LOGINLaura permaneceu olhando para o telefone.O aparelho parecia pequeno demais para carregar tudo o que aquele momento significava.Durante vinte e dois anos, ela havia aprendido a conviver com a ausência do pai.Primeiro, como uma criança que não compreendia por que todos ficavam em silêncio quando perguntava por ele.Depois, como uma adolescente que percebeu que as respostas mudavam conforme a pessoa que contava a história.Mais tarde, como uma mulher que já não sabia se deveria acreditar nas fotografias, nos documentos ou nas próprias lembranças.Eduardo havia sido transformado em uma espécie de fantasma dentro da família.Um nome que existia.Um rosto que aparecia em fotografias antigas.Uma presença que ninguém conseguia explicar completamente.E agora Antônio estava diante dela.Vivo.Mais velho.Com o rosto marcado pelo tempo.E olhando para Laura como se também estivesse tentando reconhecer a menina que conhecera tantos anos atrás dentro da mulher que estava diante dele.Ela não
A porta do segundo veículo abriu lentamente.Laura não conseguiu enxergar o rosto de quem estava saindo.A distância entre os carros era grande o suficiente para esconder os detalhes, mas curta demais para permitir que alguém simplesmente ignorasse aquela presença.O homem diante da casa continuava parado.Ele parecia observar tudo.Não apenas Laura.Também o veículo atrás deles.Rafael apertou o braço dela."Não avance."Laura permaneceu imóvel."Ele sabia que eu viria.""Sim.""E sabia que chegaríamos agora."Rafael olhou para o carro."Isso é o mais preocupante."Otávio continuava avançando pela lateral da estrada.Ele tinha chegado a poucos metros do veículo quando parou.Levantou uma das mãos.Depois fez um sinal para Gabriel."É a mesma caminhonete."Laura sentiu o estômago apertar."A da estrada?""Sim."Gabriel olhou para ela."Então não foi coincidência."Laura voltou os olhos para o homem na porta.Tudo começou a se encaixar.A caminhonete havia aparecido durante a viagem.S
A cidade indicada por Isabel ficava a quase seis horas da antiga estação.Quando deixaram o local, o céu começava a clarear.Eram 6h40.Laura entrou no carro com o envelope apertado contra o peito.As duas fotografias estavam ali.Os documentos também.Mas, acima de tudo, estava o endereço.O único endereço concreto que tinham conseguido depois de anos procurando por Eduardo.Rafael entrou ao lado dela.Gabriel assumiu o volante do outro carro, levando Otávio, Clara e Isabel.Laura olhou para o relógio antes de colocar o cinto."Se a viagem levar seis horas, chegaremos por volta de 12h40."Gabriel respondeu pelo telefone:"Na verdade, pouco antes disso. Pelo trajeto principal, devemos chegar perto de 12h30."Laura assentiu.Pelo menos agora havia uma previsão.Seis horas.Não era pouco.Mas também não parecia impossível.Durante aquele período, ninguém tinha certeza do que encontrariam.Talvez Antônio ainda estivesse na cidade.Talvez tivesse partido.Talvez o endereço de Isabel já es
A cidade indicada por Isabel ficava a quase seis horas da antiga estação.Quando deixaram o local, o céu começava a clarear.Laura entrou no carro com o envelope apertado contra o peito.As duas fotografias estavam ali.Os documentos também.Mas, acima de tudo, estava o endereço.O único endereço concreto que tinham conseguido depois de anos procurando por Eduardo.Rafael entrou ao lado dela.Gabriel assumiu o volante do outro carro, com Otávio e Clara.Isabel seguia com eles.A viagem seria longa.E Laura sabia que o tempo não estava a favor deles.Ela olhou para o relógio.Seis e quarenta da manhã."Quanto tempo até chegarmos?""Pouco menos de seis horas", respondeu Gabriel pelo telefone, através do sistema do carro.Laura fez uma conta mental."Então chegaremos perto de uma da tarde.""Por volta disso."Ela assentiu.Pelo menos agora havia uma previsão concreta.Não precisariam correr no escuro.Ainda assim, a sensação de urgência permanecia.Porque alguém havia descoberto que eles
A cidade indicada por Isabel ficava a quase seis horas da estação.Laura passou boa parte do caminho olhando para o envelope sobre suas pernas.Dentro dele estavam as duas fotografias, os documentos encontrados na estação e o endereço que, até poucas horas antes, parecia ser apenas mais uma informação perdida no meio de vinte e dois anos de segredos.Agora era diferente.Aquele endereço levava até Antônio.E Antônio poderia levá-la até Eduardo.Mas havia uma coisa que Laura não conseguia ignorar.Se Antônio estivesse realmente naquele lugar, por que Isabel teria tanta dificuldade para encontrá-lo?Ela virou-se para Gabriel."Quanto você sabe sobre essa cidade?"Ele manteve os olhos na estrada."Menos do que gostaria.""Isso não parece uma resposta.""Porque não é."Laura esperou.Gabriel suspirou."Antônio nunca permaneceu muito tempo no mesmo lugar.""Você sabia disso?""Sabia.""Há quanto tempo?""Desde que Eduardo desapareceu."Laura sentiu um incômodo."Então por que me disse que
Laura ainda segurava a fotografia quando percebeu que havia algo errado.Não com a imagem.Com a interpretação que todos tinham feito dela.A fotografia mostrava Eduardo ao lado de Antônio.Os dois estavam mais jovens, sorrindo discretamente diante da entrada da antiga estação.Durante alguns segundos, Laura havia acreditado que aquela imagem pertencia à noite em que seu pai desaparecera.Mas havia um detalhe que não combinava.Ela virou a fotografia.No verso, estava escrito:00h47. Antônio chegou sozinho.Laura franziu a testa."Esperem."Todos olharam para ela.Rafael se aproximou."O que foi?""Essa fotografia não foi tirada às 00h47."Gabriel pegou a imagem."Por que não?"Laura apontou para a roupa de Eduardo."Olhe."Gabriel examinou a fotografia com atenção.Eduardo vestia uma camisa clara, com as mangas dobradas até os antebraços.Laura conhecia aquela camisa.Mas não daquela noite."Meu pai não estava usando isso quando saiu da fazenda."Isabel ficou imóvel.Laura continuou:







