LOGINCamila Olhei para o Léo por um instante, sentindo o peso e o carinho daquele olhar que eu conhecia tão bem. Quando decidimos subir para o meu apartamento, meu coração disparou de uma forma que há muito tempo eu não sentia.Saímos do carro e caminhamos lado a lado até o prédio. No hall, a luz suave refletia no piso de mármore enquanto esperávamos o elevador. Assim que as portas se fecharam e o painel começou a subir, a tensão contida entre nós simplesmente evaporou. O Léo deu um passo em minha direção, diminuindo qualquer distância, e me puxou para outro beijo.Eu precisei me inclinar inteira para alcançar sua boca, me esticando nos calcanhares enquanto os braços dele me cercavam por completo. A diferença de tamanho entre nós sempre foi gritante — eu parecia sumir nos braços dele —, e não contive um riso abafado contra seus lábios quando ele me segurou com facilidade para compensar a altura.— O que foi? — ele murmurou, sorrindo junto.— Nada... Só me lembrando do quanto você é en
WesleyA Origem da ObsessãoO som do giz contra o quadro-negro em Belo Horizonte costumava ser o meu único ritmo de vida No entanto, tudo mudou no instante em que eu fixei os olhos em Camila. Havia algo de genuinamente puro na forma como ela sorria e Para o resto do mundo, eu era apenas o professor atencioso, controlado e articulado; mas, por dentro, uma segunda voz se manifestava. Uma presença mais fria, calculista, que me observava no espelho e dizia com desdém: “Essa vai ser a próxima, wesley” A transição entre a minha calmaria e o impulso sombrio de Enzo não era invisível para os outros, mas devastadora para mim.A presença de Davi ao lado de Camila era um ruído insuportável. Quando eu os via juntos no campus, o ódio queimava sob sua expressão impassível. Eu mantinha a postura irretocável de mestre, mas a raiva transbordava quando soube que Davi havia proibiu a Camila de assistir às suas aulas. A tentativa de afastamento teve o efeito oposto: instigou a fixação de Enzo, trans
LeonardoFiquei aguardando parado com o carro em frente à universidade, observando o movimento. Vi quando os alunos começaram a sair e reparei no professor descendo as escadas — ele passou perto, mas nem prestou muita atenção no carro. Continuei focado na porta, esperando o momento em que ela apareceria.Não demorou muito e lá estava ela. Quando me viu, seu rosto se iluminou com um sorriso enorme, daqueles que têm o poder de alegrar o meu dia inteiro assim que cruzam o meu caminho. Abri a porta do passageiro e, assim que ela entrou, aproximei o rosto e selei nossos lábios em um beijo que carregava toda a vontade que eu estava de vê-la.Dei partida e seguimos em direção ao apartamento dela. A princípio, a minha intenção era apenas deixá-la em segurança e seguir meu rumo, mas, assim que o motor do carro silenciou na garagem, a atmosfera mudou. O papo leve deu lugar a olhares intensos e, num piscar de olhos, já nos beijávamos de novo, com uma urgência que vinha crescendo desde o momento
Camila Peguei a caixa de chocolates sem graça e agradeci com um nó na garganta, louca para sair daquela situação. Dei as costas o mais rápido que pude e subi as escadas em direção à minha sala de aula, querendo deixar aquele momento desconfortável para trás.Assim que passei pela porta e sentei no meu lugar, a Stephany me olhou de cima a baixo, percebendo na hora o meu semblante.— Que cara é essa, mulher? — perguntou ela, inclinando-se na minha direção.— Aquele professor Wesley... ele acabou de me dar essa caixa de bombom lá embaixo.Stephany olhou para o presente e depois para mim, soltando uma risadinha:— Nossa! É assim, amiga, ele não é feio, mas ele é bem mais velho, né? Não tem nada a ver com você.— Pois é, tô achando tão estranho — concordei, ajeitando a alça da bolsa.Ela continuou me analisando por alguns segundos, com um sorriso de canto de boca, e franziu o cenho.— E essa carinha assim? Tem um... sei lá, né? Você tá com um brilho diferente hoje, amiga, nos olho
Camila A viagem de volta ao consultório pareceu durar apenas alguns segundos. O ar quente do carro, o som suave do rádio e, principalmente, o peso da mão do Léo entrelaçada na minha sobre o câmbio faziam meu peito vibrar em uma frequência completamente nova. O mundo lá fora continuava o mesmo, mas tudo por dentro tinha mudado.Quando ele estacionou e desligou o motor, olhei para o prédio comercial à nossa frente. Quantas vezes eu tinha entrado por aquela porta apenas como a secretária dedicada, engolindo a saudade e tentando manter a postura profissional? Agora, o reflexo do vidro me mostrava outra Camila: a pele ainda ruborizada, os lábios sensíveis e uma luz no olhar que eu não via há anos.— Chegamos — murmurei, sorrindo e virando-me para ele.Léo soltou minha mão devagar, mas antes que eu pudesse pegar minha bolsa, ele se aproximou e selou nossos lábios em mais um beijo demorado, calmo, como se quisesse gravar o gosto do nosso reencontro antes de encarar a rotina.— Te vejo l
LeonardoCamila me olhou fundo nos olhos, apertando suavemente as minhas mãos, e desabafou:— Eu também olhava para trás e me achava um pouco precipitada, Léo... Eu sei que você errou, mas a gente também não tinha nada sério naquele tempo. Eu me magoei ao ponto de largar tudo e ir embora, mas hoje vejo tudo o que vivi como uma experiência. Uma experiência necessária. Eu realmente não viveria tudo aquilo de novo... mas passou.Apertei as mãos dela com mais força, sentindo uma onda de alívio e gratidão me lavar por inteiro ao ouvir aquelas palavras. O ar entre nós ficou denso, carregado de uma tensão doce e da vontade de recomeçar. Olhei bem no fundo dos olhos dela, alisando a pele macia da sua mão com o polegar:— Você me daria uma nova chance, Camila? — perguntei, com a voz falhando pelo sentimento represado no peito. — Quer dizer... você me daria uma segunda chance?Inclinei-me ligeiramente para mais perto dela, sem soltar suas mãos:— E você me daria um segundo primeiro beijo d







