Share

5

Penulis: Autora Vanessa
last update Tanggal publikasi: 2026-10-28 04:32:10

CAPÍTULO 5 — O OLHAR QUE ELE NÃO CONSEGUE ESQUECER

Narrador: Dante

Eu não gostava de perguntas sem respostas.

Muito menos de pessoas que entravam na minha casa carregando problemas que não me pertenciam e, de alguma forma, conseguiam transformar um assunto simples numa dor de cabeça que eu não podia ignorar.

Marcelo tinha uma dívida comigo. Uma dívida alta, antiga e perigosa. Eu queria receber o meu dinheiro, descobrir por que aquele desgraçado estava demorando tanto e encerrar o assunto.

Era simples.

Pelo menos deveria ter sido.

Mas, naquela tarde, uma garota de olhos assustados havia entrado no meu escritório e virado tudo de cabeça para baixo sem sequer saber o que estava acontecendo.

Isabela Martins.

O nome continuava passando pela minha cabeça, e aquilo estava começando a me irritar.

Eu não costumava pensar nas pessoas depois que elas saíam da minha frente. Não tinha tempo para isso. Minha vida era feita de decisões, cobranças, alianças e problemas que precisavam ser resolvidos antes que se tornassem maiores.

Ainda assim, bastava fechar os olhos por alguns segundos para lembrar da maneira como ela me encarara.

Tremendo, com lágrimas acumuladas nos olhos, mas sem abaixar a cabeça.

Eu não sou pagamento de ninguém.

A frase voltava como uma provocação.

Não porque tivesse me ofendido. Eu não era tão idiota a ponto de levar para o lado pessoal a reação de uma mulher que acabara de descobrir que fora enganada.

O que me incomodava era outra coisa.

Isabela estava com medo de mim.

E, mesmo assim, tinha encontrado coragem para dizer exatamente o que pensava.

A maioria das pessoas que entrava naquela casa tentava adivinhar o que eu queria ouvir. Algumas mentiam para me agradar, outras concordavam antes mesmo de entender a pergunta. Havia quem tremesse só de ouvir meu nome.

Isabela não.

Ela tremia, sim. Eu tinha visto suas mãos apertando a bolsa, o esforço para manter a voz firme e o jeito como seus olhos procuravam uma saída a cada poucos segundos.

Mas ela não tentou me agradar.

Não me pediu que tivesse pena dela.

Pediu para ir embora.

E, quando percebeu que eu não estava disposto a deixá-la sair sem entender o que havia acontecido, me enfrentou.

Eu deveria ter esquecido aquela garota no momento em que Rafael a levou para a sala.

Em vez disso, mandei investigar a vida dela.

— Quero tudo — ordenei, sentado atrás da minha mesa. — Onde mora, onde trabalha, com quem anda, quem são os familiares e desde quando conhece Marcelo. Quero saber se tem alguma ligação com ele além dessa história do empréstimo.

Rafael estava diante de mim, com o celular na mão.

— Já comecei a levantar as informações. Mas, pelo que conseguimos descobrir até agora, ela não parece ter envolvimento com os negócios do Marcelo.

— Eu não perguntei o que ela parece ser, Rafael. Perguntei quem ela é.

Meu braço direito assentiu.

— Vou confirmar.

— E outra coisa: ninguém vai ameaçar a garota, ninguém vai mexer com a família dela e ninguém vai usar essa situação para pressioná-la. Fui claro?

Rafael ergueu as sobrancelhas discretamente.

Ele me conhecia havia tempo suficiente para perceber quando alguma coisa fugia do meu comportamento habitual.

— Foi, patrão.

— Então não fica me olhando como se tivesse alguma pergunta.

— Não tenho pergunta nenhuma.

— Ótimo. Pode ir.

Ele quase sorriu antes de sair.

Quase.

Aquele desgraçado tinha a péssima mania de achar que me conhecia melhor do que eu mesmo.

Assim que a porta se fechou, peguei a pasta de Marcelo e comecei a rever os registros da dívida. Os números não faziam sentido. Havia pagamentos prometidos que nunca chegaram, valores que aumentaram sem justificativa e nomes que eu não reconhecia em transações que deveriam ter sido simples.

Marcelo era irresponsável, mas não era burro.

Pelo menos, não a ponto de acreditar que poderia me entregar uma mulher e sair da minha casa sem consequências.

A menos que estivesse desesperado.

Ou que alguém tivesse colocado aquela ideia na cabeça dele.

A segunda possibilidade me interessava muito mais.

Passei os olhos por uma sequência de documentos, mas minha atenção acabou voltando para o escritório vazio. Eu ainda conseguia imaginar Isabela parada diante da minha mesa, tentando entender por que o homem em quem confiava a havia colocado naquela situação.

A lembrança me fez fechar a pasta com força.

— Porra.

Eu precisava parar de pensar nela.

Quase uma hora depois, Rafael voltou.

Dessa vez, trazia uma pasta fina e o semblante sério de quem tinha encontrado alguma coisa importante.

— Consegui as primeiras informações.

Fiz um gesto para que se sentasse.

— Fala.

Ele colocou a pasta sobre a mesa.

— Isabela Martins tem vinte e dois anos. Mora com a mãe e a irmã mais nova numa casa simples na parte baixa do Vidigal. Pelo que descobri, trabalha fazendo faxinas e também ajuda numa pequena lanchonete alguns dias da semana. Pega o que aparece para complementar a renda.

Fiquei em silêncio.

Rafael abriu a pasta e colocou algumas folhas diante de mim.

— A mãe, Helena Martins, está internada. O estado de saúde é delicado, e a família está tentando conseguir dinheiro para manter o tratamento. A irmã, Sofia, ainda é jovem e passa boa parte do tempo entre a casa e o hospital.

Olhei para os papéis.

Havia informações básicas, endereços, registros de trabalho e algumas anotações sobre a rotina da família.

Nada indicava ligação com os negócios de Marcelo.

Nada apontava para uma vida de luxo, dinheiro fácil ou qualquer coisa que explicasse por que aquela garota estaria envolvida numa negociação como a que ele havia tentado me apresentar.

— Ela tem passagem pela polícia? — perguntei.

— Não encontrei nada.

— Dívidas?

— Contas atrasadas e despesas médicas, pelo que sabemos. Nada que indique envolvimento com os nossos negócios.

Passei os olhos por uma fotografia anexada ao relatório.

Isabela aparecia diante de uma pequena casa, usando uma camiseta simples e um short jeans. O cabelo estava preso no alto da cabeça, e ela segurava algumas sacolas de mercado.

Não parecia estar posando para ninguém.

Era apenas uma fotografia comum, tirada num momento qualquer.

Mesmo assim, fiquei olhando por tempo demais.

Havia uma diferença enorme entre aquela mulher e as pessoas que costumavam aparecer na minha porta. Isabela não tinha carros caros, roupas de grife ou conhecidos influentes. Sua vida parecia girar em torno de coisas que muita gente tratava como garantidas: trabalhar, comprar comida, visitar a mãe no hospital e tentar pagar as contas no fim do mês.

Ela não tinha nada a ganhar se metendo numa negociação comigo.

Na verdade, tinha tudo a perder.

— Ela conhece Marcelo há quanto tempo?

— Alguns meses, pelo que conseguimos confirmar. Ele se aproximou da família oferecendo ajuda com algumas despesas e dizendo que conhecia pessoas capazes de conseguir dinheiro emprestado.

Meu olhar se ergueu lentamente.

— Ele já vinha preparando isso?

— É possível. Ainda estamos verificando.

Apertei os dedos contra a mesa.

Aquele desgraçado havia encontrado uma mulher desesperada, conquistado sua confiança e usado a doença da mãe dela para atraí-la até mim.

Não era uma simples mentira.

Era uma armadilha montada em cima da necessidade de alguém.

E eu não gostava de descobrir que tinham usado meu nome para isso.

— Quero saber exatamente o que ele prometeu a ela — ordenei. — Se falou em juros, prazo, contrato ou qualquer outra condição. Quero saber se pediu documentos, se recebeu dinheiro dela e se alguém mais participou dessa conversa.

— Vou atrás disso.

— E descubra quem sabia que ele pretendia trazê-la para cá.

Rafael assentiu, mas não saiu imediatamente.

— Tem outra coisa, patrão.

— Fala.

— Ela está muito preocupada com a mãe. Quando ligou para a irmã, mal conseguiu explicar onde estava. Pelo que ouvimos, está tentando voltar para o hospital desde que chegou aqui.

Apertei a mandíbula.

— Ela vai voltar.

Rafael me observou por um instante.

— Certo.

— Algum problema?

— Nenhum.

— Então por que está parado aí?

Ele levantou as mãos, num gesto de rendição.

— Só estou tentando entender por que o senhor está tão interessado em resolver a situação dela.

A temperatura do escritório pareceu cair alguns graus.

— Porque alguém tentou me enganar dentro da minha própria casa.

— Claro.

— Rafael.

— Já estou indo, patrão.

Ele pegou a pasta, mas deixou a fotografia sobre a mesa.

Quando a porta se fechou, encarei a imagem mais uma vez.

Eu sabia por que estava irritado. Sabia por que queria descobrir quem havia participado daquela mentira e por que não aceitaria que alguém usasse meu nome para transformar uma mulher inocente em moeda de troca.

O que eu não sabia era por que me incomodava tanto imaginar Isabela voltando para aquela casa humilde, sentando à beira da cama da mãe e tentando fingir que estava tudo bem.

Talvez fosse porque eu conhecia o desespero de precisar de alguma coisa e não ter a quem recorrer.

Talvez fosse porque, apesar de tudo o que havia feito na vida, existiam limites que nem mesmo eu aceitava ver ultrapassados daquela maneira.

Ou talvez eu simplesmente odiasse a sensação de ter sido manipulado.

Escolhi acreditar na última possibilidade.

Era a explicação mais fácil.

E eu gostava de explicações fáceis quando as alternativas começavam a me incomodar.

Encontrei Isabela no corredor, perto da sala onde Rafael a havia deixado.

Ela estava de pé, com o celular junto ao ouvido.

— Eu sei, Sofia. Eu também queria estar aí. Só preciso resolver uma coisa e já vou, está bem?

Sua voz era baixa, cansada.

Parei antes que ela me percebesse.

— Não conta para a mãe ainda — continuou. — Ela não pode ficar nervosa por minha causa. Diz que fui resolver aquele assunto do dinheiro e que estou tentando encontrar uma solução.

Houve uma pausa.

Isabela fechou os olhos.

— Eu sei que você está com medo. Eu também estou, mas vai ficar tudo bem. Eu prometo.

Aquela última frase me fez apertar os dentes.

Ela estava tentando tranquilizar a irmã enquanto mal conseguia controlar a própria respiração.

Não precisava ser especialista para perceber que estava assustada.

Quando encerrou a ligação, guardou o celular e passou as mãos pelo rosto. Só então percebeu minha presença.

Seu corpo ficou imediatamente rígido.

— O que o senhor quer?

Direta.

Sem rodeios.

— Preciso conversar com você.

Ela olhou para o corredor, como se procurasse Rafael.

— Eu já expliquei tudo o que aconteceu.

— Eu sei.

— Então não tenho mais nada para dizer.

Fez menção de passar por mim, mas não a segurei. Apenas me movi o suficiente para que ela percebesse que eu ainda não tinha terminado.

Ela parou, tensa.

— Não vou encostar em você — falei.

— Eu não disse que o senhor ia.

— Mas está olhando para mim como se esperasse que eu fizesse isso.

A expressão dela mudou.

Por um instante, pareceu que responderia alguma coisa atravessada. Em vez disso, respirou fundo.

— Eu não conheço o senhor. Não sei o que é capaz de fazer. Então, sim, estou com medo.

A honestidade me pegou desprevenido.

Ela não tentou suavizar a resposta, não fingiu coragem e não se desculpou por sentir medo.

Apenas disse a verdade.

— Justo — respondi.

Isabela pareceu não esperar aquilo.

— O quê?

— Você tem motivos para não confiar em mim. Não vou exigir que confie.

Ela me estudou com cautela, como se tentasse descobrir se havia alguma provocação escondida naquelas palavras.

Não havia.

Eu não precisava que ela confiasse em mim. Precisava que entendesse que a situação seria resolvida, independentemente do que Marcelo tivesse planejado.

— Descobri algumas coisas sobre você — continuei.

O rosto dela perdeu um pouco da cor.

— Sobre mim?

— Sua mãe está internada. Você trabalha para ajudar a família e tem tentado conseguir dinheiro para o tratamento.

Ela apertou a alça da bolsa.

— O senhor mandou me investigar?

— Mandei.

— Por quê?

— Porque precisava saber se você fazia parte da mentira do Marcelo.

A indignação tomou conta de sua expressão.

— Eu já disse que não sabia de nada!

— E as informações que recebi confirmam o que você disse.

Ela ficou em silêncio.

Observei a maneira como seus dedos se apertavam contra a bolsa, como se ela estivesse tentando impedir as próprias mãos de tremer.

— Eu não pedi para ninguém me colocar nessa situação — murmurou. — Já tenho problemas demais. Não precisava disso.

A frase foi simples, quase um desabafo.

Mas havia um cansaço tão profundo nela que, por um instante, não encontrei uma resposta.

Eu poderia ter dito que entendia.

Seria mentira.

Não entendia como era contar moedas para comprar comida, escolher qual conta atrasar ou passar noites num hospital esperando que um médico trouxesse notícias melhores.

Minha vida nunca havia sido assim.

Mas eu conseguia reconhecer quando alguém estava perto de desabar.

— Marcelo usou o tratamento da sua mãe para conquistar sua confiança — falei. — Ele sabia que você estava desesperada por dinheiro e aproveitou isso.

Os olhos dela se encheram de lágrimas.

— Eu devia ter percebido.

— Não.

Ela me encarou, surpresa.

— Você confiou numa pessoa que se apresentou como alguém disposto a ajudar. O fato de ele ter mentido não significa que você tenha culpa.

Isabela ficou olhando para mim como se não soubesse o que fazer com aquelas palavras.

Depois, desviou o rosto.

— Isso não muda nada. Minha mãe continua no hospital, eu continuo sem dinheiro e agora tenho medo até de voltar para casa.

A última frase saiu tão baixa que quase não ouvi.

Mas ouvi.

E alguma coisa dentro de mim se contraiu.

Eu poderia ter prometido que ninguém tocaria nela. Poderia ter dito que resolveria tudo, que pagaria o tratamento ou que mandaria meus homens garantir a segurança da família.

Não fiz nada disso.

Promessas eram fáceis.

E eu não queria que Isabela confundisse a minha decisão de esclarecer aquela história com uma obrigação de confiar em mim.

— Rafael vai providenciar um carro para levar você ao hospital — falei. — Ninguém vai impedir sua saída.

Ela ergueu a cabeça depressa.

— Eu posso ir agora?

— Pode.

Por alguns segundos, Isabela pareceu incapaz de acreditar.

— E o Marcelo?

— Vai responder pelas próprias escolhas.

Ela apertou os lábios, tentando conter o choro.

— Eu só quero que ele fique longe da minha família.

— Vou garantir que ninguém use sua mãe ou sua irmã para pressionar você enquanto eu investigo o que aconteceu.

Ela me encarou por um longo momento.

— Por que está fazendo isso?

A pergunta ficou entre nós.

Eu poderia ter dado uma resposta simples. Porque Marcelo havia mentido. Porque ninguém tinha o direito de usá-la daquela maneira. Porque eu não tolerava que tentassem me manipular.

Todas seriam verdadeiras.

Nenhuma explicaria por que eu tinha ficado olhando para a fotografia dela por tempo demais.

— Porque eu não gosto de gente que usa a desgraça dos outros para se beneficiar — respondi, por fim.

Ela pareceu aceitar a explicação, embora não tivesse relaxado completamente.

— Obrigada por me deixar ir.

Não respondi.

Não queria que ela agradecesse por algo que nunca deveria ter sido colocado em dúvida.

Isabela passou por mim e seguiu na direção da escada, onde Rafael já a esperava. Observei-a se afastar, os passos rápidos, a bolsa presa junto ao corpo e o rosto virado para a frente, como se estivesse com medo de mudar de ideia se olhasse para trás.

Quando ela desapareceu, voltei ao escritório.

A porta mal tinha se fechado quando meu celular tocou.

Era Rafael.

— Patrão, o carro já está levando Isabela para o hospital.

— Certo.

— Ela não quis aceitar dinheiro. Nem mesmo para pagar o transporte depois que chegasse lá.

Franzi a testa.

— Eu não ofereci dinheiro a ela.

— Eu sei. Estou só dizendo que ela recusou quando mencionei que poderia ajudar com as despesas da viagem.

Fiquei em silêncio.

Rafael continuou:

— Ela disse que não queria dever nada a ninguém.

Apertei o aparelho na mão.

Não era difícil entender por que Isabela reagiria daquela maneira. Depois do que Marcelo fizera, qualquer oferta poderia parecer uma nova armadilha.

Ainda assim, aquela frase ficou comigo.

Não queria dever nada a ninguém.

Talvez fosse justamente por isso que ela havia me encarado daquela maneira. Não queria que ninguém decidisse o que fazer com sua vida, mesmo quando estava desesperada o suficiente para aceitar ajuda.

— Não ofereça mais nada sem que ela peça — ordenei. — Se precisar de alguma coisa, quero saber, mas ninguém vai pressioná-la.

— Entendido.

Desliguei.

Fui até a janela do escritório e observei os carros estacionados no pátio. Lá fora, meus homens continuavam em seus postos, a rotina da casa seguia normalmente e os problemas que eu tinha antes daquela tarde continuavam esperando por mim.

Mas havia uma diferença.

Agora, eu sabia que Marcelo não havia trazido Isabela até ali por acaso. Ele tinha escolhido uma mulher vulnerável, mentido sobre um empréstimo e tentado transformar o desespero dela em uma oportunidade de quitar a própria dívida.

E, se alguém o havia ajudado a planejar aquilo, eu queria saber quem.

Porque uma coisa era um devedor tentar ganhar tempo.

Outra, muito diferente, era alguém usar meu nome para esconder uma armadilha.

Eu estava decidido a descobrir a verdade antes que qualquer coisa fosse feita em relação à dívida.

Não por Isabela, dizia a mim mesmo.

Pelo meu próprio nome.

Pela minha casa.

Pela necessidade de saber quem estava tentando me manipular.

Era uma explicação razoável.

Então por que, mesmo depois de ela ter ido embora, eu continuava lembrando dos olhos daquela garota?

A resposta me irritou.

Peguei a pasta da dívida e a abri novamente, obrigando minha atenção a se concentrar nos números.

Foi quando a porta se abriu.

Rafael entrou sem bater.

Aquilo, por si só, já era suficiente para me deixar alerta.

— Espero que você tenha uma boa razão para entrar assim.

Ele fechou a porta atrás de si e colocou outra pasta sobre a mesa.

— Tenho, patrão.

Olhei para o documento.

— O que aconteceu?

Rafael puxou uma cadeira, mas não se sentou. Abriu a pasta e retirou algumas folhas, organizando-as diante de mim.

— Estava verificando os registros antigos ligados à dívida do Marcelo. Encontrei uma referência ao nome de Helena Martins.

Meu corpo ficou imóvel.

— A mãe da Isabela?

— Sim.

Olhei para as folhas.

O nome estava ali, impresso num registro antigo, associado a uma cobrança que eu não reconhecia.

— Que porra é essa?

— Ainda não tenho todas as respostas. A dívida não foi feita por Isabela, nem encontrei indícios de que Helena tenha negociado diretamente com o Marcelo. Mas o nome dela aparece vinculado ao registro.

Passei os olhos pelo documento, tentando encontrar uma explicação.

— Quem colocou isso aqui?

— Estou verificando. Só que tem mais uma coisa.

Levantei o olhar.

Rafael parecia mais sério do que antes.

— A cobrança deveria ter sido encerrada há meses. Mas alguém fez um pagamento para mantê-la ativa.

O silêncio caiu sobre o escritório.

Voltei a olhar para o nome de Helena.

A mãe de Isabela estava internada, a filha tinha sido enganada e, agora, uma dívida que não deveria continuar existindo parecia estar ligada àquela família.

Não era coincidência suficiente para me convencer.

Mas era suspeito demais para ser ignorado.

— Descubra quem fez esse pagamento — ordenei.

Rafael assentiu.

— Já estou tentando rastrear.

Fechei a pasta devagar.

Pela primeira vez desde que Isabela havia entrado na minha casa, a dívida de Marcelo deixou de parecer um problema isolado.

Havia alguma coisa por trás daquela história.

E eu começava a suspeitar que a garota que todos tentaram transformar em pagamento era, na verdade, a peça de um jogo muito maior.

Nota da autora ❤️‍🔥

Meninas, o nome da mãe de Isabela apareceu em uma dívida misteriosa, e alguém está pagando para que essa cobrança continue ativa! Quem será que está por trás disso — e o que essa pessoa quer com essa família?

Me contem nos comentários: vocês acham que Marcelo agiu sozinho ou alguém poderoso está manipulando essa história?

Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • Vendida ao dono do morro    10

    CAPÍTULO 10 — A DÍVIDA ESCONDE OUTRA VERDADENarrador: DanteEu não gostava de Augusto Vasconcelos.Na verdade, poucas pessoas conseguiam despertar em mim tanta desconfiança quanto aquele homem. Ele era inteligente, calculista e tinha o péssimo hábito de acreditar que dinheiro era suficiente para comprar qualquer coisa.Já havíamos cruzado caminhos algumas vezes, sempre em situações nas quais interesses diferentes acabavam se encontrando. Nunca fomos aliados de verdade. No nosso mundo, uma parceria podia durar enquanto fosse conveniente, e eu sabia muito bem que Augusto era o tipo de homem capaz de sorrir enquanto preparava uma armadilha.Por isso, quando Rafael confirmou que Marcelo tinha se encontrado com um funcionário ligado a ele, minha desconfiança aumentou.A história estava longe de ser apenas uma dívida.E eu pretendia descobrir o motivo antes que alguém resolvesse dar outro passo.Estava no escritório desde cedo, analisando os documentos que Rafael havia reunido. Havia regis

  • Vendida ao dono do morro    9

    CAPÍTULO 9 — A GAROTA POR TRÁS DO SILÊNCIONarradora: IsabelaEu nunca pensei que sentiria tanta saudade da minha casa.Era pequena, tinha alguns móveis antigos, paredes que precisavam de uma pintura e uma cozinha onde mal cabiam duas pessoas ao mesmo tempo. Mas era nossa. Cada cantinho guardava uma lembrança, cada barulho fazia parte da rotina e, mesmo com todas as dificuldades, eu sabia que aquele era o meu lugar.Na mansão de Dante Ferraz, tudo era diferente.O quarto era enorme, a cama parecia mais confortável do que qualquer outra em que eu já havia dormido e o banheiro tinha mais espaço do que a nossa cozinha. Ainda assim, eu não conseguia me sentir em casa.Talvez porque não estivesse.Estava sentada perto da janela, com os joelhos dobrados e o celular nas mãos. Já tinha conversado com Sofia duas vezes naquela noite. Minha irmã estava cansada, mas insistia em dizer que estava tudo bem.Eu sabia que ela estava tentando me tranquilizar.Minha mãe continuava internada, e eu não co

  • Vendida ao dono do morro    8

    CAPÍTULO 8 — ELA NÃO TEM MEDO DE RESPONDERNarrador: DanteEu estava acostumado a ser obedecido.Não precisava repetir uma ordem, levantar a voz ou explicar minhas decisões. As pessoas ao meu redor conheciam minha maneira de agir e sabiam que questionar minhas determinações raramente terminava bem.Mas Isabela Martins parecia não ter recebido o aviso.Desde que chegou à minha casa, aquela garota fazia questão de deixar claro que não estava satisfeita com absolutamente nada. Não aceitava ajuda sem questionar, não escondia quando alguma coisa a incomodava e, principalmente, não parecia impressionada com o que eu tinha.Aquilo era estranho.Eu já tinha conhecido mulheres que se aproximavam por interesse, que tentavam chamar minha atenção e que enxergavam minha posição como uma oportunidade. Isabela não demonstrava nada disso.Ela queria ir embora.E fazia questão de repetir.Estava no escritório quando Rafael entrou sem bater.— Bom dia, patrão.— Aprendeu a bater na porta ou ainda está

  • Vendida ao dono do morro    7

    CAPÍTULO 7 — SOB O TETO DE DANTE FERRAZNarradora: IsabelaEu nunca imaginei que passaria uma noite na casa de Dante Ferraz.Na verdade, nunca imaginei que conheceria aquele homem. Muito menos que acabaria envolvida em uma dívida que não era minha, numa investigação sobre o passado da minha mãe e em uma situação da qual eu só queria escapar.Mas ali estava eu.Sentada no banco de trás de um carro, voltando do hospital para a mansão do homem que me havia recebido como pagamento de uma dívida.A diferença era que, dessa vez, eu sabia por que estava indo.— Não existe outro lugar onde você possa ficar esta noite? — Rafael perguntou, olhando pelo retrovisor.Suspirei.— Minha casa.— Dante já explicou que a situação ainda não está segura.— E eu já expliquei que não quero ficar na casa dele.Rafael ficou em silêncio por alguns segundos.— Marcelo desapareceu.Virei o rosto na direção dele.— Como assim, desapareceu?— Depois que foi levado para conversar com alguns homens, não conseguimos

  • Vendida ao dono do morro    6

    CAPÍTULO 6 — MINHA MÃE PRECISA DE MIMNarradora: IsabelaEu só queria chegar ao hospital.Desde que havia saído da mansão de Dante, minha cabeça estava cheia de perguntas, mas nenhuma delas era mais importante do que saber como minha mãe estava. Eu precisava vê-la, segurar sua mão e ter certeza de que ela continuava ali.O carro seguia pelas ruas do Vidigal, acompanhado por outro veículo. Rafael estava no banco da frente, enquanto eu permanecia atrás, abraçada à minha bolsa.Não tinha pedido aquela escolta. Na verdade, se dependesse de mim, teria ido sozinha. Mas Dante havia determinado que seus homens me acompanhassem, e eu já tinha percebido que não seria fácil contrariar suas ordens.Olhei pela janela.As pessoas caminhavam pelas ruas, algumas conversavam nas portas de casa, outras carregavam sacolas e crianças brincavam nas calçadas. Tudo parecia tão normal que chegava a ser estranho pensar que, poucas horas antes, minha vida tinha virado de cabeça para baixo.— Está tudo bem aí a

  • Vendida ao dono do morro    5

    CAPÍTULO 5 — O OLHAR QUE ELE NÃO CONSEGUE ESQUECERNarrador: DanteEu não gostava de perguntas sem respostas.Muito menos de pessoas que entravam na minha casa carregando problemas que não me pertenciam e, de alguma forma, conseguiam transformar um assunto simples numa dor de cabeça que eu não podia ignorar.Marcelo tinha uma dívida comigo. Uma dívida alta, antiga e perigosa. Eu queria receber o meu dinheiro, descobrir por que aquele desgraçado estava demorando tanto e encerrar o assunto.Era simples.Pelo menos deveria ter sido.Mas, naquela tarde, uma garota de olhos assustados havia entrado no meu escritório e virado tudo de cabeça para baixo sem sequer saber o que estava acontecendo.Isabela Martins.O nome continuava passando pela minha cabeça, e aquilo estava começando a me irritar.Eu não costumava pensar nas pessoas depois que elas saíam da minha frente. Não tinha tempo para isso. Minha vida era feita de decisões, cobranças, alianças e problemas que precisavam ser resolvidos a

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status