LOGINKleber, o gordo, simpático e calmo Kleber — um verdadeiro poço de tranquilidade —, estava ali, diante dele, segurando uma pistola.
Naquele momento os olhos do gordo brilhavam. Seria ódio? Ou apenas indiferença?
Viu o diabólico e mortífero cano da arma apontado na sua direção.
→ Mas… por quê? Por quê? → indagou, atônito, ainda sem sentir medo.
“Sou colega dele. Ele não vai ter coragem de atirar em mim. É calmo, é evangélico, é um homem de Deus. Provavelmente só quer me assustar, para proteger o amigo”, refletiu, esperançoso.
Precisava dizer alguma coisa, para convencê-lo a desistir da ideia:
→ Kleber, amigo, escute. Eu…
Não teve tempo sequer de ter medo. Talvez por não acreditar. No exato instante em que começava a se levantar, ouviu-se o barulho seco:
POW!
A pistola — que possuía silenciador —, transmitiu sua fatídica mensagem.
Atingido no peito esquerdo, desabou sobre o sofá, de costas, soltando um gemido baixo.
Após alguns espasmos convulsivos — em que não conseguia respirar —, viu-se transportado para a dimensão das trevas.
Antes de morrer, perguntou-se o que levou aqueles homens sociopatas a cometerem tamanha barbaridade. O diabo, com certeza. Mas jamais soube a verdadeira resposta. Sua esvaiu-se num piscar de olhos.
→ Meu Deus! Meu Deus! E agora? → o pastor Gutemberg, meio que nervoso, com as mãos na cabeça, perguntou: → O que faremos? O que faremos? Diga-me, pelo amor de Deus!
→ O que combinamos → Kleber respondeu, depois de baixar o cano da pistola. Ajeitou os óculos feiosos sobre o nariz. → Acalme-se. Tudo dará certo. Não iremos cometer erros. → Olhou para o cadáver e suspirou. → É uma pena… Eu gostava dele. Era um ótimo funcionário e um sujeito legal. Gente boa.
→ Um doido, isso sim. E se ele deixou as imagens e as fotos com um cúmplice?
→ Essa hipótese está descartada. Ele não tinha amigos. Era um solitário, que vivia em função da memória da esposa morta.
→ Tem certeza?
→ Absoluta. Conheço a natureza humana. Conheço ele. Fique tranquilo. Tudo está ali, naquele celular. Arre! E eu que cheguei a pensar que ele havia desistido. Que coisa...
→ Quando fiz o teste, pensei que ele iria aceitar o que o destino lhe reservou. No entanto...
→ Tudo bem. Isso acontece. Mas chega de papo. Vamos trabalhar?
O tempo foi passando e… nada. Os investigadores não avançaram, por mais que se esforçassem. O caso tornou-se um decrépito e infeliz beco sem saída. A frustração deles foi total! Um ano depois, o caso foi, enfim, parcialmente arquivado. Os policiais acharam que se tratou de assassinato seguido de suicídio e que o carro de Macto estaria em alguma ribanceira da região. Mas continuariam procurando, embora com menor intensidade. Ufa!... Na verdade, o Uno de Macto jamais foi encontrado, assim como os corpos dos dois. Kleber sorriu, satisfeito. Chegou a acreditar que os cadáveres seriam encontrados, mas aca
Tudo deu certo. Havia deixado o carro do pastor no aeroporto, atrás de um depósito, pois sabia que ali não havia câmeras. Andou uns 400 metros. Pegou, enfim, um táxi e voltou para casa. Sua esposa estava dormindo — ou fingindo — assim como seus filhos. Havia informado a ela que iria para a reunião de pastores e que o pastor Júlio decidiu lhe dar carona, ida e volta. Deixara, portanto o carro na garagem. Se ela perguntasse, o pastor Júlio confirmaria a inusitada história. Mas ela, inteligentemente, não perguntou. Boa menina! Jogou os celulares no mar, na noite seguinte. Sumiram para sempre. Dois dias dep
Vinte minutos depois, precisamente às 22h32min, dois carros pararam diante da cancela de saída do condomínio: um Siena vermelho e um Uno verde-escuro. Ambos os vidros insulfilm levantados. O pastor Gutemberg chegou a baixar o vidro — rapidamente —, para cumprimentar, sorrindo, o porteiro. O porteiro também sorriu e acenou com a mão direita. Já o Uno manteve-se discreto, com os vidros erguidos. O sonolento e cansado porteiro não viu, portanto, os dois homens no Uno, um deles aparentemente dormindo no banco do lado. Viu apenas o vulto do motorista. Tudo bem, o porteiro refletiu, era apenas o amigo do pastor, saindo, após uma rápida visita. Mais um de seus inúmeros e esquisitos amigos.
Kleber, o gordo, simpático e calmo Kleber — um verdadeiro poço de tranquilidade —, estava ali, diante dele, segurando uma pistola. Naquele momento os olhos do gordo brilhavam. Seria ódio? Ou apenas indiferença? Viu o diabólico e mortífero cano da arma apontado na sua direção. → Mas… por quê? Por quê? → indagou, atônito, ainda sem sentir medo. “Sou colega dele. Ele não vai ter coragem de atirar em mim. É calmo, é evangélico, é um homem de Deus. Provavelmente só quer me assustar, para proteger o amigo”, refletiu, esperançoso. Precisava dizer alguma coisa, para convencê-lo a desistir da ideia:
No domingo, fez o de sempre: assistiu à missa — como era bom estar num lugar sereno, em que a ausência de gritos e choros dava um ar celestial ao ambiente — e almoçou com os pais, a irmã e o noivo dela. Carne assada no forno. Delícia! Foi um almoço bem tranquilo, onde conseguiu disfarçar a ansiedade que o dominava, por dentro. → É aí, filho? Conseguiu prender aquele monstro? → sua mãe, que não havia esquecido o assunto do último almoço, o questionou, séria. → Não foi necessário, mãe → mentiu. → O casal entrou em acordo. Eles se separaram e ela foi embora para outra cidade, levando a filha de seis anos. O ex-marido pediu desculpas pela agress&
Naquela noite, jantou bife com fritas no restaurante “Alvix”, seu preferido — localizado ali perto —, assistiu TV (ou tentou), navegou na internet (colocou os e-mails em dia) e, lá pelas onze horas, deitou-se na sua adorável e aconchegante cama de casal. Antes de desligar o aparelho, realizou uma importante tarefa. Pegou o celular e transferiu as fotos e imagens do pastor Gutemberg para o notebook. Alguns segundos e pronto. Para a pasta escolheu o título “Igreja Geral da Ressurreição”. Um título conveniente e objetivo. Deveria enviar as fotos e imagens para alguém? Por enquanto não. Acreditou que, no momento, não seria necessário. Desl