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CAPÍTULO 20

last update 게시일: 2021-09-07 22:41:12

      Tudo deu certo.

      Havia deixado o carro do pastor no aeroporto, atrás de um depósito, pois sabia que ali não havia câmeras.

      Andou uns 400 metros. Pegou, enfim, um táxi e voltou para casa.

      Sua esposa estava dormindo — ou fingindo — assim como seus filhos.

      Havia informado a ela que iria para a reunião de pastores e que o pastor Júlio decidiu lhe dar carona, ida e volta. Deixara, portanto o carro na garagem. Se ela perguntasse, o pastor Júlio confirmaria a inusitada história. Mas ela, inteligentemente, não perguntou.

      Boa menina!

      Jogou os celulares no mar, na noite seguinte. Sumiram para sempre.

      Dois dias depois, Macto e o pastor foram dados como desaparecidos. Os jornais noticiaram o caso, com o estardalhaço de sempre. O povo ficou surpreso e chocado. As famílias, desesperadas, faziam pressão.

      Enquanto isso, manteve sua rotina de vida. Sua vida social, profissional, familiar e religiosa continuou a mesma.

      Evitou conversar com o líder da igreja Geral da Ressurreição, pastor Júlio — seu sinistro e eficiente cúmplice —, fins não suscitar quaisquer suspeitas.

      Dois investigadores chegaram a conversar com ele, para fazer perguntas, mas sem grandes desconfianças. Uma conversa curta e amistosa.

      Informou aos tiras que Macto o procurou, para pedir os horários dos cultos, pois queria fazer nova visita. Não informou o motivo.

      Acrescentou que achou que Macto queria se converter, se agregar à igreja. No mais, só o viu na empresa. Não o encontrou nenhuma vez na igreja, provavelmente por ele ter ido em outro horário. Se ele parecia nervoso? Não. Ansioso, sim, como se estivesse com algum problema.

      As explicações que deu pareceram convencer os tiras. Sua lábia era realmente magistral!

      Sorriu, após a saída dos policiais.

      Passou a acompanhar o caso pelos jornais. As fotos dos dois estavam nítidas, seguidas dos dizeres: “alguém os viu? Alguém sabe como achá-los? Caso positivo, favor entrar em contato com a polícia, por meio do fone…….

      O risco ficou por conta de um detalhe: encontraram as fotos comprometedoras do pastor Gutemberg no computador de Macto. Um troço que não previra. Mas isso só embasou a tese de que os dois tinham um caso, que se encontraram e que teria havido um conflito. Um fatídico conflito.

      Acharam o carro do pastor no aeroporto, diante do velho depósito. Nenhuma câmera. Isso complicou as coisas, do ponto de vista dos policiais. Teria o pastor viajado com Macto? E para onde foram? Com que finalidade? Chantagem? Um romance platônico?

      Os tiras deviam estar de cabeça quente, pensou, animado: Verdade seja dita: não passam de um bando de babacas!

      Soube que o diretor do hospital Medicory contou, aos investigadores, a história do estranho diálogo e da ignóbil obsessão de Macto em procurar o falso médico, que era, na verdade, o pastor Gutemberg.

      Os familiares de Macto nada sabiam, a respeito do assunto. O sujeito guardou segredo até da família.

      Que maluco!

      O porteiro relatou, aos tiras, que viu, quase às dez horas da noite, o Siena do pastor e o Uno do tal de Macto saindo do condomínio. O porteiro reconheceu Macto pela foto que o policial mostrou. Finalizou dizendo que os dois carros saíram e não retornaram mais.

      Uma mulher disse ter visto Macto na igreja, como que procurando alguém. Ele era bonito, por isso ela guardou seu rosto na memória. Afirmou que Macto não participou do culto e saiu assim que entrou.

      Papum, finalizou ela. Coisa rápida.

      Um rapaz emo e gay informou, à polícia, que viu Macto na boate “Sensações Nigth Club”, numa determinada noite. Não. Macto não entrou. Apenas perguntou se era uma boate GLBT. Quando o rapaz respondeu que sim ele foi embora, sem nada dizer. O policial pareceu satisfeito e não fez mais perguntas.

      Nenhum fato novo surgiu, a partir daí. Nada, nada, o que foi ótimo.

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