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CAPÍTULO 18

last update publish date: 2021-09-07 22:39:41

      Kleber, o gordo, simpático e calmo Kleber — um verdadeiro poço de tranquilidade —, estava ali, diante dele, segurando uma pistola.

      Naquele momento os olhos do gordo brilhavam. Seria ódio? Ou apenas indiferença?

      Viu o diabólico e mortífero cano da arma apontado na sua direção.

      → Mas… por quê? Por quê? → indagou, atônito, ainda sem sentir medo.

      “Sou colega dele. Ele não vai ter coragem de atirar em mim. É calmo, é evangélico, é um homem de Deus. Provavelmente só quer me assustar, para proteger o amigo”, refletiu, esperançoso.

      Precisava dizer alguma coisa, para convencê-lo a desistir da ideia:

      → Kleber, amigo, escute. Eu…

      Não teve tempo sequer de ter medo. Talvez por não acreditar. No exato instante em que começava a se levantar, ouviu-se o barulho seco:

      POW!

      A pistola — que possuía silenciador —, transmitiu sua fatídica mensagem.

      Atingido no peito esquerdo, desabou sobre o sofá, de costas, soltando um gemido baixo.

      Após alguns espasmos convulsivos — em que não conseguia respirar —, viu-se transportado para a dimensão das trevas.

      Antes de morrer, perguntou-se o que levou aqueles homens sociopatas a cometerem tamanha barbaridade. O diabo, com certeza. Mas jamais soube a verdadeira resposta. Sua esvaiu-se num piscar de olhos.

      → Meu Deus! Meu Deus! E agora? → o pastor Gutemberg, meio que nervoso, com as mãos na cabeça, perguntou: → O que faremos? O que faremos? Diga-me, pelo amor de Deus!

      → O que combinamos → Kleber respondeu, depois de baixar o cano da pistola. Ajeitou os óculos feiosos sobre o nariz. → Acalme-se. Tudo dará certo. Não iremos cometer erros. → Olhou para o cadáver e suspirou. → É uma pena… Eu gostava dele. Era um ótimo funcionário e um sujeito legal. Gente boa.

      → Um doido, isso sim. E se ele deixou as imagens e as fotos com um cúmplice?

      → Essa hipótese está descartada. Ele não tinha amigos. Era um solitário, que vivia em função da memória da esposa morta.

      → Tem certeza?

      → Absoluta. Conheço a natureza humana. Conheço ele. Fique tranquilo. Tudo está ali, naquele celular. Arre! E eu que cheguei a pensar que ele havia desistido. Que coisa...

      → Quando fiz o teste, pensei que ele iria aceitar o que o destino lhe reservou. No entanto...

      → Tudo bem. Isso acontece. Mas chega de papo. Vamos trabalhar?

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