Compartir

Um contrato que virou AMOR.
Um contrato que virou AMOR.
Autor: Aldinha B.

PRÓLOGO  

Autor: Aldinha B.
last update Fecha de publicación: 2026-03-11 08:28:56

 Valentina Monteiro

Não era pra ser assim.

Não era pra minha vida virar uma moeda de troca.

Sempre imaginei que as decisões mais importantes da minha vida seriam minhas. Escolher quem amar. Escolher com quem construir um futuro. Escolher o caminho que eu queria seguir.

Mas naquele momento, parada no meio da sala da casa que um dia foi meu lar, eu percebi que não tinha escolha nenhuma.

“Você vai se casar com ele, Valentina. Não tem opção.”

As palavras saíram frias, venenosas, da boca da minha madrasta. Cada sílaba parecia uma lâmina atravessando o ar.

Aquela mulher nunca gostou de mim. Nunca escondeu isso. Desde que entrou na vida do meu pai, fez questão de deixar claro que eu era um problema inconveniente que ela tolerava apenas por obrigação.

Mas agora havia algo diferente no olhar dela.

Algo cruel.

Algo calculado.

Ela me observava com um sorriso fino, satisfeito, como se estivesse assistindo a um espetáculo.

Como se destruir a minha vida fosse entretenimento.

“Não. Você tá louca.”

A minha risada saiu fraca, nervosa, completamente sem humor.

Tentei respirar fundo, tentando convencer a mim mesma de que aquilo era algum tipo de brincadeira grotesca.

“Eu não vou me casar com um estranho!” minha voz saiu mais alta agora. “E muito menos com um CEO milionário que compra pessoas como se fossem objetos!”

Silêncio.

Ela não respondeu de imediato.

Apenas caminhou lentamente até a mesa da sala, pegou um papel e o levantou no ar como se fosse uma sentença.

“Você vai, sim.”

Meu estômago se contraiu.

“Seu pai precisa de uma cirurgia, Valentina. Urgente.”

O chão pareceu desaparecer sob meus pés.

“E a empresa dele?” ela continuou, com uma calma irritante. “Faliu.”

Cada palavra era um golpe.

“Vocês não têm mais nada... Nós não temos mais nada.”

Meu coração começou a bater descompassado.

“Nem casa.”

Outro golpe.

“Nem dinheiro.”

Mais...

Ela inclinou a cabeça para o lado, como se estivesse avaliando uma peça defeituosa.

“Só têm a mim… e esse contrato.”

Contrato.

A palavra ecoou na minha cabeça como um trovão.

Minhas mãos começaram a suar. Minha garganta secou. O ar parecia pesado demais para entrar nos meus pulmões.

“Eu tenho namorado.”

Minha voz saiu quase como um sussurro.

“Eu amo ele.”

Ela riu.

Não foi uma risada alta.

Foi pior.

Baixa. Debochada. Cruel.

“Ótimo.”

Ela deu um passo na minha direção.

“Então leve esse amorzinho pro altar com você… e finja que está feliz.”

Senti meu peito apertar.

“Isso é absurdo.”

“É necessário.”

“Isso é doentio!”

“Isso é realidade.”

Antes que eu pudesse reagir, ela agarrou meu braço com força.

As unhas dela cravaram na minha pele.

A dor me fez prender o ar.

Mas nada se comparava à dor que estava se espalhando dentro de mim.

“Você vai casar com Enrico Novaz, entendeu?”

O nome soou pesado.

Frio.

Definitivo.

“Vai sorrir.”

O aperto aumentou.

"Vai dizer sim."

“Vai obedecer.”

Meu braço queimava sob os dedos dela.

“E vai fazer isso pelo seu pai.”

Meu coração parou por um segundo.

“Ou ele morre.”

O mundo ficou em silêncio.

Minha boca queria gritar.

Meu corpo queria fugir.

Mas eu estava paralisada.

Era como se alguém tivesse apertado um botão e desligado tudo dentro de mim.

Medo.

Raiva.

Desespero.

Tudo congelado.

Eu estava sendo vendida.

Vendida como um objeto.

Como um acordo comercial.

Como uma cláusula em um contrato frio.

Para um homem que eu nunca tinha visto.

Um homem que não sabia nada sobre mim.

Um homem que provavelmente nem queria saber.

Meu olhar caiu sobre o papel que ela segurava. Não sei se é o contrato, se fosse...

Meu nome estava ali.

Ao lado de outro nome.

Enrico Novaz.

Um CEO milionário.

Poderoso.

Intocável.

Um homem conhecido por transformar tudo em negócios.

Até pessoas.

Até vidas.

Até casamentos.

E naquele momento eu percebi uma coisa que fez meu estômago afundar.

Esse casamento não era sobre amor.

Não era sobre família.

Não era sobre felicidade.

Era sobre poder.

Controle.

Dinheiro.

E sacrifício.

O meu sacrifício.

Respirei fundo, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair.

Porque a verdade era simples.

Brutal.

Inescapável.

Eu podia lutar.

Eu podia gritar.

Eu podia implorar.

Mas no final…

Eu sabia que perderia.

Porque meu pai estava precisando de mim.

E a vida dele agora tinha um preço.

Um preço que alguém estava disposto a pagar.

Com uma única condição.

Eu.

Ainda assim, havia algo que ninguém naquela sala sabia.

Algo que eu mesma ainda não entendia completamente.

Esse casamento podia ter começado como uma prisão.

Mas ninguém ali fazia ideia do tipo de guerra que estava prestes a começar.

Porque se aquele homem achava que tinha comprado minha vida…

Ele estava muito enganado.

E o pior? Eu ainda não sabia que esse homem era capaz de muito mais do que apenas partir o coração de alguém.  Ele ia partir o meu mundo inteiro

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Um contrato que virou AMOR.   CAPÍTULO 17

    Enrico Novaz"Ela disse que devia ter fugido com ele... Com ele. Com o desgraçado do ex-namorado dela.E isso… me destruiu mais do que eu gostaria de admitir. E eu jamais vou admitir isso para ninguém."— Senhor Novaz?Levantei os olhos devagar do tampo de mogno da mesa de reunião.O meu assistente executivo me encarava, visivelmente tenso, com uma pasta colada ao peito. Na tela gigante de projeção à minha frente, o slide da apresentação sobre a fusão dos ativos internacionais da Novaz Holding estava congelado na mesma página há mais de dez minutos.— Tudo certo, senhor? Quer que eu repita os números do terceiro trimestre? — ele perguntou, engolindo em seco.Assenti com um aceno curto e mecânico de cabeça.— Continue.Mas a verdade é que eu não ouvi mais uma única palavra. As vozes na sala de conferências viraram um zumbido distante e irrelevante. A única coisa que ecoava dentro da minha caixa craniana, em um looping infernal, era a voz dela:"Era para eu ter fugido com o Dani." Infe

  • Um contrato que virou AMOR.   CAPÍTULO 16

    Valentina Monteiro"Se ele achava que podia me beijar como se eu fosse dele…E depois me ignorar como se eu não fosse nada…Ele ainda não conheceu o meu pior. Ah, Enrico... você está muito enganado. Eu nunca serei sua. Nunca."Acordei em mais um dia com os olhos ardendo e a cabeça pesada. A lembrança do beijo daquela noite tempestuosa ainda queimava no meu peito como uma brasa viva.Foi raiva. Foi impulso. Foi um momento de puro descontrole de ambas as partes.Mas, no fundo... foi verdade. Uma verdade crua e incômoda que a gente finge não ver para conseguir sobreviver debaixo do mesmo teto.E ele? Depois do que aconteceu naquela noite em que a mansão ficou sem energia, Enrico passou a me ignorar friamente. Fingia que eu era invisível durante o dia. Passava por mim nos corredores como se eu fosse apenas um movél da sua mansão, ou mais um dado estatístico nos gráficos de lucros e perdas da empresa dele. Aquela indiferença calculada me corroía por dentro.Então não. Eu não ia descer mai

  • Um contrato que virou AMOR.   CAÍTULO 15

    Enrico Novaz"Não foi só um beijo.Foi um aviso.Ela entrou.E agora... eu não sei como tirar ela daqui."Não estava no contrato.O beijo não fazia parte do acordo assinado e selado. Era para ser apenas um negócio frio, um pacto de conveniência com prazo de validade, regras rígorosas e limites muito bem definidos. Eu pagava as contas do pai dela, e ela me dava a presença conveniente de uma esposa de fachada perante a sociedade. Simples. Prático. Indolor.Mas aquele beijo mudou alguma coisa. Ele estilhaçou a linha invisível que eu passei semanas construindo entre nós.Respirei fundo, tentando forçar o ar para dentro de pulmões que pareciam colapsar. Subi para o meu quarto em passos largos, o som dos meus sapatos batendo no mármore ecoando como um alerta na casa silenciosa, e bati a porta pesada de madeira com força. O estrondo reverberou pelo corredor vazio, mas de nada adiantou: parecia que a sala de estar, o escuro da tempestade e o calor daquela mulher ainda estavam grudados na min

  • Um contrato que virou AMOR.   CAPÍTULO 14

    Valentina Monteiro"Tem beijos que a gente odeia antes, deseja durante…E se arrepende depois.Esse foi um deles."O Enrico ficou algum tempo encarando a escuridão lá fora pela janela, o corpo rígido como uma estátua de mármore no meio da penumbra da sala. Depois de longos minutos de um silêncio sufocante, ele se virou e voltou para perto de mim, o queixo erguido e os passos lentos, como se estivesse buscando recuperar o controle que sentia fugir pelas mãos.— Conseguiu se controlar? — questionei com um sorriso irônico, cruzando os braços.— Você está me desafiando, Valentina? — ele perguntou, com aquele olhar cinza queimando direto nos meus limites, a voz saindo baixa e perigosa.— Estou te lembrando que você não manda em mim — rebati na hora, mantendo a postura firme, embora meu coração estivesse socando minhas costelas com fúria.Ele sorriu de canto. Um sorriso frio, cínico, profundamente cruel. O tipo de sorriso de quem sabe exatamente onde enfiar a faca para girar.— Engraçado…

  • Um contrato que virou AMOR.   CAPÍTULO 13

    Enrico Novaz"Ela não grita. Não chora.Mas cada provocação dela está me rasgando por dentro."O som dos saltos dela ecoando pela casa é a trilha sonora do meu inferno particular.Desde o jardim, desde aquele sorrisinho de canto, o olhar por cima dos óculos escuros e a frase venenosa… Valentina virou meu caos pessoal.E o pior? Ela sabe.Cada passo dela é calculado para me desestabilizar. Cada roupa, cada olhar, cada comentário sutil e carregado de ironia… Ela está me empurrando para um abismo no qual jurei nunca mais pisar. Ela se recusa a ser a vítima frágil que eu esperava, e essa coragem insolente é exatamente o que me atrai como uma mariposa para a chama.Me tranquei no escritório tentando trabalhar, buscando refúgio no único ambiente que sempre foi o meu santuário de controle e números frios. Mas o perfume dela ainda estava no ar. Ainda pairava sobre o estofado do sofá. O mesmo perfume da noite passada. Aquela maldita combinação entre flor e veneno.Sentei à mesa. Liguei o noteb

  • Um contrato que virou AMOR.   CAPÍTULO 12

    Valentina Monteiro"Se ele quer jogar?Então se senta e assiste, querido. Porque eu sou a tempestade que sorri antes de destruir."Ele me ignorou.Fez parecer que o nosso abraço na noite passada foi um grande erro. Um momento de fraqueza que ele pretendia apagar da memória como se apaga um rabisco de lápis num papel.E tudo bem. Quer dizer, não está nada bem. Meu peito ainda queimava de raiva e de uma mágoa que eu odiava admitir que sentia. Mas eu não ia chorar de novo. Não por ele.Afinal… foi ele quem me puxou para perto quando a tempestade desabava lá fora. Ele quem pediu, com a voz embargada e os olhos vulneráveis, para eu ficar. Ele quem falou, baixo e rouco, que se perdia sem mim.E agora? Agora ele nem sequer levanta os olhos do maldito jornal durante o café da manhã?Pois então tá. Se o jogo é de orgulho… eu sei jogar de salto alto.Por volta das três da tarde, o hospital me ligou. O meu coração quase saltou pela boca achando que o estado do meu pai tinha piorado, e saí de cas

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status