LOGINBetina, uma jovem carioca de 20 anos, sempre sonhou em morar nos Estados Unidos. Mas, em certo momento de sua vida, apaixonou-se perdidamente por seu namorado da adolescência e resolveu deixar seu sonho de lado para viver a suposta vida dos sonhos com quem acreditava ser o homem de sua vida. O que Betina não imaginava era que essa paixão avassaladora só ardia em seu peito e que, na verdade, vivia uma mentira. Porém, certo dia, a verdade veio à tona, deixando seu coração em frangalhos. Após a decepção, ela decidiu voltar ao plano inicial e fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para viver seu sonho americano. Também prometeu a si mesma que nunca mais se apaixonaria por nenhum outro homem, pelo menos não antes de realizar todos os seus sonhos. Brian, um jovem americano da Flórida, tinha apenas 24 anos quando sua amada esposa morreu em um trágico acidente de carro, deixando-o sozinho para cuidar do filho de apenas três anos. Faz pouco mais de três anos que ela se foi, deixando um enorme vazio na vida de Dylan, hoje com seis anos, e também na de Brian, que nunca mais foi o mesmo. Brian se fechou completamente para o amor. Prometeu que jamais amaria outra mulher como um dia amou sua falecida esposa e que o único amor em seu coração seria o amor pelo filho — um amor fraternal, e apenas isso.
View MoreSexta-feira
9 de novembro de 2018
Reviso a campanha de marketing de um cliente da empresa em que trabalho desde que concluí a faculdade e fico feliz com o resultado do trabalho árduo que venho desenvolvendo ao longo desses poucos anos de carreira. Pelo que vejo, o cliente também está satisfeito, já que suas vendas triplicaram no último trimestre.
Olho para o relógio e vejo que já passa das dez da manhã. Penso que, a essa hora, Sophie, minha esposa, já deixou nosso pequeno Dylan na creche.
Estou animado por hoje ser sexta-feira. Aos sábados não trabalho, então planejo passar todo o fim de semana mimando e amando minha esposa e nosso filho de três anos.
Termino de revisar mais algumas coisas quando meu celular toca em cima da minha mesa de trabalho. Olho para o visor e dou um sorriso ao ver que é ela, a mulher da minha vida.
Sophie e eu começamos a namorar ainda no high school, aos dezesseis anos. Decidimos adiantar o casamento ainda na faculdade quando descobrimos que ela estava grávida, aos vinte e um anos. Sabíamos que nossa vida não seria financeiramente farta, afinal, nós dois estávamos no último ano da faculdade.
Mas também sabíamos que nunca faltaria amor em nossa família e que nosso filho teria sempre o melhor de nós como pais.
Ela, muito decidida, fez questão de não abandonar a faculdade e concluiu os estudos antes de nosso filho nascer. E eu, lógico, a apoiei em sua decisão, ajudando-a em tudo o que podia.
Hoje, nosso garotinho está com três anos, e ela decidiu que chegou a hora de procurar um emprego em sua área de formação.
Sophie abdicou, temporariamente, do sonho de se tornar designer de interiores, pois queria se dedicar totalmente a Dylan em seus primeiros anos de vida, o que fez com maestria. Ela ama ser mãe, cuida do nosso filho com muito amor e carinho, e eu tenho muito orgulho dela por isso.
— Amo ouvir sua voz, sabia? — atendo à ligação assim que vejo quem está ligando.
— E eu amo saber que você gosta de escutar minha voz de taquara rachada. — Rimos juntos. — Te amo muito, meu amor.
— Também te amo muito. E o Dylan?
— O deixei na creche mais cedo e vim para casa ajeitar umas coisas. Depois do almoço, tenho uma entrevista. Eles me ligaram cedo para avisar, e estou nervosa, Brian. — Ouço seu suspiro. — Eu nunca fui a uma entrevista de emprego, e se eu me atrapalhar? E se não falar as coisas certas?
Desligo a ligação quando ela para de falar e faço uma chamada de vídeo sem aviso prévio.
— Ei, relaxa. — digo quando ela atende. — Você é ótima em tudo o que faz. Sem contar que, durante todos esses anos em que cuidou do nosso filho, sempre fez questão de se manter atualizada. Não vejo como dar errado. Você é perfeita.
Digo isso na esperança de acalmá-la, mas em nenhum momento estou mentindo. Sophie se manteve atenta às tendências, comprando revistas sobre design, lendo artigos e fazendo vários cursos on-line durante esses anos para se manter atualizada.
Nossa casa é muito simples e pequena, mas ela a deixou muito bem decorada e sempre diz que esse foi seu primeiro projeto.
No momento, não temos muitas condições de comprar uma casa melhor, pois decidimos juntar o pouco dinheiro que sobra para abrir meu próprio negócio, o que pretendo fazer em breve. Não temos muito, mas o que juntamos durante esses últimos quatro anos será o suficiente para começar.
— Mas é que... — interrompo-a, na esperança de que afaste os maus pensamentos.
— Mas é que nada, Sophie. Faz o seguinte: para tudo o que você está fazendo e prepara aquele banho bem gostoso de espuma que eu sei que você ama. — Dou uma piscadinha para ela e faço minha melhor cara de safado. — Se quiser pensar em mim durante esse banho, fique à vontade. Vou me sentir lisonjeado em saber que sou dono do seu prazer.
— Brian, eu estou aqui toda preocupada, e você aí pensando em safadeza. — Ela fala tentando parecer brava, mas falha ao me mostrar um sorriso. — Eu tenho tanta coisa para pôr no lugar aqui em casa. Tem brinquedo espalhado por tudo quanto é canto. — Ela olha à sua volta, avaliando o espaço.
— Meu bem, só faz o que eu estou dizendo. Mais tarde, quando eu chegar, cuidamos da nossa casa juntos. — Ela me olha como se estivesse pensando no assunto. — Pedimos pizza para o jantar, colocamos Dylan para dormir e, depois, quero esse corpo gostoso todinho para mim. O que acha? — Percebo que ela fica ruborizada e sorrio com a constatação.
— Você não tem jeito, né?
— Não! E eu amo te ver vermelha. — Digo, e ela balança a cabeça em negação, mas sei que também ama meu jeito sem vergonha de ser. — Agora é sério: faz o que eu disse. Relaxa, toma seu banho e não pensa em mais nada, ok? Eu te amo, você é perfeita e tenho certeza de que vai se sair tão bem que eles vão pedir para você começar na segunda-feira.
— Eu te amo muito. Obrigada por ser esse marido maravilhoso. Deus não poderia ter me dado um presente melhor do que você e nosso filho, sabia?
Nos despedimos, e volto minha atenção para o computador à minha frente.
Somos casados há quatro anos, e a única certeza que tenho é que, a cada dia que passa, sou ainda mais apaixonado por Sophie.
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Na hora do almoço, ligo para minha esposa mais uma vez para saber se ela está mais tranquila e também para desejar-lhe sorte.
Sinto que ela está um pouco diferente, talvez mais emotiva. Penso que seja por causa da entrevista que se aproxima.
Ela também me disse que sairia da entrevista direto para buscar nosso filho na creche, mas que, se houvesse algum atraso, pediria à sua melhor amiga, Grace, para buscá-lo, já que seu filho, Thomas, que também é nosso afilhado, estuda na mesma creche.
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Às duas da tarde, meu celular toca e vejo um número desconhecido. Penso ser algum cliente, daqueles que atendo por fora do meu horário de expediente para complementar a renda.
— Alô, Brian Smith falando.
— Senhor Smith?
— Sim, pode falar!
— É sobre Sophie Smith.
Sinto uma tensão tomar conta dos meus ombros, como se algo me dissesse que o que vem a seguir não é bom.
— Minha esposa?
— Senhor, sinto lhe dizer que um carro vindo na contramão colidiu com o veículo de sua esposa na rodovia. — Um frio na barriga me acomete ao mesmo tempo em que minha visão fica turva.
— Q-que? Como assim? — Tento respirar fundo, mas o ar parece não chegar aos meus pulmões. — Tem menos de duas horas que nós falamos ao telefone. Ela está bem? Onde ela está?
— Senhor, precisamos que o senhor venha para o hospital agora.
— Tá, tá. Me diz qual hospital, que eu chego aí em poucos minutos.
Desligo o telefone tentando colocar minha cabeça no lugar. Isso parece um pesadelo, uma piada de mau gosto.
Saio da minha sala e vejo Martin, um colega de trabalho, no corredor.
— Preciso ir para o hospital. Recebi a notícia de que Sophie sofreu um acidente. — Digo, passando por ele o mais rápido que posso.
— Que isso, cara! Quer que eu vá com você? — Ouço-o gritar atrás de mim, mas não olho para trás. — Brian! Brian!
Chego ao meu carro e sinto sua mão em meu ombro.
— Cara, deixa eu ir com você. Eu dirijo. Você está pálido, não pode dirigir assim. — Olho para ele e balanço a cabeça positivamente.
A caminho do hospital, lembro-me do meu filho na creche. Ele sai em poucos minutos, e eu ainda não sei nada sobre sua mãe: se está bem ou se vamos demorar. Resolvo ligar para Grace e pedir que ela o pegue junto com Thomas.
Ligo também para meu melhor amigo, Andrew, e aviso o que aconteceu. Mais que prontamente, ele diz que me encontrará no hospital.
Não quero assustar nossos familiares antes de saber ao certo o que houve, então decido não ligar para eles de imediato.
Chegamos ao hospital, e a sensação é de que, quanto mais perto estou, mais longe parece que fico. Uma angústia sem tamanho toma conta do meu peito, e parece que não consigo pensar direito.
Eu só quero ver a minha Sophie.
— Eu sou o marido de Sophie Smith. Parece que ela sofreu um acidente de carro e deu entrada aqui. — Digo à recepcionista, que me fita com os olhos arregalados.
— Só um instante, senhor. Vou chamar o médico. Pode esperar ali naquela sala. — Ela aponta para a esquerda, onde vejo uma espécie de sala de espera.
Sigo até o local indicado e vejo Andrew entrar pela porta do hospital.
— E aí, cara? O que houve? Como ela está?
— Não sei. Acabei de chegar. Acho que o médico está vindo. — Sinto um gosto amargo na boca. — Eu estou com medo, Andrew. Nunca senti tanto medo na minha vida.
Ele me abraça, e sinto a mão de Martin em meu ombro.
— Calma, cara. Ainda nem sabemos de nada. — Ele aperta meu ombro com mais força. — Acho que aquele é o médico.
Vejo um homem alto, de jaleco branco, atravessar a porta de vidro e se aproximar.
— Senhor Smith?
— Sou eu. — Nos cumprimentamos com um aperto de mão.
— Eu sou o médico que prestou os primeiros socorros à sua esposa assim que ela chegou. — Ele olha de mim para meus amigos. — Senhor Smith, sua esposa sofreu um acidente. Um carro que vinha na contramão se chocou contra o veículo dela. Ela sofreu diversas lesões pelo corpo durante o capotamento e... fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, mas, infelizmente, ela não resistiu aos ferimentos. Sinto muito pela sua perda.
Suas últimas palavras ecoam em meus ouvidos.
— Do que o senhor está falando? — Pergunto, meio atônito, sem entender direito.
— Senhor Smith, sua esposa faleceu em decorrência do acidente de carro.
Naquele instante, sinto como se um buraco enorme se abrisse sob os meus pés e me puxasse para baixo com toda a força.
Caio sentado sobre o chão duro, mas não sinto nada.
Eu não sinto minhas pernas. Não sinto meu corpo. Não sinto meu coração...
— Minha Sophie... Minha Sophie... Andrew, minha Sophie... — digo quase sussurrando.
— Eu sei, cara!
Olho para ele e o vejo chorando.
— NÃO! VOCÊ NÃO SABE! ISSO NÃO É VERDADE! NÃO PODE SER VERDADE! — grito, recusando-me a acreditar em tudo o que ouvi. — Minha mulher... A mãe do meu filho!
Andrew me puxa para si, e eu choro em desespero, desejando que tudo aquilo não passe de uma brincadeira de mau gosto.
Betina Após pegar Dylan na escola mais cedo me empenhei em dar a ele uma tarde incrivelmente divertida, comecei pelo sorvete, logo após fomos em um parque de trampolins onde também tinha uma piscina de bolinhas gigante e óbvio que nós dois nos divertimos muito, por fim levei ele para uma pizzaria onde ele, Kalvin e eu destruímos uma pizza gigante e lógico não poderia faltar a coca-cola de Dylan. Ao chegarmos em casa Brian estava com uma aparência um pouco melhor e fez questão de ajudar o filho com o banho depois de escutar todas as novidades que Dylan tinha para contar sobre "a melhor tarde da vida dele" segundo ele mesmo disse. Brian disse que teria que se esforçar para me superar porque não aceitaria ficar em segundo lugar na diversão. Óbvio que Dylan como o menino esperto que é percebeu que o pai não está bem, Brian despistou dizendo que teve muitas reuniões de trabalho e por isso está muito cansado. Não demorou muito para que Dylan capotasse na cama.
Betina Dia seguinte 22 de fevereiro 2021 Estamos aguardando o resultado da prova prática que acabei de fazer e se eu tiver passado já saio daqui habilitada, estou muito nervosa, sinto minhas pernas como gelatina e estou com muita vontade de vomitar mas estou tentando me controlar. Ontem o dia fluiu bem depois daquele episódio ridículo com Brian. Kalvin é um ótimo e paciente professor aprendi bastante e no fim da tarde buscamos Dylan na escola. O ajudei com as tarefas de casa e também o levei. para andar de bicicleta no condomínio, a noite o ajudei com seu banho, jantar e quando o pai chegou eu me tranquei no meu quarto até hoje de manhã A caminho do departamento de trânsito Brian e eu ficamos em silêncio todo o tempo a única frase que trocamos foi “ bom dia” quando nos cruzamos na cozinha mais cedo, como Dylan é um menino que adora falar acabamos tendo que interagir por conta de suas perguntas dentro do carro confesso que quando chegamos à escola para deixar–lo me se
BETINA Brian e eu conversamos mais um pouco sobre o que houve e eu realmente estava disposta a ir embora. Pensei que tivesse arruinado tudo e acredito que quase arruinei, porém ele estava disposto a me dar mais uma chance. Ele disse que essa primeira semana com Dylan foi produtiva e ele gostou dos meus serviços para com seu filho. Eu, logico estou morrendo de vergonha, essa foi minha primeira festa na minha primeira semana aqui na Florida, e faço uma burrada dessa Meu Deus, como eu pude ser tão estúpida assim, lutei tanto pra chegar aqui e colocar tudo a perder. Lógico, nem imaginava que meu chefe poderia estar na mesma festa que eu, afinal, aquele não parece o tipo de ambiente que um homem sério como Brian custuma frequentar. Ando de uma lado para o outro no meu quarto, pensativa e frustrada tentando lembrar como tudo aconteceu e as coisas vem como borrão na minha mente Brian foi descansar um pouco antes de buscar Dylan na casa de Grace, afinal ele passou a noite de
BRIAN Já passa das dez da manhã quando Betinha desce as escadas, estou passando um café forte quando ela chega na cozinha, olho para ela que parece confusa. — Bom dia — digo — Bom dia — ela responde — Aceita? — ofereço o café e ela diz que sim acenando a cabeça Sirvo o café enquanto ela coloca a mão na cabeça, imagino que deve estar com uma dor de cabeça infernal por causa da ressaca Sem falar nada vou até a caixa de remédios e pego um analgésico e um antiácido, e deposito sobre o balcão junto com uma garrafa de água — Toma, vai ajudar com o mal estar e a dor de cabeça — ela me analisa com curiosidade e toma os remédios — Thanks — ela agradece meio sem jeito Betina está sentada em uma das banquetas na ilha da cozinha e eu estou de pé em frente a ela, tomo um gole do meu café e deposito a xícara sobre o mármore e a observo fazer o mesmo — Dormiu bem? — digo sondando se ela lembra de algo — você lembra o que aconteceu na noite passada Ela me analisa com dúvida, mo






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