por meu irmão, mas o que podemos fazer? Ele é quem decide e tem o destino de todos em suas mãos. Podemos somente aceitar.

— Ah não, mas isso não é certo, já parou para pensar que podem estar culpando Heylel por algo que não é só culpa dele?

Diego o olhou diretamente nos olhos, por segundos, permaneceu em silencio, ponderando o que havia acabado de ouvir.

— Sempre me esqueço do nome que meu irmão adotou.

— Irmão?

— Ah sim, ainda que caído, ainda que expulso, Lúcifer ou Heylel, como é conhecido nos dias de hoje é meu irmão.

— É, não escolhemos nossos parentes né? Deve ser complicado, alguém assim....tão branco... tão claro, ser irmão da escuridão lá de baixo.

Novamente Diego riu, era incrível a naturalidade que Gabriel lidava com toda aquela situação.

— Preciso confessar que você me intriga Gabriel, não somente essa sua forma de se expressar diante as situações, mas a sua falta de curiosidade ao seu próprio respeito... Diferente dos demais, com certeza.

— Claro que tenho curiosidade, acha que não quero saber o que eu estou fazendo aqui? Meus pais são somente meus pais, não é como Laur...Naiara, que descobriu ser filha do diabo.

O menino deu de ombros, como se aquilo fosse o suficiente para explicar tudo.

— Mas se tem essa curiosidade, porque não pergunta? Não questiona?

— Acredito que quando acharem que devo saber, alguém irá me dizer e meus pais achando que estou cuidando da minha tia, Naiara sendo a poderosa do inferno, se enroscando com o demônio perfeito dela, vou ter pressa em voltar para que?

A frase saiu mais rápida do que ele pretendia e carregada de uma tristeza que gritava em cada letra, Gabriel estava sofrendo e não fazia questão alguma de esconder seu sentimento, Diego o olhava maravilhado, sempre gostou do jeito verdadeiro e simples de Gabriel levar sua vida, mas ter o menino assim tão perto e ver suas reações diante a vida, era diferente.

— Bem, isso é no mínimo interessante. Mas não me surpreende, você sempre foi um menino especial Gabriel, ainda criança, aprendendo a se desenvolver com os mortais.

— Aprendendo o que?

Aquilo chamou a atenção dele.

— Gabriel, acredita mesmo que é simplesmente um simples humano? Uma criança gerada por uma qualquer?

— Claro que não! – Respondeu Gabriel com o tom de voz visivelmente alterado – Minha mãe jamais será uma qualquer.

— Ah não claro que não, me desculpe, não foi isso que quis dizer, sua mãe com toda a certeza é uma criatura adorável e digna de ter em seus braços um dos nossos.

— Um de quem?

A conversa agora fluía de forma rápida, sem rodeios, cada palavra dita por Diego, despertava mais a atenção de Gabriel.

— Um de nós irmão, você é um anjo Gabriel ou deveria ao menos ser.

Diego sorria medindo Gabriel de cima a baixo não acreditando ainda como ele poderia ser um deles. Gabriel o encarava e seus olhos revelavam sua descrença em tudo aquilo.

— Por que não acredita? Aceitou e acreditou sem questionar, sua amiga ser filha de Lúcifer, se envolver com um demônio e sua mãe ser uma bruxa, então...

— Dona Anna ser o que?

Ele gritou se colocando em pé em um pulo, não sabia nada sobre o que havia acontecido com a mãe de Naiara.

— Não sabia disso não é? Anna que você conheceu, na verdade chama-se Amarantha, ela descende de um coven poderoso de jovens sacerdotisas, uma bruxa mãe antiga e muito poderosa entre os dela, somente havia se cansado de tudo ao seu redor e acreditou que seguir um novo caminho fosse a melhor escolha.

— Novo caminho?

Sentou-se novamente ao lado de Diego, agora, mais do que nunca, queria saber toda a história.

— Vamos só começar do começo por favor. Que conversa é essa de anjo?

— Engraçado, não reagiu ao fato de ser um anjo, mas senti seu coração parando quando soube de Amarantha.

— Claro, Dona Anna, bruxa? Ela é pequena e fofa, faz o melhor biscoito que já comi na vida, já provou o pudim que ela faz?

— Não Gabriel, não provei. – A afirmação arrancou o sorriso do anjo novamente. – Mas continuando... O Pai sabia o que havia acabado de acontecer na terra que o sol aquece, não poderia deixar que uma cria de Lúcifer fosse gerada e criada sem que alguém estivesse muito próximo a ela. Então enviou você irmão.

— Me enviou? Mas eu vi as fotos da minha mãe... ela ficou gravida... gorda e barriguda... tem fotos comigo na maternidade, pequeno, enrugado e feio.

— Sim, foi mesmo gerado, mas não seria a primeira vez que o Pai deixa uma humana dar à luz a algo divino, não é mesmo?

— Ah... oh céus... eu sou tipo Jesus?

— Hum não, com certeza você não está nem perto de se parecer com Jesus, claro que não.

— Não entendo então.

— Quando seus pais marcaram a data do casamento, o Pai começou a desenrolar seu plano, levou sua mãe meses antes do casamento a se perder nas ruas do bairro onde moram hoje, ela se apaixonou pela casa ao lado da casa que a cria de Lúcifer iria morar em poucos meses. Bem, logo na lua de mel, o ventre de sua mãe foi tocado de forma gloriosa pelo querer do Pai e então você foi gerado.

— Nossa, mas já na lua de mel? Que pressa é essa?

— Acredito que esse não era o plano deles.

Os dois sorriam sem jeito.

— Mas Amarantha já estava gerando e logo a cria nasceria, era necessário você estar ao lado dela.

— Elas sempre foram amigas, exatamente por terem ficado gravidas ao mesmo tempo, por isso que somos amigos? Nossa amizade é então algo planejado por Ele?

Gabriel não queria acreditar, sua amizade com Naiara sempre foi o seu norte, a certeza absoluta de sua vida, poderia lidar com anjos e demônios, mas saber que tudo o que construiu com ela era uma mentira, o entristecia mais do que perde-la.

Diego permaneceu em silencio, pela primeira vez sentindo-se constrangido.

— Então é isso? Sou somente um toque de Deus no meio da transa dos meus pais? Então meus pais não são meus pais? Minha amiga não é mesmo minha amiga? E agora eu vou viver aqui? – Ele abriu os braços mostrando o cenário ao redor deles – No meio desse imenso algodão doce, com essa neblina que embaça as vistas?

— Bem, não com essas palavras, mas é quase isso sim. Desculpa, mas você foi gerado para algo maior Gabriel?

— Maior? Fui gerado para crescer ao lado da filha do diabo, ser seu melhor amigo, cuidar e zelar por ela em todos os momentos, me apaixonar pela minha melhor amiga e a perder de todas as formas possíveis...- Sua voz saia em um sussurro – Para isso que Ele me fez Diego?

A tristeza em sua voz calou Diego, os dois ficaram sentados um ao lado do outro por um momento que parecia ser a eternidade, estranhamente, Diego sentia vontade de acalantar o irmão, aninhar em seus braços e ajudá-lo a superar a dor que sentia.

— Você é mais do que isso Gabriel – Começou a dizer em um tom de voz baixo – É um dos nossos e com o tempo irei lhe ajudar a se desenvolver.

— Mais o que?

— Iria chegar nessa parte, mas agora já não sei se é o melhor a ser feito.

— Continue por favor Diego, não acredito que possa me contar algo que irá me surpreender ou me magoar mais.

Ele declarava uma verdade. Diego respirou fundo parecendo pensar em que decisão tomar, após olhar bem para Gabriel, ele elevou a mão direita à frente do corpo e movendo o ar em forma circular, moldou a sua frente uma grande bola de uma densa fumaça, que imediatamente prendeu a atenção de Gabriel, quando uma imagem começou a se formar dentro do círculo. Como uma grande tela de tv, Naiara estava deitada na cama, com o travesseiro cobrindo a cabeça “ela está brava” pensou Gabriel assim que viu a imagem e sorrio, pensando no que faria se estivesse perto da amiga, que se levantou rapidamente e os cabelos bagunçados e grudados ao rosto revelavam seu estado descontente. Ele se ajeitou sobre a pedra, aproximando-se da imagem, com cuidado levantou a mão e com leveza tocou os cabelos da menina projetado a sua frente, como se estivesse sentindo o toque, Naiara se virou e olhou diretamente na direção de Gabriel e seus olhos estavam inchados de tanto chorar, despertando assim as lagrimas nos olhos do amigo.

— O que ela tem?

Disse ele tão baixo que duvidou que pudesse ser ouvido.

— Assim como você, ela também está confusa, sente falta da normalidade de sua vida passada... Sente falta de você.

Gabriel sorriu, aproximando-se ainda mais.

— Você é uma grande cretina, queria mesmo dar um chute em sua canela agora Naiara... – Riu, sabendo que aquela seria a frase dela para ele e não ao contrário – Temos tanto para conversar.... Me magoou tanto...

Naiara parecia responder as palavras e ao carinho que Gabriel fazia na imagem, pois seus olhos se fecharam e sua cabeça tombou exatamente na direção da mão do amigo, as lagrimas caiam em sua face, sem permissão.

“— Sinto tanto a sua falta Gabriel.”

A frase assustou o menino que se desequilibrando caiu da pedra, sobre a imagem projetada, passando dentro de Naiara e caindo no chão. Ele se levantou rapidamente, escalando a pedra a procura da imagem.

— Liga para ela de novo, Diego... Vamos... coloca Naiara nessa vídeo chamada do céu ai que você fez.

— Gabriel, quis somente acalmar seu coração meu irmão. Agora, temos assuntos mais importante para tratar.

— Mais importante? Não entende não é? Nada é mais importante para mim do que o bem estar dela, nada.

— Nem mesmo uma guerra que acabaria com o mundo?

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