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A Mensagem da Morta

Author: Zaynara Rossi
last update publish date: 2026-10-22 21:00:43

Por alguns segundos, Cecilia permaneceu completamente imóvel.

Seu próprio nome brilhava na tela do celular de Arthur.

Era impossível.

Ela estava morta.

Como poderia ter enviado uma mensagem?

Sem conseguir controlar a curiosidade, aproximou-se lentamente. Seu olhar permaneceu fixo na tela enquanto Arthur desbloqueava o aparelho e abria a conversa.

Cada segundo parecia durar uma eternidade.

Então ela leu a mensagem.

"Amor, minha amiga Elaine, que está no país F, está passando por alguns problemas. Vou ficar com ela por alguns dias. Não se preocupe. Logo estarei de volta."

Cecilia sentiu o mundo desaparecer ao seu redor.

Aquelas palavras nunca haviam sido escritas por ela.

Jamais usaria aquela desculpa.

Muito menos deixaria sua família sem notícias por vários dias.

Aquilo era uma mentira.

Alguém estava usando seu celular.

Alguém estava fingindo ser ela.

Sua mente começou a ligar os acontecimentos um a um.

Ela havia sido assassinada.

Seu corpo desaparecera.

E agora alguém enviava mensagens em seu nome para convencer todos de que estava viva.

Seu coração afundou.

Era um plano cuidadosamente pensado.

Enquanto todos acreditassem que ela estava viajando, ninguém desconfiaria de seu desaparecimento.

Sua mãe esperaria sua ligação.

Seu pai imaginaria que ela retornaria em poucos dias.

Seu irmão talvez estranhasse o silêncio, mas acabaria acreditando na mensagem.

Ninguém procuraria seu corpo.

Ninguém faria perguntas.

Ninguém denunciaria seu desaparecimento.

Quem quer que estivesse por trás daquilo ganharia tempo suficiente para apagar qualquer vestígio do crime.

Cecilia levou as mãos ao rosto por instinto.

Queria chorar.

Queria gritar.

Queria correr até sua família e dizer que tudo aquilo era mentira.

Mas estava presa naquele estado entre a vida e a morte.

Ninguém podia ouvi-la.

Ninguém podia vê-la.

A sensação de impotência tornou-se ainda mais cruel.

O que mais a machucava não era sua própria morte.

Era imaginar seus pais esperando seu retorno.

Sua mãe talvez preparasse seu prato favorito para quando voltasse.

Seu pai provavelmente telefonaria todos os dias, tentando parecer tranquilo.

Seu irmão certamente insistiria em saber quando ela regressaria.

Todos continuariam acreditando que ela estava viva.

Enquanto isso...

Seu corpo permanecia abandonado em algum lugar desconhecido.

Nem mesmo um enterro digno teria.

Aquela ideia quase destruiu sua alma.

Arthur respondeu rapidamente à mensagem.

Os dedos deslizaram pela tela com naturalidade.

Em nenhum momento ele demonstrou estranhar o conteúdo.

Muito menos pareceu desconfiar de alguma coisa.

Aquilo fez Cecilia sentir um aperto ainda maior.

Será que ele realmente acreditava naquela mensagem?

Ou sabia exatamente quem a havia enviado?

A dúvida surgiu como um raio.

Ela observou atentamente cada expressão de Arthur.

Tentava encontrar qualquer sinal de culpa.

Qualquer hesitação.

Qualquer detalhe que denunciasse seu envolvimento.

Mas seu rosto permaneceu tranquilo.

Era impossível saber o que realmente passava por sua cabeça.

Antes que Cecilia pudesse refletir mais, uma sensação estranha percorreu todo o seu corpo.

Primeiro foi apenas um leve formigamento.

Depois, uma força invisível começou a puxá-la.

Ela tentou permanecer onde estava.

Tentou resistir.

Foi inútil.

A força aumentava a cada instante.

Em poucos segundos, já não conseguia controlar os próprios movimentos.

Tudo começou a girar.

Ela sentiu como se estivesse sendo arrastada por um enorme túnel envolto pela escuridão.

O vento parecia cortar seu rosto.

As imagens passavam depressa demais para que pudesse compreender qualquer coisa.

Ela não sabia para onde estava sendo levada.

Também não sabia quem a estava chamando.

Sentia apenas que não tinha qualquer controle sobre o próprio destino.

O medo voltou a tomar conta de seu coração.

Depois de alguns instantes, o movimento cessou tão repentinamente quanto havia começado.

O silêncio tomou conta do ambiente.

Cecilia piscou algumas vezes, tentando recuperar a orientação.

Estava em um lugar completamente diferente.

Era um quarto amplo e elegantemente decorado.

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