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Trocando Minha Última Chance de Viver
Trocando Minha Última Chance de Viver
Author: Maidu

Capítulo 1

Author: Maidu
O quarto ficou em silêncio.

Meu irmão, Dante Stone, foi o primeiro a reagir. Ele franziu a testa e olhou para mim, tentando descobrir se eu estava brincando ou falando sério.

— Você está falando sério?

Assenti.

— Sim.

Assim que terminei de falar, mamãe, que estava parada no fim do corredor, veio apressadamente até nós. Provavelmente havia escutado nossa conversa anterior às escondidas. Seus olhos ainda estavam vermelhos, mas agora havia uma expressão evidente de alívio em seu rosto.

Mamãe se sentou ao lado da minha cama e estendeu a mão para segurar a minha.

— Lia, eu sabia que você seria sensível.

Instintivamente, desviei a mão, e a dela ficou suspensa no ar, enquanto sua expressão se tornava constrangida.

Papai pigarreou e falou:

— Já que tomou essa decisão, não volte atrás. O médico disse que o estado de Michelle está piorando a cada dia e que devemos assinar o termo de consentimento para o transplante hoje.

Eles já haviam preparado os documentos, retiraram uma pilha de papéis e colocaram diante de mim. No topo estava uma declaração de desistência voluntária da lista de candidatos ao transplante de coração.

Meus olhos permaneceram na palavra "voluntária", e, de repente, toda aquela situação me pareceu absurda.

Nos últimos três meses, eles haviam se revezado para me aconselhar a abrir mão da vaga. Mamãe dizia que minha irmã adotiva, Michelle Langley, ainda era jovem e que eu deveria ser compreensiva, enquanto papai dizia que disputar a vaga arruinaria a reputação da família.

Quanto a Dante, ele havia deixado de pagar minhas despesas médicas, demitido minha cuidadora e até permitido que a narrativa disseminada na internet — de que eu havia roubado de Michelle a oportunidade de salvar sua vida — se espalhasse sem qualquer controle.

Agora que finalmente haviam conseguido me fazer ceder, não hesitaram em selar meu destino de uma vez por todas.

Peguei a caneta e assinei meu nome em cada página.

Dante ficou ao meu lado, observando. Só relaxou quando terminei de assinar todas as páginas.

Ele guardou os documentos, suavizando a voz.

— Assim é melhor. Quando a cirurgia de Michelle terminar, entrarei em contato com o hospital no exterior para você.

Olhei para o formulário de estado crítico ao lado da minha cama.

— E se eu não sobreviver?

Dante ficou paralisado.

Antes que pudesse reagir, os soluços de Michelle vieram pelo telefone.

— Dante, meu peito está doendo...

A expressão de Dante mudou instantaneamente. Ele se virou e saiu, seguido pelos meus pais. Ninguém sequer olhou para mim uma segunda vez, e ninguém ouviu os bipes repentinos e acelerados do monitor conectado a mim.

Quando o médico entrou correndo, eu já estava encolhida, formando uma bola de dor.

Após o atendimento de emergência, o médico permaneceu ao lado da minha cama, com o rosto sombrio.

— Srta. Stone, sua função cardíaca está pior do que a de Michelle. A oportunidade de transplante foi concedida a você com base na gravidade do seu quadro.

— Se você desistir, ninguém pode garantir que terá outra oportunidade de encontrar um doador compatível.

Fiquei olhando para o teto.

— Quanto tempo ainda me resta?

O médico ficou em silêncio por um instante antes de responder:

— Cerca de um mês.

De repente, ouvi comemorações no corredor. O som de mamãe chorando de alegria chegou até o quarto.

— Michelle, a vaga é sua! Você vai sobreviver!

Virei-me de lado, enterrando o rosto no travesseiro. Hoje era meu aniversário de 24 anos. Ninguém se lembrava. Nem meus pais, nem Dante.

Ainda assim, naquele dia, eles receberam o presente que mais desejavam.

Meu celular vibrou.

Michelle me enviou uma foto. Nela, estava cercada por meus pais e Dante, com um sorriso triunfante em seu rosto pálido.

Ela escreveu:

"Obrigada, Lia, por me dar a chance de viver."

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