Compartilhar

Capítulo 4

Autor: GreiceSS
last update Data de publicação: 2025-05-14 19:36:16

Entrei no quarto de Lauren e olhei em volta, absorvendo a decoração do lugar. As paredes eram pintadas de roxo, com uma bailarina desenhada na parede, dando um ar de conto de fadas ao ambiente. No canto, uma casa de bonecas do tamanho de uma mesa de sinuca e três prateleiras cheias de ursos de pelúcia.

Lauren entrou no banheiro levando uma toalha, e aproveitei para dar uma olhada no closet dela — e, sim, ela tinha um closet! Peguei uma calça preta e uma blusa branca com alguns desenhos e coloquei em cima da cama, antes de sair do quarto.

O quarto de Thomas era todo azul, com carrinhos espalhados por toda parte, e uma cama em formato de carro, como se fosse uma mini versão de uma garagem. Ele estava no banho, então fui até o closet dele — mais uma vez me sentindo indignada por crianças de 8 anos terem closet enquanto eu... bem, eu não tinha. Separei uma blusa preta e uma bermuda azul e coloquei em cima da sua cama.

Entrei no quarto de Charlie, no final do corredor. As paredes eram pintadas de verde bebê, e o chão estava espalhado com alguns carrinhos e ursos de pelúcia. Um cavalete de pintura estava em um canto, com um quadro em andamento, e muitas tintas estavam espalhadas em cima de uma mesa ao lado. A cama de Charlie, assim como a de Thomas, era em formato de carro.

Charlie estava sentado na cama, olhando fixamente para o teto, onde desenhos de planetas e estrelas estavam espalhados, como se o teto fosse uma janela para o universo.

— Charlie? — Chamei.

— Que? — Ele respondeu, com um tom curto e ríspido, sem tirar os olhos do teto, onde os planetas pintados em tons de azul e roxo pareciam dançar ao ritmo da luz suave que entrava pela janela. Puxava demais o pai, aquilo estava mais do que claro.

— Seus irmãos já estão no banho. — Fui até o closet dele, e, sem esconder o desagrado, peguei uma bermuda preta e uma blusa branca com alguns desenhos coloridos. Coloquei as roupas em cima da cama, tentando não fazer barulho para não interromper sua concentração nos planetas que ele tanto observava.

— E eu com isso? — A resposta veio sem nem um pingo de esforço para disfarçar o desdém. Ele ainda estava completamente absorto na imensidão do seu teto, como se o resto do mundo não existisse.

— Você sabia que o Sol é considerado a maior estrela existente? — Perguntei, mais por curiosidade do que por qualquer outra coisa. Me aproximei um pouco mais e me sentei em um puff amassado que estava jogado no canto, tentando pegar alguma reação dele. Ele se mexeu um pouco, virou a cabeça na minha direção, mas sem demonstrar muito interesse.

— O Sol não é uma estrela! — Ele respondeu, levantando uma sobrancelha e com uma expressão de quem estava se sentindo desafiado. Era óbvio que ele queria me mostrar que sabia mais do que eu sobre o assunto.

— Então ele é um planeta? — Perguntei, rindo internamente da direção que a conversa estava tomando. Me acomodei no puff, deixando meus braços cruzados, observando-o, como quem finge não se importar com nada, mas na verdade, estava curiosa para ver até onde ele iria com aquele argumento.

— O Sol é o Sol. — Ele deu de ombros, parecendo pensar que aquilo era a explicação definitiva para tudo. Ele nem se deu o trabalho de responder de forma mais complexa. Era como se estivesse me ignorando por completo, mas, ao mesmo tempo, se sentindo vitorioso em sua própria visão do mundo.

— Que tal assim, se o Sol for uma estrela, você vai pro banho. — Falei com um sorriso de canto, desafiando-o com as palavras, já sabendo que ele não resistiria. 

— E se ele for um planeta? — Ele pulou da cama com tanta agilidade que parecia que estava esperando aquela resposta o tempo todo. Ele me encarou com intensidade, como se eu tivesse acabado de dar a ele a oportunidade perfeita para mudar o rumo daquela conversa.

— Se ele for um planeta, você vai pro banho. — Eu sorri, não pude evitar. Levantei do puff com a sensação de que estava no controle daquela situação, como uma brincadeira entre adultos e crianças. O sorriso no meu rosto era o suficiente para quebrar qualquer resistência.

— Isso não é justo! — Ele reclamou, levantando a voz, mas ao mesmo tempo sorrindo, como se fosse um jogo divertido para ele também.

— Nada é justo. — Eu pisquei para ele, já sabendo que a batalha estava ganha. Ele revirou os olhos, riu, e saiu correndo para o banheiro, cumprindo a única ordem que eu havia dado até agora.

Ainda sem acreditar que aquilo realmente havia funcionado, pensei nos trigêmeos com uma mistura de surpresa e apreensão. Eles eram idênticos, com a mesma aparência marcante do pai. Cada um com sua característica única, mas no fundo, todos carregavam aquele charme irresistível que, ao meu ver, só poderia ser obra dele.

Os cabelos loiros, a pele impecável e o nariz empinado, que parecia esculpido, lembravam cada detalhe do Sr. Davis. O que mais me chamava a atenção, porém, eram os olhos azuis. Aqueles olhos, embora inegavelmente lindos, me faziam pensar que talvez tivessem vindo de sua mãe — uma mulher misteriosa que eu ainda não conhecia.

Lauren, com seus cabelos longos e ondulados, parecia uma princesa de contos de fadas. O cabelo descia até a altura da sua cintura, brilhando com aquele tom dourado, ainda mais iluminado pelas luzes do quarto. Era quase um toque de mágica ver o reflexo da luz neles, se movendo com ela a cada passo.

Charlie, por outro lado, tinha os fios mais curtos, com uma franja que caía suavemente sobre a testa, escondendo parcialmente seus olhos penetrantes. Seu corte até o queixo dava um ar rebelde, mas ele ainda exalava aquela doçura inconfundível de criança.

Thomas, o mais "clean" de todos, exibia um corte raspado dos lados, com o cabelo no topo perfeitamente estilizado, formando um topete que mais parecia ter saído de um desfile de moda.

Os três eram belos de uma maneira que só poderia ser comparada à perfeição. Eu, se tivesse a oportunidade, ficaria mais do que orgulhosa de criar filhos tão incríveis. Claro que o fato do Sr. Davis ser o pai deles certamente ajudava na parte da beleza. O homem era, sem dúvida, uma dessas criaturas que poderiam fazer qualquer um perder a linha.

Ok, eu admito, seria errado dizer que uma parte de mim adoraria ser a babá em um filme pornô em que o chefe é o protagonista, não é? Talvez um pouco... muito errado. Mas, cá entre nós, o Sr. Davis tinha aquele quê de tentação irresistível.

Suspirei, puxando o celular do bolso e me dirigindo até o quarto mais afastado da casa. Com dedos ligeiros, disquei o número de Jessica, que provavelmente entenderia a bagunça que estava prestes a começar.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Uma Babá Para Meus Filhos   Capítulo 83

    EllieO dia chegou.Todos estavam parados no centro da sala da mansão dos Davis. Ninguém parecia saber exatamente o que fazer com as próprias mãos. O silêncio era pesado demais para ser quebrado por qualquer coisa.Eu estava no meio deles, olhando de um rosto para o outro. Angel estava ao meu lado. Ou, pelo menos, deveria estar.Por alguns segundos, precisei me lembrar de que aquela não era a minha imagem refletida em algum espelho. Ela estava usando minhas roupas. Minha jaqueta. Minha calça. Até os cabelos estavam presos de um jeito que imitava o meu.Era estranho. Estranho demais.Angel tinha o meu rosto, mas não tinha o meu jeito de olhar. Não tinha as cicatrizes. Não tinha os anos de desconfiança gravados no corpo. Ainda assim, naquela noite, ela parecia assustadoramente igual a mim.Se alguém entrasse naquela sala sem saber quem éramos, provavelmente não conseguiria distinguir uma da outra.E era exatamente esse o objetivo.Thomas estava quieto. Quieto de verdade. O que, vindo de

  • Uma Babá Para Meus Filhos   Capítulo 82

    AnabelleO grande dia se aproximava. O dia em que todo o plano seria posto em prática, e eu sentia o peso de cada minuto, como se o ar estivesse mais denso dentro da minha própria casa. Cada noite era mais curta que a anterior; cada despertar parecia me arrastar para um cansaço que não passava.No meio da madrugada, não consegui mais permanecer na cama. Levantei silenciosa, tentando não acordar Angel, que provavelmente sonhava com qualquer coisa que não fosse o caos da nossa família. A casa estava escura e silenciosa, exceto pelo som distante de algum relógio na sala.Caminhei pela cozinha, os passos leves sobre o piso frio, o coração batendo mais rápido do que deveria. No caminho, passei pelo escritório de Sebastian. Uma luz fraca escapava pelas frestas da porta entreaberta, e por algum impulso que não soube explicar, me aproximei. Respirei fundo antes de empurrar a porta levemente.E lá estava ele. Sebastian, sentado à sua mesa, com o rosto iluminado pelo brilho do monitor, a expres

  • Uma Babá Para Meus Filhos   Capítulo 81

    Ellie— Mas então... — girei na cadeira, deixando o movimento me embalar, até parar com o corpo voltado para Dominic. Ele estava sentado na mesa do Diabo, bebendo seu refrigerante despreocupado. — É loucura minha, ou a Angel está caidinha por você?A cena foi melhor do que eu poderia esperar. Ele se engasgou na hora, tossindo como se tivesse acabado de aspirar veneno, os olhos arregalados, quase em pânico.— O quê? Caidinha por mim? — a voz saiu embargada, ele bateu o punho no peito tentando recuperar o ar. — Não! — deu uma risada nervosa. — Não viaja.— Aham… — prolonguei o som, deixando meu sorriso crescer enquanto girava de novo na cadeira, só para

  • Uma Babá Para Meus Filhos   Capítulo 80

    CharlieO cheiro de ferrugem e óleo queimado impregnava o ferro-velho, e cada passo que eu dava fazia ecoar o barulho de sucata sendo esmagada debaixo do meu All Star. O Diabo, por outro lado, parecia desfilar como se estivesse em uma passarela, inspecionando carro por carro com um interesse quase... artístico.— Charlie, querido, seja menos emburrado — ele se encostou na carcaça de um sedã dos anos oitenta, cruzando os braços como se estivesse prestes a posar para uma pintura.— Diabo, querido, você está rodando esse lugar há duas horas e não decide qual porcaria de carro vai querer. — Cruzei os braços, tentando ignorar o latejar de dor na minha têmpora.Eu já estava cansado, irritado e com a paciência no limite. Meu trabalho no ginásio do pai não era exatamente o que eu sonhava quando decidi ser fisioterapeuta. Passava o dia cuidando de músculos estourados e egos ainda mais doloridos. Alguns daqueles lutadores tinham o talento único de me lembrar Thomas quando tinha sete anos: teimo

  • Uma Babá Para Meus Filhos   Capítulo 79

    EllieSaí pela porta principal da mansão, sentindo o ar fresco da manhã tocar meu rosto, mas não cheguei a descer o primeiro degrau.Anabelle estava ali, sentada na varanda, as mãos apoiadas no colo, o olhar perdido em algum ponto distante do jardim. Nos últimos dias, eu havia notado algo diferente nela — um peso, talvez, ou um silêncio que parecia mais espesso que o normal.Eu não a conhecia de verdade. Entre todas as pessoas daquela casa, ela era a que eu menos tinha contato. E ainda assim, cada vez que me aproximava, havia um desconforto que crescia no fundo do estômago. Anabelle era, para todos ali, a minha mãe. Mas eu sabia a verdade. Biologicamente, eu era filha de Moora — ou Milla, como os Davis a conheciam.

  • Uma Babá Para Meus Filhos   Capítulo 78

    Sebastian— Não é porque você é minha filha que eu vou pegar leve. — avisei, firme, encarando Ellie.— Eu notei. — Angel resmungou, mais para si do que para nós, se afastando do tatame com a garrafinha d’água em mãos.— Dê o seu melhor, Sebastian. — Ellie disse com um sorriso que parecia desafiador e calmo ao mesmo tempo.Naquele instante, alguma coisa dentro de mim travou.Foi como encarar um espelho torto — não daqueles que mostram o rosto, mas daqueles que escancaram a alma. Não havia dúvida: ali estava uma parte de mim. Algo que sempre soube que existia, mas nunca tive coragem de nomear.Ela não tinha meu rosto.Mas tinha meu fogo.Minha raiva contida.Minha impulsividade.Era como ver a versão mais crua e afiada de mim mesmo. Uma versão feminina. Mais voraz. E tão parecida comigo que doía.E o mais cruel de tudo? Ela nem sabia.Ela me olhava como se estivesse pronta para arrancar um pedaço de mim. Não piscava. Não sorria. Não dava sequer um passo em falso.Dei o primeiro passo, f

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status