Share

4

Penulis: Autora Vanessa
last update Tanggal publikasi: 2026-10-27 06:56:54

CAPÍTULO 4 — EU NÃO SOU PAGAMENTO DE NINGUÉM

Narradora: Isabela

Eu nunca tinha sentido tanta vergonha sem ter feito absolutamente nada de errado.

Estava sentada na ponta de um sofá enorme, numa sala que parecia maior do que a casa inteira onde eu morava com minha mãe e minha irmã. Tudo ali era bonito demais, caro demais, distante demais da minha realidade. O chão brilhava, os móveis pareciam intocáveis e as janelas enormes mostravam uma vista do Vidigal que eu nunca tinha visto daquele ângulo.

Lá embaixo estavam as vielas onde eu havia crescido. As casas apertadas umas contra as outras, as roupas penduradas nos varais, as crianças brincando nas escadarias e as mulheres que precisavam fazer milagre para colocar comida na mesa.

Era o meu mundo.

E eu precisava voltar para ele.

Minha mãe estava no hospital. Sofia provavelmente já tinha ligado para mim mais de uma vez. Eu prometera que voltaria assim que resolvesse o problema do dinheiro, e agora estava presa numa mansão, cercada por homens armados, tentando entender como a minha vida tinha se transformado naquele pesadelo.

A palavra ainda martelava na minha cabeça.

Pagamento.

Marcelo havia me chamado de pagamento.

Como se eu fosse uma televisão, um carro ou um objeto qualquer que pudesse ser entregue a alguém para quitar uma dívida.

Levei as mãos ao rosto, tentando conter as lágrimas.

Eu confiava naquele homem.

Não era como se fôssemos amigos íntimos, mas Marcelo conhecia a minha família havia algum tempo. Sabia da doença da minha mãe, sabia que eu estava desesperada e conhecia a situação financeira em que nos encontrávamos. Quando ele apareceu dizendo que poderia conseguir um empréstimo, eu acreditei.

Acreditei porque precisava acreditar.

Os médicos haviam explicado que minha mãe precisava continuar o tratamento, e cada dia parecia trazer uma conta nova, uma preocupação diferente, uma notícia capaz de arrancar o pouco de esperança que ainda me restava.

Eu não tinha dinheiro.

Não tinha parentes ricos.

Não tinha ninguém que pudesse simplesmente aparecer e resolver tudo.

Então, quando Marcelo me prometeu ajuda, agarrei aquela possibilidade como uma pessoa se agarra à última tábua no meio de um naufrágio.

E ele usou isso contra mim.

— Senhorita?

Levantei a cabeça.

O homem que me acompanhara até a sala estava parado perto da porta. Eu sabia que se chamava Rafael porque Dante havia falado seu nome.

Ele parecia menos ameaçador do que os outros, embora continuasse com aquela postura séria de quem estava acostumado a obedecer ordens sem fazer perguntas.

— Você quer água? — perguntou.

Balancei a cabeça.

— Não, obrigada.

Ele observou meu rosto por alguns segundos.

— Você está muito pálida.

Quase ri da preocupação.

Pálida?

Eu estava tentando compreender que um homem tinha me levado até ali para me vender como pagamento de uma dívida.

Acho que qualquer pessoa ficaria pálida.

— Eu preciso ir embora.

Rafael respirou fundo.

— O Dante está resolvendo uma situação.

— Eu não quero saber o que ele está resolvendo. Eu não tenho nada a ver com isso.

— Eu entendo.

— Não, você não entende.

Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia, e imediatamente olhei para a porta, assustada com a possibilidade de alguém ter ouvido.

Respirei fundo.

— Desculpa. Eu não queria falar assim com você. Só que minha mãe está internada. Minha irmã está lá sozinha com ela, e eu preciso voltar.

Rafael não respondeu de imediato.

— Você pode ligar para sua irmã. O Dante autorizou.

A lembrança me fez sentir um pouco de alívio. Pelo menos eu poderia avisar Sofia de que estava viva.

Peguei meu celular com as mãos trêmulas e encontrei várias chamadas perdidas.

Meu coração apertou.

Liguei imediatamente.

— Isa? Graças a Deus! — Sofia atendeu quase no primeiro toque. — Onde você está? Eu te liguei um monte de vezes!

Fechei os olhos.

— Desculpa, meu amor. Aconteceu uma coisa.

— Que coisa? Você conseguiu o dinheiro?

A pergunta me atingiu em cheio.

Olhei para a janela, tentando encontrar uma resposta que não assustasse minha irmã.

— Não. Ainda não.

— Isa, a médica veio conversar comigo de novo. Ela perguntou se a gente conseguiu resolver aquela parte do pagamento, e eu não sabia o que dizer. A mãe está dormindo agora, mas…

A voz dela falhou.

A minha também.

— Eu vou voltar, Sofia. Prometo que vou voltar.

— Onde você está?

Abri a boca, mas não consegui responder.

Como explicar?

Como dizer que eu estava numa mansão, diante de homens que trabalhavam para um traficante, porque um conhecido havia me levado até ali para quitar uma dívida que não era minha?

Eu não queria que Sofia entrasse em pânico. Ela já estava carregando preocupações demais para a idade dela.

— Estou resolvendo uma coisa. Assim que puder, vou para o hospital.

— Você está bem?

Olhei para a porta.

Do outro lado, ouvi vozes abafadas. Uma delas parecia ser a de Marcelo.

Senti o estômago revirar.

— Estou — menti. — Não se preocupa comigo. Fica com a mãe, tá? E, se precisar de alguma coisa, me liga.

— Isa…

— Eu te amo, minha irmã.

Desliguei antes que ela percebesse que eu estava chorando.

Fiquei olhando para a tela do celular, tentando recuperar o controle da respiração.

Eu precisava ser forte.

Sempre tinha sido.

Desde que minha mãe começou a adoecer, aprendi a engolir o choro, a esconder o medo e a continuar caminhando mesmo quando sentia que minhas pernas não aguentariam mais um passo.

Mas havia uma diferença entre enfrentar dificuldades e descobrir que alguém havia usado meu desespero para me colocar nas mãos de um desconhecido.

Eu não sabia o que Dante pretendia fazer comigo.

E essa incerteza era a pior parte.

A porta se abriu de repente.

Meu corpo inteiro ficou tenso.

Dante entrou primeiro.

Era ainda mais intimidante de perto. Alto, ombros largos, braços cobertos por tatuagens que desapareciam sob as mangas da camisa escura. Seu rosto parecia esculpido em pedra, e os olhos tinham uma frieza que me fazia sentir como se ele enxergasse coisas que eu tentava esconder.

Marcelo vinha atrás dele.

Assim que o vi, levantei-me.

— Você!

Ele evitou meu olhar.

Aquele gesto me machucou mais do que eu esperava. Eu queria que ele me encarasse. Queria que tivesse coragem de olhar para mim e explicar por que havia feito aquilo.

— Isabela, calma — começou ele.

— Não fala comigo!

Minha voz ecoou pela sala.

Dante parou perto de uma poltrona, observando sem interferir.

Eu não me importava mais com a presença dele. Não me importava com a mansão, com os seguranças ou com o fato de que talvez estivesse cometendo um erro ao levantar a voz.

Eu precisava de respostas.

— Você me disse que ia conseguir um empréstimo! Você olhou nos meus olhos e prometeu que eu teria dinheiro para ajudar minha mãe!

Marcelo passou a mão pelo rosto.

— Eu estava tentando resolver as coisas.

— Mentindo para mim?

— Não foi bem assim.

Soltei uma risada amarga, sentindo as lágrimas escorrerem.

— Então me explica como foi, Marcelo. Porque eu realmente quero entender. Quero entender como você conseguiu me convencer a entrar no seu carro, como conseguiu me trazer até aqui e como teve coragem de ficar parado na frente desse homem dizendo que eu era o pagamento da sua dívida!

Ele finalmente me encarou.

E não havia arrependimento em seus olhos.

Havia irritação.

Como se eu estivesse dificultando a vida dele.

— Você não sabe como as coisas funcionam, garota.

Aquelas palavras me fizeram sentir um frio terrível.

— Não me chama de garota.

— Eu estava sem saída!

— E eu tenho culpa disso?

Ele ficou quieto.

Dei um passo na direção dele.

— A dívida é sua. Você fez as suas escolhas. Você sabia que devia dinheiro, sabia que estava se metendo em problemas e, mesmo assim, decidiu me usar para tentar se livrar deles!

— Eu precisava de tempo!

— E eu precisava salvar minha mãe!

Minha voz se quebrou.

Por alguns segundos, só consegui respirar, tentando impedir que o choro me sufocasse.

— Você sabia que ela estava no hospital. Sabia que eu estava desesperada. Sabia que eu faria qualquer coisa honesta para conseguir o dinheiro. E foi exatamente por isso que você me escolheu, não foi?

Marcelo desviou o olhar.

A resposta estava ali.

Eu queria voltar no tempo. Queria ter desconfiado, ter feito mais perguntas, ter percebido que havia algo errado quando ele insistiu tanto para que eu fosse com ele.

Mas não havia como voltar.

Eu estava ali.

E minha mãe continuava no hospital.

— Você não tem vergonha? — perguntei.

Ele soltou um suspiro impaciente.

— Para de fazer drama, Isabela. Você nem chegou a perder nada. Ninguém fez nada com você.

A frase me atingiu como um tapa.

Não porque fosse verdade, mas porque ele parecia acreditar que o único problema seria se alguém tivesse encostado em mim.

Como se a minha dignidade só importasse depois de ser ferida fisicamente.

— Você me trouxe para cá sem me contar a verdade! — respondi. — Você me fez acreditar que eu estava vindo buscar ajuda. Você não tinha o direito de decidir o que aconteceria comigo!

— Eu não tinha escolha!

— Tinha, sim! Você podia ter assumido a sua dívida como um homem!

Marcelo avançou um passo.

— Abaixa essa voz!

Antes que eu pudesse responder, Dante falou.

— Dá mais um passo na direção dela e você vai se arrepender.

Marcelo parou imediatamente.

Olhei para Dante.

Ele estava com as mãos nos bolsos, mas sua expressão havia mudado. A frieza continuava ali, só que agora parecia direcionada inteiramente ao homem que me enganara.

— Você vai mesmo deixar ela falar assim comigo? — Marcelo reclamou.

Dante ergueu uma sobrancelha.

— Você está preocupado com a maneira como ela fala depois de tentar entregá-la como pagamento de uma dívida?

Marcelo fechou a cara.

— Eu fiz o que precisava fazer.

— Não. Você fez o que achou que conseguiria fazer sem sofrer as consequências.

Dante se aproximou dele.

— Você me deve dinheiro. Isso nunca foi segredo. Mas não me venha dizer que essa garota faz parte de qualquer acordo, porque eu não autorizei você a decidir isso por ela.

Meu coração bateu mais depressa.

Eu não sabia o que pensar.

Dante continuava sendo o homem diante de quem Marcelo me apresentara como pagamento. Ele não era alguém em quem eu pudesse confiar só porque estava repreendendo meu algoz.

Ainda assim, ouvi-lo dizer que Marcelo não podia decidir por mim fez alguma coisa dentro do meu peito se mover.

Não era alívio.

Muito menos confiança.

Era apenas a percepção de que talvez nem tudo estivesse decidido.

— Patrão, eu achei que o senhor entenderia — insistiu Marcelo. — A garota é bonita, é virgem, não tem ninguém para protegê-la…

— Chega.

A palavra foi pronunciada sem esforço, mas Marcelo se calou na mesma hora.

Dante se aproximou ainda mais.

— Você acabou de dizer que ela não tem ninguém para protegê-la?

Marcelo engoliu em seco.

— Eu quis dizer que…

— Você sabia que ela estava desesperada para conseguir dinheiro para a mãe e usou isso para trazê-la até aqui. Depois tentou me convencer de que a situação era um acordo. Agora está na minha frente querendo que eu tenha pena de você?

Dante soltou uma risada seca.

— Você realmente perdeu o juízo.

Marcelo olhou ao redor, procurando apoio em alguém. Não encontrou.

Então fez algo que me deixou enojada.

Apontou para mim.

— Mas ela veio porque quis! Entrou no meu carro por vontade própria!

Senti o rosto queimar.

— Porque você mentiu!

— Eu não obriguei você a entrar!

— Você disse que ia me ajudar!

— E eu poderia ter ajudado se você não estivesse fazendo esse escândalo!

Agarrei a alça da bolsa com tanta força que meus dedos doeram.

Naquele momento, percebi que Marcelo jamais admitiria o que fizera. Na cabeça dele, eu era apenas um problema que havia deixado de obedecer ao roteiro que ele preparara.

Ele não se arrependia de ter me enganado.

Arrependia-se de não ter conseguido o que queria.

Olhei para Dante.

— Eu quero ir embora.

Ele voltou os olhos para mim.

— Eu ouvi você da primeira vez.

— Então me deixa ir.

— Ainda preciso esclarecer algumas coisas.

— Esclareça com ele! — apontei para Marcelo. — Eu não tenho nada a ver com a dívida de vocês!

— Eu sei.

A resposta foi tão direta que fiquei sem reação por um instante.

Dante continuou:

— Mas preciso entender por que ele achou que poderia trazer você para dentro da minha casa e mentir sobre o que estava acontecendo.

— E eu preciso estar aqui para isso?

Ele não respondeu imediatamente.

Aquela pausa me deu a certeza de que, apesar de tudo o que havia dito, ele ainda não tinha decidido me deixar sair.

Senti a raiva crescer por cima do medo.

Eu estava cansada de pedir.

Cansada de explicar.

Cansada de depender das decisões de homens que acreditavam saber o que era melhor para mim.

— Escuta bem — comecei, encarando Dante. — Eu não sei quem o senhor é, não sei o que o Marcelo deve e não quero saber. Não vim aqui para negociar meu corpo, minha liberdade ou qualquer outra coisa. Eu vim porque acreditei que conseguiria um empréstimo para salvar a minha mãe.

Ele sustentou meu olhar.

— Eu entendi.

— Então entende mais uma coisa: eu não sou pagamento de ninguém.

As palavras saíram trêmulas, mas não baixei a cabeça.

— Não sou mercadoria. Não sou propriedade do Marcelo e também não sou sua. Eu não pertenço a ninguém!

O silêncio que veio depois foi absoluto.

Até Marcelo pareceu surpreso.

Eu estava apavorada. Minhas pernas tremiam, minhas mãos estavam geladas e eu sabia muito bem que não tinha poder algum naquela sala.

Mas, se havia alguma coisa que eu ainda podia defender, era o direito de dizer que não pertencia a ninguém.

Dante me observou por alguns segundos.

Seu rosto não demonstrava surpresa nem raiva. Apenas aquela atenção intensa que me fazia sentir que cada palavra minha estava sendo examinada.

Então ele virou a cabeça na direção de Rafael, que havia acabado de aparecer à porta.

— Leve Marcelo para o escritório dos fundos. Quero saber cada detalhe dessa dívida, de onde veio o dinheiro e quem mais está envolvido.

— Dante, espera! — Marcelo protestou. — Não precisa fazer isso!

— Você já falou demais.

Rafael segurou o braço dele.

Marcelo tentou se soltar, mas dois homens apareceram no corredor e o acompanharam para fora.

Antes de desaparecer, ele olhou para mim com ódio.

— Você vai se arrepender disso, Isabela!

Meu sangue gelou.

Eu não tinha feito nada além de contar a verdade.

Mesmo assim, era eu quem estava sendo ameaçada.

— Se você dirigir mais uma ameaça a ela, vai ter um problema comigo — Dante avisou.

Marcelo foi retirado da sala.

A porta se fechou.

E, de repente, eu estava sozinha com o homem mais perigoso que já tinha conhecido.

O silêncio parecia pressionar meus ouvidos.

Dante caminhou até a mesa lateral, pegou uma garrafa de água e a colocou sobre o móvel próximo a mim.

— Beba alguma coisa.

Olhei para a garrafa, depois para ele.

— Não quero.

— Tudo bem.

A resposta me surpreendeu mais uma vez.

Eu esperava uma ordem, uma ameaça ou alguma demonstração de impaciência. Ele simplesmente se afastou, como se não tivesse interesse em discutir comigo por causa de uma garrafa de água.

Isso não me fez confiar nele.

Só tornou mais difícil compreender suas intenções.

— Eu quero ir para o hospital — repeti, mais baixo. — Minha irmã está esperando por mim.

Dante assentiu lentamente.

— Rafael vai providenciar o carro.

Meu peito se apertou com uma esperança cautelosa.

— Então posso ir?

— Eu não disse que você está proibida de sair.

— Mas também não disse que posso.

Ele ficou em silêncio por um instante.

Depois, caminhou até a porta.

Eu não sabia se deveria segui-lo, esperar ou simplesmente correr para a saída. Meu corpo inteiro pedia para que eu fosse embora, mas alguma coisa na expressão dele me dizia que ainda havia informações que eu não conhecia.

Dante abriu a porta e chamou um dos seguranças.

— Ninguém deixa esta casa sem que eu saiba.

Meu coração despencou.

O homem assentiu e se afastou pelo corredor.

Dante voltou o rosto para mim.

— Isso inclui você até terminarmos esta conversa.

Dei um passo para trás.

— O senhor acabou de dizer que eu não estava proibida de sair!

— Eu disse que não estava presa.

— E qual é a diferença se os seus homens vão impedir que eu passe pela porta?

Pela primeira vez, vi um traço de irritação atravessar o rosto dele.

— A diferença é que estou tentando descobrir quem colocou você nessa situação.

— E eu estou tentando sair dela!

Minha voz saiu quase como um soluço.

Eu não queria chorar na frente daquele homem. Não queria que ele enxergasse o quanto eu estava assustada, o quanto sentia falta da minha mãe e o quanto precisava desesperadamente voltar para casa.

Mas não consegui segurar.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto.

Limpei-a depressa, furiosa comigo mesma.

— Por favor — pedi. — Eu não sou criminosa. Não devo nada ao senhor. Não fiz nada para merecer isso.

Dante ficou imóvel.

Por alguns segundos, nenhum de nós falou.

Então me virei e caminhei até a porta.

Não sabia se Rafael me deixaria passar. Não sabia se os seguranças obedeceriam à ordem de Dante ou se alguém tentaria me impedir fisicamente.

Mas eu não podia continuar ali, esperando que um homem decidisse quando eu teria permissão para voltar à minha própria vida.

Coloquei a mão na maçaneta.

Antes que pudesse abri-la, ouvi a voz de Dante atrás de mim.

— Não saia ainda.

Fechei os olhos.

Meu coração batia tão forte que parecia querer escapar do peito.

Virei-me devagar.

Ele estava a poucos passos de distância, com o rosto fechado e as mãos nos bolsos. Não havia suavidade em sua expressão, tampouco qualquer promessa de que tudo ficaria bem.

— O senhor também vai me prender?

Dante sustentou meu olhar.

— Isso depende do que você vai descobrir quando ouvir o restante dessa história.

Senti o chão desaparecer sob meus pés.

Porque, naquele instante, compreendi que Marcelo talvez não tivesse sido o único a esconder alguma coisa de mim.

E eu ainda não fazia ideia do tamanho da armadilha em que havia caído.

Nota da autora ❤️‍🔥

Meninas, Isabela está prestes a descobrir que essa história é muito maior do que a dívida de Marcelo! Mas o que Dante ainda sabe e não contou a ela?

Me contem nos comentários: vocês acham que Isabela deveria ouvir Dante ou sair dessa casa assim que tiver uma oportunidade?

Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • Vendida ao dono do morro    10

    CAPÍTULO 10 — A DÍVIDA ESCONDE OUTRA VERDADENarrador: DanteEu não gostava de Augusto Vasconcelos.Na verdade, poucas pessoas conseguiam despertar em mim tanta desconfiança quanto aquele homem. Ele era inteligente, calculista e tinha o péssimo hábito de acreditar que dinheiro era suficiente para comprar qualquer coisa.Já havíamos cruzado caminhos algumas vezes, sempre em situações nas quais interesses diferentes acabavam se encontrando. Nunca fomos aliados de verdade. No nosso mundo, uma parceria podia durar enquanto fosse conveniente, e eu sabia muito bem que Augusto era o tipo de homem capaz de sorrir enquanto preparava uma armadilha.Por isso, quando Rafael confirmou que Marcelo tinha se encontrado com um funcionário ligado a ele, minha desconfiança aumentou.A história estava longe de ser apenas uma dívida.E eu pretendia descobrir o motivo antes que alguém resolvesse dar outro passo.Estava no escritório desde cedo, analisando os documentos que Rafael havia reunido. Havia regis

  • Vendida ao dono do morro    9

    CAPÍTULO 9 — A GAROTA POR TRÁS DO SILÊNCIONarradora: IsabelaEu nunca pensei que sentiria tanta saudade da minha casa.Era pequena, tinha alguns móveis antigos, paredes que precisavam de uma pintura e uma cozinha onde mal cabiam duas pessoas ao mesmo tempo. Mas era nossa. Cada cantinho guardava uma lembrança, cada barulho fazia parte da rotina e, mesmo com todas as dificuldades, eu sabia que aquele era o meu lugar.Na mansão de Dante Ferraz, tudo era diferente.O quarto era enorme, a cama parecia mais confortável do que qualquer outra em que eu já havia dormido e o banheiro tinha mais espaço do que a nossa cozinha. Ainda assim, eu não conseguia me sentir em casa.Talvez porque não estivesse.Estava sentada perto da janela, com os joelhos dobrados e o celular nas mãos. Já tinha conversado com Sofia duas vezes naquela noite. Minha irmã estava cansada, mas insistia em dizer que estava tudo bem.Eu sabia que ela estava tentando me tranquilizar.Minha mãe continuava internada, e eu não co

  • Vendida ao dono do morro    8

    CAPÍTULO 8 — ELA NÃO TEM MEDO DE RESPONDERNarrador: DanteEu estava acostumado a ser obedecido.Não precisava repetir uma ordem, levantar a voz ou explicar minhas decisões. As pessoas ao meu redor conheciam minha maneira de agir e sabiam que questionar minhas determinações raramente terminava bem.Mas Isabela Martins parecia não ter recebido o aviso.Desde que chegou à minha casa, aquela garota fazia questão de deixar claro que não estava satisfeita com absolutamente nada. Não aceitava ajuda sem questionar, não escondia quando alguma coisa a incomodava e, principalmente, não parecia impressionada com o que eu tinha.Aquilo era estranho.Eu já tinha conhecido mulheres que se aproximavam por interesse, que tentavam chamar minha atenção e que enxergavam minha posição como uma oportunidade. Isabela não demonstrava nada disso.Ela queria ir embora.E fazia questão de repetir.Estava no escritório quando Rafael entrou sem bater.— Bom dia, patrão.— Aprendeu a bater na porta ou ainda está

  • Vendida ao dono do morro    7

    CAPÍTULO 7 — SOB O TETO DE DANTE FERRAZNarradora: IsabelaEu nunca imaginei que passaria uma noite na casa de Dante Ferraz.Na verdade, nunca imaginei que conheceria aquele homem. Muito menos que acabaria envolvida em uma dívida que não era minha, numa investigação sobre o passado da minha mãe e em uma situação da qual eu só queria escapar.Mas ali estava eu.Sentada no banco de trás de um carro, voltando do hospital para a mansão do homem que me havia recebido como pagamento de uma dívida.A diferença era que, dessa vez, eu sabia por que estava indo.— Não existe outro lugar onde você possa ficar esta noite? — Rafael perguntou, olhando pelo retrovisor.Suspirei.— Minha casa.— Dante já explicou que a situação ainda não está segura.— E eu já expliquei que não quero ficar na casa dele.Rafael ficou em silêncio por alguns segundos.— Marcelo desapareceu.Virei o rosto na direção dele.— Como assim, desapareceu?— Depois que foi levado para conversar com alguns homens, não conseguimos

  • Vendida ao dono do morro    6

    CAPÍTULO 6 — MINHA MÃE PRECISA DE MIMNarradora: IsabelaEu só queria chegar ao hospital.Desde que havia saído da mansão de Dante, minha cabeça estava cheia de perguntas, mas nenhuma delas era mais importante do que saber como minha mãe estava. Eu precisava vê-la, segurar sua mão e ter certeza de que ela continuava ali.O carro seguia pelas ruas do Vidigal, acompanhado por outro veículo. Rafael estava no banco da frente, enquanto eu permanecia atrás, abraçada à minha bolsa.Não tinha pedido aquela escolta. Na verdade, se dependesse de mim, teria ido sozinha. Mas Dante havia determinado que seus homens me acompanhassem, e eu já tinha percebido que não seria fácil contrariar suas ordens.Olhei pela janela.As pessoas caminhavam pelas ruas, algumas conversavam nas portas de casa, outras carregavam sacolas e crianças brincavam nas calçadas. Tudo parecia tão normal que chegava a ser estranho pensar que, poucas horas antes, minha vida tinha virado de cabeça para baixo.— Está tudo bem aí a

  • Vendida ao dono do morro    5

    CAPÍTULO 5 — O OLHAR QUE ELE NÃO CONSEGUE ESQUECERNarrador: DanteEu não gostava de perguntas sem respostas.Muito menos de pessoas que entravam na minha casa carregando problemas que não me pertenciam e, de alguma forma, conseguiam transformar um assunto simples numa dor de cabeça que eu não podia ignorar.Marcelo tinha uma dívida comigo. Uma dívida alta, antiga e perigosa. Eu queria receber o meu dinheiro, descobrir por que aquele desgraçado estava demorando tanto e encerrar o assunto.Era simples.Pelo menos deveria ter sido.Mas, naquela tarde, uma garota de olhos assustados havia entrado no meu escritório e virado tudo de cabeça para baixo sem sequer saber o que estava acontecendo.Isabela Martins.O nome continuava passando pela minha cabeça, e aquilo estava começando a me irritar.Eu não costumava pensar nas pessoas depois que elas saíam da minha frente. Não tinha tempo para isso. Minha vida era feita de decisões, cobranças, alianças e problemas que precisavam ser resolvidos a

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status