LOGINA casa estava cheia de um barulho gostoso e que tinha se tornado familiar. Não era uma festa grande. Só família. Balões brancos e dourados flutuavam pelo teto, a mesa estava coberta de doces e presentinhos pequenos, e no centro da sala Giulia sorria com a mão apoiada na barriga já um pouco evidente.O chá de bebê dela e do Marco era íntimo, exatamente do jeito que eles queriam.Eu estava sentada no sofá, com Matteo no colo, quando anunciaram a hora de estourar os balões. Ela e as outras titias amavam ficar babando e mimando ele para todos os cantos.Ele já tentava se jogar para a frente, inquieto, querendo engatinhar para todo lado.Natália se aproximou sorrindo e o pegou de mim com a naturalidade de quem já fazia aquilo várias vezes por semana. Eu amava, porque ele estava comessando a ficar muito pesado, principalmente por conta da minha barriga.
Eu abri os olhos devagar, piscando várias vezes até a luz suave do quarto deixar de doer.Por um momento fiquei completamente desorientada, tentando entender por que meu corpo parecia tão pesado e por que havia um silêncio tão estranho ao meu redor.Virei a cabeça com cuidado e vi um berço ao lado da cama. Branco, delicado, com um móbile de passarinhos parado no ar. E os acontecimentos começaram a voltar pouco a pouco na minha cabeça.Do lado, Alessandro cochilava na poltrona. A cabeça inclinada para o lado, os braços cruzados, os cabelos ainda molhados grudados na testa. Ele parecia ter tomado banho há pouco e dormido ali mesmo, vigiando.Assim que me mexi no colchão, ele despertou. Os olhos se abriram de imediato e ele endireitou a postura na cadeira num movimento rápido, como se tivesse acabado de ser pego no flagra.— Hey…
Eu ainda estava sujo de sangue. O líquido um pouco fresco grudava na manga e em parte do colete. Eu nem tinha tirado o lençol para ver o rosto deles. Não precisava. Já sabia o que tinha sido feito. Agora eu só esperava, apoiado na ombreira da porta de um dos quartos, o corpo pesado louco para um descanço e tentando controlar a respiração.Meus homens circulavam pela propriedade expulsando todos os funcionários. Um deles guardava o corredor dos empregados do outro lado, exatamente para que ninguém tentassepegar a criança de novo. Não íamos perder essa oportunidade.Enquanto esperava, minha mente começou a divagar em possiveis nomes, os que eu gostava. Algo que combinasse com Rossi. Eu gostava muito de Matteo. Matteo Rossi. Soava certo na minha cabeça.Foi nesse momento que ouvi os passos rápidos no corredor.Isabella apareceu correndo. O rosto molhado de lágrimas, o cabelo bagunçado, a respiração descompassada. Ela veio direto para os meus braços, se jogando contra o meu peito com força
Ela não respondeu. Ou ela estava muito chocada ou insistia em ganhar tempo e me enrolar. Os olhos estavam arregalados de choque, mas ela fingia tanto que ali nada parecia real. O silêncio se arrastou por alguns segundos longos demais e eu já estava ficando impaciente.— Eu perguntei, o que vai ser — insisti, a voz baixa, quase cansada. — Na boa ou na força.Ela engoliu em seco e, de repente, o teatro voltou. Mais fraco e menos exagerado, mas ainda tentando.— Alessandro… meu filho… você jamais faria isso com a sua própria mãe. Eu te carreguei nove meses. Eu te dei a vida. Você não pode… não pode me tratar assim. Eu só queria o melhor. Você está deixando a raiva te cegar. Por favor…Eu apenas a olhei. Sem expressão. Sem responder. Ela hesitou, depois forçou um sorriso trêmulo e teatral.— Pelo menos… pelo menos me acompanhe no meu último café da manhã. Só isso. Sente-se comigo. Fale comigo como antes. Me dê essa última coisa. Por favor. Eu mereço ao menos isso, não mereço?Continuei ol
O rosto dela mudou em um segundo. Os olhos se arregalaram, a boca se abriu num “o” silencioso. A surpresa pura, crua, como se eu tivesse aparecido do nada no meio de um sonho seguro. Mas a reação de choque era totalmente ensaiada e artificial.A peruca ruiva ainda estava na cabeça de manequim, o cabelo verdadeiro dela estava a mostra. Um loiro um pouco sem vida e mais escuro do que eu me lembrava, com fios brancos um pouco aparente. Um pouco bagunçado por causa do travesseiro. Ela estava um pouco mais descuidada e menos vaidosa do que era, talvez por conta da peruca que tanto usa. Ela se sentou na cama de um pulo, puxando o lençol contra o peito.Eu a olhei e senti exatamente o que sentia quando a via sua fotos atuais: desprezo. Uma repulsa profunda, quase física, que subia pela garganta junto com a bilis. Não me importava o sangue. Não importava que ela me tivesse gerado. Aquela mulher era veneno puro. Cada linha do rosto dela me lembrava traição, mentira e a forma como ela tinha tr
Ficar parado esperando seria pior. Estávamos vulneráveis demais naquele ponto, escondidos atrás da pouca vegetação. Então dei o sinal e saímos nos aproximando aos poucos, usando a sombra das árvores e o movimento natural do amanhecer.Os empregados começavam a circular pelo terreno e pareciam pouco atentos ao que acontecia ao redor deles. Jardineiros, cozinheiras, gente carregando baldes e ferramentas passavam de um lado para o outro. Ninguém parecia interessado em mais alguns homens de roupa escura e prática.Vitoriosamente estavamos passamos despercebidos no meio deles. Pura sorte. Um grupo de seguranças atravessou o caminho à nossa frente, indo preguiçosamente em direção à frente da casa. As roupas deles eram muito semelhantes às nossas, todas pretas, discretas, sem identificação. Era o momento de aproveitarmos a oportunidade e nos encaixamo no fluxo e entramos pela porta de serviço junto com outros funcionários, como se fizéssemos parte da rotina matinal.Por dentro, a casa tinha







