LOGINCheguei ao evento uma hora antes do início. Marisa, a responsável pela agência que contratava os serviços temporários, estava em frente ao imenso espaço, visivelmente nervosa enquanto falava ao telefone. Avistei Emily à distância, minha amiga que trabalhava como recepcionista e fazia parte do catálogo VIP da agência. Isso significava que muitas vezes ela acompanhava os clientes, mas Emily não se importava com o que os outros pensavam sobre seu trabalho.
Seu sorriso era encantador, iluminando seu rosto e transmitindo confiança. Uma mulher deslumbrante, loira, com cabelos no estilo chanel, bochechas rosadas, olhos grandes e expressivos. Vestia-se elegantemente com um vestido preto, discreto e sofisticado, combinado com saltos altos da mesma cor.
Marisa acenou para que eu me aproximasse quando me viu, e eu me dirigi até ela, tentando ignorar o nó de ansiedade que se formava em meu estômago.
— Barbara, precisamos conversar — ela disse quando me aproximei. Sua voz era firme, mas também havia uma nota de preocupação. —— Uma das recepcionistas faltou hoje, e precisamos urgentemente de alguém para cobrir o posto. Você poderia ficar na recepção esta noite?
A proposta me pegou de surpresa, mas antes que eu pudesse responder, Marisa continuou.
— Não se preocupe, outra pessoa vai assumir o bar, então você não precisa se preocupar com nada. E lembre-se, você não é obrigado a aceitar nenhuma proposta. — ela explicou, percebendo minha expressão apreensiva.
— Mas... eu não tenho roupa apropriada para ficar na recepção,
Um sorriso tranquilizador se formou nos lábios de Marisa, como se ela já esperasse por essa objeção.
— Não se preocupe com isso. Fale com Emily. Ela pode te ajudar a resolver — ela sugeriu, apontando para a direção onde Emily estava.
Respirei fundo e comecei a caminhar em direção à minha amiga. Emily estava encostada no balcão, cantarolando alguma música baixinho. Seu sorriso se iluminou quando me viu se aproximando.
— E aí, Barbie? — cumprimentou, animada. — A Janice furou hoje, então vamos ficar só em três.
Dei um sorriso fraco em resposta, sentindo o peso da notícia que precisava compartilhar.
— Na verdade, estaremos em quatro — corrigi. — Marisa quer que eu fique na recepção.
Emily levantou as sobrancelhas em surpresa, seus olhos se arregalaram.
— Sério? — Disse, claramente chocada. — E você aceitou?
Encolhi os ombros, sentindo-me um pouco desconfortável com a situação.
— Não tenho muita opção — admiti, dando de ombros. — E então, você pode me ajudar com a roupa?
Emily concordou com um sorriso solidário.
— Eu te ajudo com a roupa, a maquiagem e o cabelo. — Ela entrelaçou o braço no meu e nos dirigimos para uma espécie de camarim que as meninas costumavam usar.
— Ei, loira, já estou maquiada!
— Ah, você está maquiada? — ela exclama, surpresa, com um tom de deboche evidente em sua voz.
Dou uma risadinha nervosa, sabendo que Emily estava brincando comigo.
— Juro! — eu respondo, sorrindo de volta.
🧜🏾♀️
Respirei fundo enquanto Emily pegava um vestido idêntico ao dela. Ela também escolheu saltos altos e soltou os meus cachos longos e exuberantes, deixando-os cair em cascata ao redor do rosto. Eu não pude deixar de me sentir um pouco deslocada, como se estivesse prestes a entrar em um mundo desconhecido.
— Eles... costumam ser... pegajosos? — arrisquei, minha voz trêmula denunciando minha insegurança.
Emily deu de ombros, um sorriso divertido brincando em seus lábios.
— Algumas são, assim como algumas mulheres. — sua resposta foi acompanhada por uma piscadela cúmplice. — Mas não se preocupe, estou aqui para te proteger.
Senti um alívio temporário ao ouvir suas palavras reconfortantes. Eu sabia que estava ali porque precisava, mas preferia estar escondida atrás do balcão do bar. Sempre fui muito tímida e não me sentia confortável sendo o centro das atenções.
Enquanto Emily ajustava meu vestido e arrumava meu cabelo, eu lutava para controlar a ansiedade que borbulhava dentro de mim. Tantas preocupações ocupavam minha mente: as dívidas que se acumulavam. Tudo isso pairava sobre mim como uma nuvem escura.
Emily preparou minha pele com cuidado, aplicando uma maquiagem discreta nos olhos e nas maçãs do rosto.
— Já que estamos muito discretas, vamos colocar um pouco disso aqui. — ela sugeriu, levantando o batom vermelho.
Meu coração acelerou e eu pisquei nervosa, exclamando:
— Meu Deus, minha boca vai ficar enorme com batom!
Emily soltou uma risada suave e tranquilizadora.
— Seus lábios são lindos, Barbie. Não se preocupe tanto. Confie em mim.
🧜🏾♀️
Olhei para o espelho após Emily terminar minha maquiagem, surpresa com a mulher que me encarava de volta. A timidez ainda estava presente em minha expressão. As bochechas levemente coradas, enquanto os olhos brilhavam com um brilho suave. No entanto, era o batom vermelho vibrante que roubava a cena, acrescentando um toque de audácia à minha aparência. Eu me senti vulnerável, mas ao mesmo tempo, extremamente poderosa.
Na manhã seguinte, fui despertada por uma leve batida na porta. A sonolência ainda pairava sobre mim enquanto eu levantava e abria a porta. Matteo estava ali, segurando um envelope.— Henrique pediu para te entregar isso. Podemos sair para fazer compras e apresentar a cidade para você. — Ele estendeu o envelope.Peguei-o com curiosidade e, ao abrir, encontrei um cartão de crédito e débito, novo e brilhante sob a luz do sol que entrava pela janela.— Vou tomar um banho antes de sair, obrigada. — Informei, virando-me para voltar ao quarto.Matteo assentiu, e fui direto para o banheiro. A água quente caía sobre mim, relaxando meus músculos enquanto eu tentava organizar os pensamentos. Depois de um banho rápido, vesti um vestido leve e confortável.Ao descer para a sala de jantar, encontrei uma mesa posta com frutas, pães e sucos frescos. Sentei-me para o café da manhã, saboreando uma fatia de pão com manteiga. Matteo e Sandro estavam perto, mas conversavam entre si, me dando um momento de
Engoli em seco, ajustei a postura e ergui o queixo, mesmo que meu coração estivesse acelerado.— Boa noite para o senhor também, Henrique — falei, mantendo a voz firme, mas com um toque de sarcasmo que mal consegui esconder.Ele inclinou-se ligeiramente para frente, apoiando-se na mesa com os punhos marcados por contusões, as roupas manchadas de sangue.— Boa noite, Barbara — disse ele, a voz carregada de um tom quase afetuoso. — Eu devo dizer, mesmo nesta noite de sombrios acontecimentos, você tem uma presença que não pode ser ignorada.Revirei os olhos antes de conseguir me conter. Aquilo não combinava com ele, e ambos sabíamos disso. — E você sabe que esses elogios não combinam nada com você.Henrique inclinou a cabeça levemente, o sorriso zombeteiro se expandindo em seus lábios— Então ruína. você prefere que eu seja mais... eu?Senti minhas bochechas pegarem fogo, o rubor subindo rápido demais para que eu pudesse disfarçar. Seu olhar fixo em mim fazia cada movimento parecer mais
A fumaça do meu cigarro se enrolava no ar, formando espirais que desapareciam lentamente no galpão isolado. A tortura tinha sido meticulosa, cada detalhe calculado para extrair o máximo de dor e desespero do traidor. A imagem da sua expressão aterrorizada ainda dançava diante dos meus olhos, como senti falta disso.O som de passos firmes ecoou na ante-sala, e a figura de Angelo surgiu, meu irmão do meio e consligliere. Ele era alto, quase tão alto quanto eu, mas com um porte mais esguio. Seus cabelos eram negros como a noite, e seus olhos, de um preto profundor. Angelo tinha um jeito calmo, uma serenidade que era quase irritante, um desvio grotesco da brutalidade que dominava o ambiente. Ele tinha um jeito de esconder qualquer emoção, um dissimulado por natureza, que fazia dele um conselheiro valioso. Angelo lançou um olhar crítico ao corpo ensanguentado e à cena de violência. Em seguida, focou em mim.— Irmão, você passou muito tempo fora — comentou, a voz suave, mas com uma pitada
Entramos em uma sala de jantar elegante, com uma mesa comprida posta com toalhas de linho e pratos de porcelana fina. Cada lugar estava meticulosamente arrumado com talheres de prata polidos e copos de cristal, e um elegante centro de mesa com flores frescas. O aroma da comida que estava sendo servida começava a preencher a sala: uma variedade de pratos preparados, incluindo risoto de cogumelos, tagliatelle ao molho de trufas, e uma seleção de queijos finos.Amélia, estava ao lado da mesa, organizando as louças. Ela ajustava a posição dos pratos e talheres com um cuidado meticuloso. Já Cassandra, com sua expressão fechada de sempre, estava encarregada de servir as bebidas.— Cassandra, você tem certeza de que não colocou nada estranho na comida? — perguntou Matteo com um sorriso travesso, olhando para ela com um ar de provocação. — Não quero acabar com sintomas de envenenamento, como dores de estômago ou vômitos, ao final da noite.Ela lançou um olhar gelado para Matteo, seu rosto endu
O calor da banheira envolvia meu corpo com um conforto inesperado. Sempre preferi chuveiros rápidos, mas o banho relaxante, com sua água quente e aromática, era verdadeiramente revigorante.Depois do banho, vesti uma roupa casual e decidi que era hora de explorar. A curiosidade sobre o que Henrique estava escondendo era forte, e, embora pudesse não encontrar nada, sentia que precisava tentar.Percorri os corredores silenciosos da mansão, meu coração acelerado à medida que me aproximava do quarto de Henrique. Invadir seu espaço era arriscado, mas o desejo de entender o que ele ocultava superava o receio.Ao abrir a porta, fui recebida por um ambiente sofisticado em preto e cinza. As paredes, de um cinza profundo, criavam um pano de fundo discreto para a decoração minimalista. Luzes embutidas espalhavam um brilho suave, realçando as sombras e acentuando o mistério do lugar. A cama, com sua cabeceira estofada em preto e edredom de veludo cinza escuro, era o ponto focal do quarto. Com as
O calor do verão italiano me envolveu assim que saímos do jato. A luz do sol era intensa e quase ofuscante. O terminal estava repleto de pessoas falando em italiano, uma língua melodiosa, mas que soava um pouco intimidante para mim.Cada passo que eu dava parecia amplificar a sensação de estar em um mundo novo e desconhecido. Tentei respirar fundo, esforçando-me para manter a calma e focar no que estava à minha frente. Assim que saímos, avistei um homem alto e magro, parado ao lado de um carro preto. Sua expressão era de uma seriedade quase impenetrável.— Signora, signore — ele nos cumprimentou com um leve aceno de cabeça, sua voz tão fria quanto seu olhar. Ele abriu a porta do carro, e eu entrei, sentindo o couro fresco do assento contra minha pele. Enquanto o carro se movia, olhei pela janela, tentando absorver a paisagem ao meu redor.Bari se desenrolava diante de mim como uma tapeçaria de contrastes vibrantes e antigos. Suas ruas largas e movimentadas estavam ladeadas por edifíci







