LOGINDe repente, percebi que estava encarando aquele estranho há tempo demais. Lancei um olhar para Debby e fiz um leve sinal com a cabeça para que ela fosse embora. Ela saiu de fininho, sem dizer nada.
— Oi — eu disse, mas minha voz saiu incerta e fraca. — Oi — ele respondeu, abrindo um sorriso. Que droga. Ele realmente sorriu. — Já passei por aqui antes — continuou ele, mantendo aquele sorriso tranquilo. — Mas parecia que não havia ninguém por perto. Ele estendeu o panfleto em minha direção e continuou falando, com a voz calma e suave. — Acabamos de abrir uma academia nova aqui perto. Equipamentos de ponta, personal trainers, várias modalidades... o pacote completo. Estamos distribuindo cupons de desconto para o pessoal da região. O primeiro mês sai pela metade do preço e... Academia. A palavra, por si só, me atingiu como um soco. Minha mente nem sequer registrou o resto do que ele dizia. Tudo voltou à tona: Ethan parado no quarto, mais cedo, apontando para minha barriga e minha cintura, dizendo que eu precisava dar um jeito em mim mesma. Como se meu corpo fosse algo quebrado que precisava de conserto. Naquele mesmo instante de vertigem, um pensamento horrível tomou conta de mim: um estranho musculoso aparecendo na minha porta, naquela manhã específica, para me oferecer um panfleto de academia. Será que o Ethan tinha armado aquilo? Eu realmente acreditei que ele poderia ter enviado o sujeito. Meu peito apertou. Minha respiração ficou trêmula. A humilhação me invadiu tão rápido que pareceu outro tapa na cara. É claro que ele faria algo assim. Ethan provavelmente achou que era uma ideia genial — mandar um cara musculoso de academia até a minha porta para reforçar a mensagem e me humilhar ainda mais. Aquilo parecia exatamente o tipo de insulto "prestativo" que ele inventaria. A vergonha queimava ainda mais forte dentro de mim. — Ah, e eu sou o Roman, a propósito — acrescentou ele. Pisquei, saindo do meu devaneio, e as palavras escaparam antes que eu pudesse contê-las. — Foi o Ethan que te mandou? Roman fez uma pausa, parecendo genuinamente confuso. — Quem é Ethan? Uma lágrima solitária escorreu do meu olho esquerdo antes que eu pudesse contê-la. Eu nem sabia por que aquilo desabou tão rápido, mas sabia exatamente o que causara a queda: a voz de Ethan ecoando na minha cabeça, suas palavras cruéis me golpeando repetidamente. Minha garganta travou. "Por favor... vá embora", sussurrei. Virei-me rapidamente, desesperada para escapar antes de desmoronar de vez na frente dele. Mas sua mão se estendeu com delicadeza e envolveu meu braço. Fiquei paralisada. Não porque doesse. Mas porque o toque era quente, firme e intencional. Ele fez faíscas percorrerem cada nervo do meu corpo. Sua pegada não era bruta nem violenta — apenas firme o suficiente para me manter ali. Virei-me devagar. Seus olhos se estreitaram levemente enquanto ele analisava meu rosto. Então, falou novamente, com a voz mais grave e intensa: "Você está chorando?" O jeito como ele disse aquilo... droga. Os dedos dele ainda estavam no meu braço quando ele perguntou de novo: "Alguém te machucou?" Droga... A voz dele havia ficado mais áspera, mais sombria, carregando um tom que eu não conseguia definir bem. Que droga. Meu corpo inteiro reagiu àquele tom de maneiras que eu não conseguia explicar. E o olhar dele... Deus, como alguém muda assim? Ele não parecia mais o cara descontraído que distribuía panfletos. Naquele momento, parecia pura vontade de proteger misturada com algo selvagem. Aquela intensidade me fez sentir um arrepio tão forte percorrer a espinha que precisei respirar fundo duas vezes para me recompor. "Por favor, vá embora", eu disse, com a voz baixa e trêmula, tentando me soltar. Ele não cedeu. Sua mão permaneceu no meu braço com aquela firmeza sólida — não violenta, mas impossível de romper facilmente. Eu odiava a intensidade com que ele me olhava, então abaixei a cabeça, recusando-me a encontrar seus olhos. "Olhe para mim", disse ele. Duas palavras simples, mas que soaram como uma ordem que eu não podia ignorar. Levantei o olhar lentamente e me arrependi na mesma hora. De perto, ele era ainda mais avassalador. Olhos cinza-tempestade que pareciam quase pretos, pupilas dilatadas com algo cru e faminto. Aquela cicatriz cortando a sobrancelha... e a barba por fazer ao longo do maxilar marcado pareciam ásperas o suficiente para deixar marcas. Eu costumava ler romances sombrios e livros eróticos antes de o casamento matar essa parte de mim. Estar diante de Roman dava a sensação de que um daqueles homens perigosos tinha saído direto das páginas para dentro da minha casa. — Merda — sussurrei. Ele se aproximou. Recuei ao mesmo tempo, até minhas costas se pressionarem contra o batente da porta em um deslizamento lento e impotente que me fez perder o fôlego. — Me diga quem fez você chorar — disse ele. O tom baixo e lento de sua voz fez minhas pernas bambear. Tive que agarrar o batente com mais força; caso contrário, teria desabado ali mesmo no chão. — Por quê? Eu nem conheço você — consegui dizer, tentando soar firme. Ele não piscou. Apenas deu um sorriso de canto, a voz baixando ainda mais, num tom quase perigoso. — Então não fique aí com essa cara de cordeirinho perdido... porque eu não suporto isso. — As palavras saíram como um rosnado baixo. Ele não suportava? Estava falando sério? Ele percebeu que eu estremeci, e o canto de sua boca se curvou, como se ele gostasse do efeito que causava em mim. A maneira como ele me observava fez meu estômago apertar. Havia algo naquela voz que estava me deixando louca. Sua outra mão se ergueu lentamente — devagar o suficiente para que eu pudesse ter me afastado, mas não o fiz. Quando as juntas de seus dedos roçaram o rastro úmido na minha bochecha, um calor explodiu dentro de mim como um fósforo riscado na pedra, disparando direto pelo meu peito. — Eu não dou a mínima para quem é o Ethan — ele rosnou —, mas... "Aria, cai na real", gritei comigo mesma em pensamento e empurrei o peito dele antes que pudesse terminar. Não com força suficiente para realmente movê-lo, mas o bastante para quebrar a proximidade que estava fazendo minha cabeça girar. Empurrei por causa do calor que emanava dele e dos pensamentos que meu corpo estava tendo — pensamentos que eu não tinha o direito de ter sobre um completo estranho parado na minha porta. Ele permaneceu ali, com a respiração calma, observando-me como se tentasse me decifrar. Aquele olhar percorreu minha pele até eu me sentir ridícula por tê-lo tocado. — Desculpe — disse rapidamente. — Não queria ter empurrado você. É só que... não suporto alguém tão perto assim. Você é um estranho e... Ele me analisou por um momento, com os olhos calmos e indecifráveis. Então, assentiu, como se tivesse entendido mais do que eu gostaria que ele entendesse. “Sou um estranho e você não me conhece”, disse Roman, completando meu pensamento. Ele tinha razão. “Sim”, sussurrei. “Algo assim.” E eu odiava o quanto uma parte de mim queria que ele se aproximasse novamente. Ele levou a mão ao bolso de trás, tirou um cartão preto elegante e o pressionou contra a palma da minha mão. Seus dedos se fecharam sobre os meus — de forma lenta e intencional. “Amanhã. Oito horas. Academia Erudite. Você pode vir de manhã ou à noite... 8 da manhã ou 8 da noite”, murmurou ele. O olhar dele percorreu meu corpo, lento e possessivo, como se já estivesse me imaginando sem roupa. Então, ele recuou. Um passo. Depois outro. No momento em que ele se virou e foi embora, o ar escapou dos meus pulmões. Eu não tinha percebido que estava prendendo a respiração até ouvir o ronco alto da moto dele ligando. Ele não olhou para trás. Nem uma vez sequer. Apenas desapareceu rua abaixo. E, por algum motivo estúpido, isso me irritou mais do que qualquer outra coisa. Deslizei pela porta fechada até estar sentada no piso de mármore, com as pernas tremendo, as coxas pressionadas uma contra a outra e ainda segurando aquele cartão preto com força. Depois de vários minutos, eu ainda estava sentada ali. Que Deus me ajude... Não sei quanto tempo fiquei no chão. Minutos. Talvez uma hora inteira. O piso frio tocava minhas coxas, mas o resto do meu corpo estava em chamas. Minha calcinha estava completamente encharcada. Praticamente arruinada. Tudo isso apenas por causa das palavras dele e da maneira como seu polegar havia roçado minha bochecha. Eu o odiava. Não — eu o desejava. Os dois sentimentos me atingiram ao mesmo tempo, com tanta força que meus dentes doíam. Por fim, arrastei-me escada acima com as pernas trêmulas, ainda agarrada ao cartão preto. Joguei-o sobre a bancada do banheiro e tirei a roupa para tomar banho. A água quente caiu sobre mim enquanto eu fechava os olhos, tentando lavar aquela experiência toda. Mas não funcionou. Toda vez que eu piscava, via aqueles olhos cinza-tempestade e a cicatriz que cortava sua sobrancelha. Ouvi aquele rosnado grave novamente: “Depois que eu começo, não paro. E já estou morrendo de fome.” Minhas pernas quase cederam. Dei um tapa na parede de azulejos com tanta força que minha palma ardeu. “Controle-se, Aria. Você é casada. Tem uma filha. Você está desmoronando, e um cara tatuado da academia acabou de mexer com a sua cabeça bem na porta da sua casa.” Saí, enrolei uma toalha no corpo e tentei agir normalmente. Eu tinha três reuniões online com os gerentes das minhas lojas — novo estoque, problemas com fornecedores e planos para a decoração de fim de ano. Vesti um suéter largo e uma legging, prendi o cabelo molhado em um coque bagunçado e abri o notebook no sofá. O rosto de Clara apareceu primeiro. A reunião começou e ela mergulhou em números, margens de lucro e remessas danificadas. Eu concordava com a cabeça nos momentos certos, mas meus olhos insistiam em voltar para aquele cartão preto que eu levara comigo lá para baixo, como se tivesse perdido o juízo. Erudite Gym Roman Kane – Proprietário endereço, número de telefone e um pequeno logotipo prateado que parecia uma coroa quebrada. Clara me perguntou algo duas vezes. Pisquei, saindo do transe. “Desculpe, pode repetir?” Ela me lançou um olhar preocupado. “Você está bem? Parece meio corada.” “Estou bem”, menti, abanando o rosto embora o ar-condicionado estivesse no máximo. Segunda reunião. Terceira reunião. A mesma história. Meu corpo estava ali, mas minha mente estava em outro lugar — revivendo a maneira como o polegar dele pressionara minha pele, como se já fosse dono daquela pulsação. Às 14h17, meu celular vibrou no balcão. Querido: (Bem, era o Ethan.) Oi. Vou buscar a Mila na escola hoje. Vou levá-la para tomar sorvete e ao parque para você descansar. Amo você. Fiquei encarando a mensagem até as palavras se misturarem. Amo você. As mesmas palavras que ele vivia dizendo enquanto dormia com a amiga da faculdade pelas minhas costas. E agora ele as usava como desculpa para levar minha filha para passear e brincar de família feliz com a amante. Ri. O som saiu feio e quebrado. Respondi antes que pudesse me impedir. Eu: Engraçado. Sempre bancando o pai do ano? Os três pontinhos apareceram. Sumiu. Reapareceu. Ethan: Aria, não começa. Só estou fazendo uma gentileza. Quase joguei o celular longe. Gentileza. Outra mensagem chegou. Ethan: A Sienna também vai. A Mila pediu por ela. Não torne isso estranho. Minha visão ficou vermelha de raiva. Não respondi. Não conseguia. Minhas mãos tremiam demais. Minha mente voltou para a noite anterior, à 1 da manhã — a imagem de fundo do iPad do Ethan mostrando ele, Mila e Sienna rindo juntos sob o sol; o braço dela em volta da minha filha, o dele na cintura dela. E agora eles estavam fazendo isso de novo. Só de pensar nisso, algo selvagem e furioso se rompeu dentro do meu peito. Saí da conversa e abri uma nova mensagem. Meu polegar pairou sobre o teclado... então digitei o número do cartão preto antes que eu pudesse desistir. Eu (14h29): O que acontece se eu for hoje à noite? Enviei imediatamente e, na mesma hora, senti vontade de vomitar. A resposta veio em menos de dez segundos. Desconhecido (Roman): Você já sabe o que acontece, princesa. A porta tranca às 20h15. Não se atrase. Ou atrase. O ar escapou dos meus pulmões em um suspiro trêmulo. Fiquei encarando a tela até ela apagar. Então me levantei, fui até o guarda-roupa como uma mulher possuída, afastei os cabides e tirei o vestido preto mais justo que eu tinha — aquele que comprei dois anos atrás, esperando que Ethan finalmente me notasse. Ele nunca notou. Hoje à noite, outra pessoa notaria. Cansei de ser a esposa compreensiva. Cansei de ser dócil, quieta e de pedir desculpas por tudo. Hoje à noite, às 20h, eu entraria na Erudite Gym. E deixaria Roman Kane me destruir de todas as formas que meu marido nunca se importou em fazer. Ethan queria que eu fosse consertada? Ótimo. Eu voltaria completamente despedaçada — mas de uma maneira totalmente nova.Ergui o olhar para o rosto dele. Aqueles olhos cor de tempestade prenderam os meus sem piscar, com uma intensidade tal que parecia que ele estava gravando cada detalhe meu em sua memória. Mais uma vez, era como se a minha dor realmente o ferisse pessoalmente.E, naquele breve instante, algo profundo dentro de mim finalmente se rompeu.Só por esta noite, eu disse a mim mesma. Quero me sentir uma mulher de verdade novamente — desejada, vista, cobiçada. Quero fazer algo imprudente e rezar para não acabar me arrependendo depois.Porque, depois desta noite, eu entraria com o pedido de divórcio. Eu empacotaria as coisas da Mila e as minhas, deixaria esta cidade para trás, administraria meus negócios de algum lugar distante e sairia daquela casa que ainda trazia o cheiro de Ethan por toda parte. Deixaria para trás a mulher que, silenciosamente, havia roubado o meu lugar nas histórias da minha filha e na cama do meu marido.Eu faria um corte definitivo. Um recomeço em um lugar onde ninguém so
ARIATerminei de me arrumar e vesti o vestido preto. Ele se moldava a cada curva do meu corpo, como se tivesse sido feito sob medida para mim.Eu estava diante do espelho alto no quarto de hóspedes, bem longe do quarto principal, onde o perfume do Ethan ainda pairava no ar. Eu não suportava mais ficar lá dentro. O cheiro dele agora me embrulhava o estômago.O tecido ajustava-se firmemente aos meus quadris, decotava-se profundamente no busto e terminava no alto das minhas coxas. Eu não tocava naquele vestido desde a noite em que o comprei, dois anos atrás — quando eu ainda era esperançosa e ingênua, esperando que Ethan finalmente olhasse para mim como costumava fazer. Ou, pelo menos, como eu achava que ele fazia.Ele nunca se deu ao trabalho.Mas, naquela noite, o vestido não era para ele.Passei as mãos lentamente pelas laterais, sentindo um leve tremor nos dedos. Dei um passo atrás e observei atentamente a mulher que me encarava de volta. Eu sempre sonhara em sair assim, mas fui tola
ROMANA mensagem surgiu às 14h29.“O que acontece se eu for hoje à noite?”Fiquei encarando aquelas palavras até a tela escurecer. Toquei nela para despertá-la novamente. Elas continuavam ali.Dez segundos depois de eu ter respondido “A porta tranca às 20h15. Não se atrase”, meu polegar ainda pairava sobre a tela, como se ela pudesse responder a qualquer momento.Recostei-me totalmente na cadeira do escritório. O couro gemeu sob o meu peso. A academia estava bem silenciosa àquela hora — apenas o zumbido constante do ar-condicionado e o barulho ocasional de equipamentos sendo movidos no andar de baixo. Mas a minha própria pulsação era mais alta do que tudo isso.Ela tinha enviado a mensagem às 14h29.Bem no meio do maldito dia.Aquilo me dizia que ela estivera carregando meu cartão consigo a manhã toda, girando-o entre os dedos, provavelmente imaginando se eu era algum tipo de psicopata ou apenas mais um vendedor insistente.Droga.Mudei de posição na cadeira. Minha mente voltou imedia
De repente, percebi que estava encarando aquele estranho há tempo demais. Lancei um olhar para Debby e fiz um leve sinal com a cabeça para que ela fosse embora. Ela saiu de fininho, sem dizer nada.— Oi — eu disse, mas minha voz saiu incerta e fraca.— Oi — ele respondeu, abrindo um sorriso.Que droga. Ele realmente sorriu.— Já passei por aqui antes — continuou ele, mantendo aquele sorriso tranquilo. — Mas parecia que não havia ninguém por perto.Ele estendeu o panfleto em minha direção e continuou falando, com a voz calma e suave.— Acabamos de abrir uma academia nova aqui perto. Equipamentos de ponta, personal trainers, várias modalidades... o pacote completo. Estamos distribuindo cupons de desconto para o pessoal da região. O primeiro mês sai pela metade do preço e...Academia.A palavra, por si só, me atingiu como um soco. Minha mente nem sequer registrou o resto do que ele dizia. Tudo voltou à tona: Ethan parado no quarto, mais cedo, apontando para minha barriga e minha cintura,
“Quer dizer...” Ethan fez um gesto displicente com a mão na minha direção, como se estivesse afastando algo sem importância. “Você provavelmente deveria focar mais em si mesma. Talvez isso... ajudasse a colocar as coisas em ordem.” Eu o encarei, completamente desconcertada. “Colocar o quê em ordem, exatamente?” Ele fez uma pausa. Seus olhos passaram por mim, desviaram e voltaram, como se ele precisasse se forçar a continuar. “Aria... é só olhar para a sua barriga. Sua forma física. Sua cintura. Quer dizer... você sabe... você ficou meio...” As palavras dele me atingiram como um golpe pesado direto no peito. Meus olhos arderam imediatamente, com um calor intenso. Não eram lágrimas suaves — eram daquelas carregadas de raiva e dor, nascidas de uma mágoa profunda. “Você está falando sério? Está criticando o meu corpo agora, Ethan?” Minha voz falhou, mas ainda saiu incisiva. Ele ergueu as mãos levemente. “Não estou criticando. Só estou dizendo que, talvez, se você...” “Depois de tud
Ethan parou a meio caminho da porta, como se já sentisse algo pesado se aproximando. Ele se virou lentamente, com as sobrancelhas franzidas, esperando que eu falasse.Minha garganta apertou dolorosamente. Tudo o que eu havia ensaiado na cabeça durante a noite veio à tona de uma só vez, tudo misturado. Engoli em seco e forcei as palavras a saírem.— Você pode voltar para casa mais cedo hoje? — Minha voz falhou um pouco. — Precisamos sentar e conversar.Ele franziu a testa, como se eu tivesse pedido algo impossível. — Conversar sobre o quê?Antes que eu pudesse começar a explicar, Mila entrou correndo no cômodo, cheia de energia e empolgação. Ela pegou a mochila da escola e mais algumas coisas que estavam no canto.Lancei um olhar rápido para ela. Como ela estava ocupada tentando calçar os sapatos da escola, baixei o tom de voz.— É importante, Ethan.Ele soltou um suspiro longo e pesado — aquele tipo de suspiro que deixava claro que ele via meus sentimentos como um fardo irritante. — A







