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Capítulo 4

Author: Genesis
last update publish date: 2026-08-22 18:18:26

“Quero dizer…” Ethan acenou com a mão na minha direção, dispensando minhas palavras como se estivesse afastando algo sem importância. “Você deveria se concentrar mais em si mesma. Talvez isso… ajudasse a colocar as coisas em ordem.”

Fiquei olhando para ele, completamente confusa. “Colocar o quê em ordem, exatamente?”

Ele hesitou por um momento. Seus olhos passaram por mim, depois se desviaram, e voltaram a me encarar, como se precisasse se obrigar a continuar.

“Aria… basta olhar para a sua barriga. Para o seu corpo em geral. Para a sua cintura. Quero dizer… você sabe… você ficou meio que…”

As palavras dele me atingiram como um golpe pesado diretamente no peito. Meus olhos arderam imediatamente, quentes e doloridos. Aquelas não eram lágrimas suaves — eram lágrimas de raiva e dor, daquele tipo que nasce de uma ferida profunda.

“Você está falando mal do meu corpo, Ethan?” Minha voz falhou, mas ainda saiu afiada.

Ele levantou as mãos levemente. “Eu não estou falando mal de você. Só estou dizendo que talvez, se você—”

“Depois de tudo pelo que o meu corpo passou?” Dei um passo mais perto, respirando de forma irregular. “Você sequer se lembra das complicações que tive quando dei à luz a Mila? Da grande perda de sangue? Dos pontos? Dos meses em que eu mal conseguia andar sem sentir como se algo dentro de mim estivesse se rasgando?”

Ele apenas me encarou com uma expressão fria e vazia, como se nada daquela história significasse coisa alguma.

“Eu perdi minha cintura fina porque carreguei nossa filha”, continuei. “Porque lutei contra algo que quase me tirou dela. E agora você está aqui apontando para a minha barriga?”

Ethan deu de ombros levemente, continuando a agir como se estivesse apenas sendo razoável. “Aria… estou apenas sendo honesto com você. Você não parece mais a mesma. E talvez essa seja uma das razões pelas quais as coisas estejam… estranhas entre nós. Trabalhar em si mesma poderia realmente ajudar.”

Aquelas palavras foram o meu limite.

Eu lhe dei um tapa no rosto antes mesmo de perceber o que estava fazendo. O som agudo ecoou pelo quarto. A cabeça dele virou para o lado e, pela primeira vez, ele pareceu verdadeiramente atônito.

“Eu te odeio.”

Virei-me e saí imediatamente, andando depressa e com passos instáveis.

As lágrimas começaram a cair antes mesmo que eu chegasse ao corredor.

Limpei-as bruscamente com as costas da mão, mas elas continuaram escorrendo. Peguei o corredor mais longo, que fazia uma curva atrás dos quartos de hóspedes, para que Mila e a babá não me vissem desmoronando daquele jeito.

Minha respiração falhava enquanto eu caminhava, e as palavras dele continuavam se repetindo na minha cabeça, em um ciclo interminável.

Sua barriga… sua cintura… Conserte as coisas.

Me consertar?

Me consertar para que eu pudesse voltar a ser atraente para ele?

Me consertar para que ele não precisasse olhar para outra pessoa?

Meu coração afundou pesadamente. Porque, naquele momento doloroso, tudo finalmente fez sentido.

Então era por isso que ele havia me traído. Ele olhava para mim e via alguém que já não desejava, e aquele vídeo que eu tinha visto não era apenas um erro qualquer ou simples luxúria. Era ele escolhendo outra mulher porque eu já não era mais a garota magra, de cintura fina, com quem ele havia se casado.

Uma onda de náusea subiu pela minha garganta.

É claro que ele correu para ela. Sua antiga amiga da faculdade. Aquela que parecia uma modelo. Com pernas longas, barriga lisa e um corpo perfeito pelo qual ela nunca precisou lutar. Exatamente o tipo de mulher com quem os homens pareciam sempre trair, tanto nos filmes quanto na vida real.

Pressionei a mão contra a parede para me equilibrar, respirando com dificuldade.

“Eu nunca vou te perdoar por isso, Ethan.”

⸻

Fiquei sentada no chão por um tempo que pareceu uma eternidade. Nem sei quanto tempo passou. A única coisa que me separava de alguém completamente inconsciente era a vaga percepção de que eu ainda estava sentada ali.

Eu conseguia sentir meu corpo contra os azulejos frios, mas nada além disso parecia existir. Meus olhos estavam abertos, mas eu realmente não enxergava nada. Era como se alguém tivesse colocado algodão dentro dos meus ouvidos — todos os sons ao redor pareciam distantes e abafados, como se eu estivesse presa debaixo d’água.

Eu nem percebi os passos. A primeira coisa que senti foi uma mão delicada sobre meu ombro, e me assustei tão violentamente que minha respiração ficou presa na garganta.

Quando levantei os olhos, era Debby, a babá da Mila.

Ela tinha aquela expressão preocupada que as pessoas fazem quando sabem que algo está errado, mas não querem ser invasivas.

“Você está bem?” perguntou baixinho.

“Estou bem”, respondi, embora minha voz soasse estranha e vazia até mesmo para mim.

Fiz força para me levantar do chão. Minhas pernas estavam rígidas e desajeitadas, como se tivessem esquecido como funcionar direito.

Debby estendeu meu celular. “Ele não para de tocar. Foi por isso que vim procurar você.”

“Obrigada.”

Peguei o celular e olhei para a tela.

Quinze chamadas perdidas.

Todas do gerente da minha loja. É claro. Os problemas nunca esperam pelo momento certo. Alguma coisa devia ter dado errado na loja.

Quando comecei a me afastar, parei e me forcei a perguntar:

“E o meu ma—…”

Fechei os olhos. Até dizer aquela palavra parecia cansativo demais.

“Meu marido e a Mila.”

“Eles já foram embora”, disse Debby gentilmente. “Preparei o almoço da Mila, a garrafinha extra, o casaquinho e alguns lanches. Mas ela estava muito quieta esta manhã.”

Quietinha.

Assenti lentamente. “Está bem. Obrigada.”

Afastei-me, verificando meu celular enquanto caminhava. Uma longa mensagem de Clara apareceu na tela — problemas com um fornecedor, pedindo autorização para usar parte dos fundos para resolver a situação.

Digitei rapidamente de volta:

“Clara, cuide disso. Você tem a minha autorização.”

Minha garganta estava seca e áspera, como se eu tivesse engolido areia. Ainda era cedo, mas meu corpo já se sentia completamente exausto, como se eu tivesse vivido uma vida inteira de sofrimento.

Desci as escadas em direção à cozinha.

Debby veio silenciosamente atrás de mim.

“Você pode ir agora”, falei sem me virar. “Estou bem.”

Ela hesitou. “Tem certeza?”

“Pode ir, Debby. Por favor.”

Ela ficou parada por mais um segundo, então assentiu.

Debby não ficava na casa principal — tinha seu pequeno apartamento atrás do pátio e só vinha quando Mila precisava dela. Mas, naquele dia, eu conseguia perceber que ela estava preocupada em me deixar sozinha.

Forcei um sorriso pequeno e fraco. “Estou bem.”

No instante em que ela se afastou, meus joelhos quase cederam, mas agarrei o corrimão e continuei andando.

Fui direto até a pia, servi um copo de água e bebi tudo de uma vez, embora minha mão tremesse levemente. Ignorei aquilo.

Quando coloquei o copo sobre a bancada, o som ecoou pela cozinha silenciosa. Permaneci apoiada no balcão, de olhos fechados, soltando o ar lentamente.

Então ergui os olhos para o teto.

“Papai… o filho do seu amigo não está mais tratando sua filha bem”, sussurrei.

Dizer aquilo em voz alta doeu. Não por causa de Ethan, mas porque meu pai não estava mais aqui para me ouvir.

Saí da cozinha e caminhei em direção à sala de estar. Eu estava prestes a seguir pelo corredor até o meu quarto quando notei a figura de Debby ainda parada perto da entrada.

“Debby”, chamei, surpresa por ela ainda não ter ido embora.

Caminhei lentamente em sua direção. Foi então que percebi que havia outra pessoa parada ali com ela.

Aproximei-me para ver com quem ela estava conversando e, no instante em que consegui enxergar claramente o rosto e o porte dele, quase me esqueci de respirar.

Ou talvez eu estivesse apenas exagerando.

Mas, sinceramente…

Quem diabos é esse?

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