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CAPÍTULO 16

last update publish date: 2021-09-07 22:38:13

      Naquela noite, jantou bife com fritas no restaurante “Alvix”, seu preferido — localizado ali perto —, assistiu TV (ou tentou), navegou na internet (colocou os e-mails em dia) e, lá pelas onze horas, deitou-se na sua adorável e aconchegante cama de casal.

      Antes de desligar o aparelho, realizou uma importante tarefa.

      Pegou o celular e transferiu as fotos e imagens do pastor Gutemberg para o notebook. Alguns segundos e pronto. Para a pasta escolheu o título “Igreja Geral da Ressurreição”.

      Um título conveniente e objetivo.

      Deveria enviar as fotos e imagens para alguém? Por enquanto não. Acreditou que, no momento, não seria necessário.

      Desligou o notebook e a TV, cobriu-se com o lençol. Porém, sem sono, sentou-se na cama e entrou em elucubrações.

      Havia decidido: se o pastor Gutemberg conseguisse convencê-lo de que não era o falso médico — o sujeito que cruelmente o abordara no hospital Medicory —, pediria desculpas e preservaria o segredo dele.

      Isso mesmo. Apagaria as fotos e as imagens e esqueceria tudo aquilo.

      No entanto, caso ele confessasse, com certeza sua carreira de pastor terminaria ali. Não teria pena dele.

      Seus líderes homofóbicos veriam as fotos e as imagens, o que causaria um intenso, maquiavélico e terrível escândalo.

      Optou por conversar com ele no apartamento por dois motivos básicos:

      1º) porque pretendia gravar a conversa e sabia que o som ficaria mais nítido num lugar fechado; a acústica seria favorável; e

      2º) por ser um lugar seguro; não acreditava que o pastor pudesse atacá-lo — caso a macabra ideia brotasse naquela mente asquerosa —, no seu próprio lar; improvável, claro.

      E se toda a igreja estivesse envolvida? E se houvesse um outro líder? Nesse caso, levaria a gravação para a polícia.

      Talvez não resultasse em nada (por estar no país da impunidade), mas acreditava que as investigações pelo menos iriam incomodar os líderes religiosos.

      Porrada na igreja!

      Também pretendia utilizar a gravação para processar a maldita igreja. Claro que sim! Um processo complexo, lento e difícil (sem dúvida; afinal, estava no país da impunidade), mas que lhe daria grandes chances de vitória.

      Eles teriam que indenizá-lo, além de pararem de por em prática essa forma bizarra e nauseabunda de abordagem e aliciamento de pessoas.

      Alguma coisa tinha que ser feita.

      Era inconcebível que esse tipo de comportamento bizarro e horripilante pudesse ainda ocorrer, em pleno século XXI. Esses crimes teriam que acabar.

      Bocejou. Afastou as elucubrações.

      Confiante, deitou-se, cobriu-se com o lençol, fechou os olhos e, enfim, dormiu.

         Não teve pesadelos.

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