Mag-log inAprendi cedo que, na nossa família, tudo tem um motivo e nada acontece por acaso. Depois do casamento, o normal seria que Lucas e Marina fossem direto para a casa própria que meu pai tinha comprado para eles, ou pelo menos fossem morar na residência que ele mesmo já tinha preparado. Mas não foi o que aconteceu. Logo na semana seguinte à volta da lua de mel, Lucas veio falar comigo, com aquele seu jeito tranquilo, mas com uma determinação que eu já conhecia bem.
__Pode falar,mas fale logo que estou trabalhando, tenho que preparar,uns trabalhos pra apresentar amanhã na reunião, afinal não estou de férias e nem lua de mel igual você — Calma irmão. Rafael, preciso conversar com você sobre uma coisa — disse ele, parado na porta do meu escritório aqui em casa, com as mãos nos bolsos e um meio sorriso no rosto. — A casa que o pai reservou para a gente ainda está com a pintura terminando e os móveis não chegaram todos. Os fornecedores atrasaram a entrega e não adianta ficar lá num lugar sem conforto, não é mesmo? Eu levantei o olhar dos papéis que estava lendo e respondi direto: — Entendo, mas e onde vão ficar até ficar pronto? A casa do pai tem espaço, ou vocês poderiam ficar num hotel até resolver. Lucas deu um passo para dentro, fechou a porta atrás de si e falou com mais calma, como se estivesse pedindo um favor, mas deixando claro que já tinha pensado em tudo: — A casa do pai é muito cheia de gente, muita movimentação, e ele vive recebendo visitas de negócio. Não seria bom para a Marina se acostumar, ela ainda está se adaptando a tudo isso. E hotel? Não combina com o nome da nossa família, ficar hospedado como estranhos na própria cidade. Pensei: por que não ficar aqui, na sua casa, só por um tempo? Você tem espaço de sobra, o quarto de hóspedes é grande, tem toda a privacidade e a tranquilidade que a gente precisa. Seria só por dois ou três meses, no máximo, até tudo ficar arrumado. Você não se importa, não é, irmão? Fiquei olhando para ele por alguns segundos, analisando suas palavras. Minha opinião? No fundo, eu desconfiei logo. Não era só a desculpa dos móveis ou da pintura. Lucas tinha seus planos, e essa história de ficar aqui parecia mais uma forma de manter tudo sob o seu controle, de perto. Mas ao mesmo tempo, pensei: recusar ia levantar suspeitas, ia parecer estranho, ainda mais depois de tudo o que aconteceu. Se eu dissesse não, ele poderia começar a fazer perguntas, ou pior, contar alguma coisa para o nosso pai, Antônio, que é um homem que não gosta de desentendimentos na família. Além disso, também pensei: se eles ficarem aqui, pelo menos eu estou por perto, posso ver o que se passa, não preciso ficar imaginando o que eles fazem longe dos meus olhos.Se for o que eu estou pensando de Lucas tenho que ter ele perto de mim. E meu pai está me chamando pra conversar com ele, estou atrasando essa conversa,e se eu disser não pra Lucas,o velho esperto e a mãe que está de olho em mim, vai desconfiar. — Tudo bem — respondi, com a voz firme, sem demonstrar a desconfiança que sentia. — Aqui tem espaço suficiente, não vai atrapalhar. Mas é como você disse: só por um tempo, até a casa de vocês ficar pronta. Depois cada um segue a sua vida, cada um na sua morada. Lucas abriu um sorriso mais largo, parecendo muito satisfeito com a resposta. — Claro que sim! Muito obrigado, Rafael. Você é o melhor irmão que alguém poderia ter. Não vai dar trabalho nenhum, eu garanto. E assim foi feito. No dia seguinte, eles trouxeram suas malas e se instalaram no quarto ao lado do meu, no andar de cima. A minha casa é espaçosa, tem sala ampla, cozinha grande, varanda que dá para o jardim e uma área de serviço separada. Para quem não sabe de nada, parecia uma solução prática e normal. Mas para mim, aquilo significava que eu teria que conviver diariamente com Marina, lembrando a cada dia daquela noite que eu queria apagar da memória, mas que não saía da minha cabeça. No começo, a rotina correu como esperávamos. Cada um tinha os seus horários: eu saía cedo para cuidar dos meus negócios, voltava ao meio-dia para almoçar e depois saía de novo ou ficava no meu escritório trabalhando até a noite. Lucas também tinha seus compromissos, ia ao escritório do nosso pai, participava de reuniões, fazia contatos, como quem já ia aprendendo a tocar os negócios da família. Mandei uma moça ficar de olho na Marina, afinal ela também não gosta de mim, tem que ficar vigiada. Pelo que fiquei sabendo,Marina ficava em casa, ajudava a empregada a organizar as coisas, arrumava os armários, passeava um pouco pelo jardim, sempre com um ar calado, reservado, como se estivesse ali apenas de passagem. Mas com o passar das semanas, comecei a perceber as mudanças nela,a Leona também ia me contando sua observação, é igual a minha. No início pensei que fosse apenas cansaço, ou a adaptação a uma casa nova e a uma vida totalmente diferente da que tinha antes. Mas os detalhes foram aparecendo, um por um, e eu não conseguia deixar de notar. Uma manhã, desci para tomar café e encontrei ela parada perto da mesa, com a mão apoiada na cadeira, a cabeça baixa e a pele pálida como cera. Antes que eu pudesse perguntar o que tinha, ela levou a outra mão à boca, correu até a janela e ficou respirando fundo, como se quisesse evitar passar mal ali mesmo. — Está tudo bem, Marina? — perguntei, parado a alguns passos de distância, sem chegar muito perto. Ela virou o rosto devagar, os olhos um pouco marejados, e respondeu com a voz fraca: — É só uma indisposição, Rafael. Deve ter comido algo que não me fez bem ontem à noite. Já passa. Não disse mais nada, mas fiquei observando. Poucos minutos depois, quando a empregada trouxe a garrafa de café quente e o pão com manteiga, Marina fez uma careta de desgosto, virou o rosto para o lado e saiu da sala dizendo que não tinha fome. Eu olhei para Lucas, que estava sentado à mesa, e vi que ele também tinha reparado. Ele franziu a testa, ficou olhando para a porta por onde ela saiu e comentou num tom baixo: — Estranho,ela nunca reclamou de nada, sempre comeu de tudo. Será que pegou alguma virose na viagem? — Deve ser — respondi, tentando parecer indiferente, mas por dentro meu coração já começou a bater mais forte, será que Lucas a engravidou ou eu? Os dias foram passando e essas situações se repetiam cada vez mais. Ao meio-dia, quando a comida era servida, muitas vezes ela ficava com a cabeça pesada, dizia que sentia tontura e tinha que se sentar rapidamente para não cair. Uma vez, eu estava saindo do meu escritório e passei pelo corredor, vi ela apoiada na parede, fechando os olhos com força, respirando com dificuldade. — Marina! — chamei, me aproximando sem querer ser invasivo. — Quer que eu chame alguém? Ela abriu os olhos devagar, tentou sorrir, mas era um sorriso fraco, sem vida: — Não precisa, eu já estou melhor. É só que às vezes me levanto rápido demais e a cabeça gira. É coisa de poucos minutos. Mas eu sabia que não era só isso. Comecei a prestar mais atenção, sem deixar ninguém perceber. Notei que ela dormia muito mais cedo, às vezes antes mesmo de anoitecer, e pela manhã custava a levantar. Tinha olheiras que não eram de cansaço comum, e o seu peito subia e descia mais rápido quando sentia certos cheiros mais fortes — como o tempero do alho ou o aroma do assado que saía da cozinha.Estou começando a perceber que eu também sou observador igual mãe e pai. E Lucas? Ele também não era bobo. Ele observava de um jeito diferente, mais atento, mais analítico. Certa noite, depois do jantar, ficamos nós dois na varanda, tomando um copo de suco, e ele começou a falar, como se estivesse apenas comentando, mas com um tom que deixava dúvidas no ar: — Você tem notado como a Marina está mudando, irmão? — perguntou ele, olhando para o jardim escuro. — Ela fica pálida, perde o apetite, reclama de mal-estar quase todos os dias. Não é normal, não é? Está com um copo de uísque na mão. E eu estou tomando vinho, minha bebida preferida,o melhor vinho lógico. Engoli em seco, tentando manter a calma na voz: — Talvez seja o estresse de tudo o que aconteceu em pouco tempo. Casamento, viagem, mudança de vida. Muitas mulheres ficam assim quando tudo muda de repente. Dá um tempo, ela volta ao normal. Lucas virou o rosto e me olhou nos olhos, com aquele brilho que eu já conhecia e que me dava calafrios: — Será? Ou será que é outra coisa? Já ouvi dizer que esses sintomas, essas tonturas, enjoos pela manhã… são sinais que aparecem logo no início, para quem espera um filho. Senti o sangue gelar nas veias. Fiquei parado, com o copo na mão, sem saber o que responder na hora. A minha cabeça girava: se for isso mesmo, como explicar? Marina e ele serão pais, será que ele está esfregando na minha cara? Se ela estiver grávida, a única explicação possível é aquela noite, o erro que nós dois cometemos. Ou é do meu irmão eu aperto o copo um pouco,ele observou minhas mãos. — Você está pensando besteira, Lucas ou talvez seja,você será pai,ainda está cedo para te dá parabéns— respondi, depois de um instante, com uma firmeza que eu não sentia por dentro. — Ela tem só 19 anos, o corpo dela é novo idade da fertilidade, pode ser qualquer coisa.talvez seja cedo pra tirar conclusões precipitadas sem saber de fato. Ele deu uma risada baixa, sem alegria, e voltou a olhar para fora: — É, talvez você tenha razão. Mas se for verdade, é uma boa notícia, não é mesmo? Um herdeiro para a família Capeball, ainda mais tão cedo. O pai que sou eu vou ficar muito satisfeito. Mas eu percebia, na forma como ele falava, que não era só satisfação que ele sentia. Havia observação, como se ele já estivesse armando as peças e esperando o momento certo para ver o que realmente estava acontecendo. E eu também, a cada dia, sentia uma mistura estranha: não era amor, nem alegria, nem desespero total — era uma consciência pesada, um alerta constante. Quando eu via Marina passar mal, meu coração começa despertar,se for meu filho eu vou amar,mas não tenho direito,a mulher está mais lenta, com o corpo mudando pouco a pouco, com aquela cara de quem carrega algo que não pode dizer, eu pensava: o erro não ficou parado ou ficou. A convivência na casa ficou mais pesada do que antes. Os diálogos eram sempre educados, sempre curtos, sem profundidade. Eu fazia questão de manter a distância, cumprimentar apenas o necessário, ficar no meu canto, no meu trabalho, para não dar margem a comentários. Mas mesmo assim, cada movimento dela, cada vez que ela saía da mesa, cada vez que fechava os olhos com dor de cabeça, eu sentia que a verdade estava chegando cada vez mais perto da superfície. Vou tentar não voltar pra casa,vou almoçar na empresa,as coisas podem esquentar por aqui. Vou falar com Lucas pra adiantar a obra da casa dele. Uma tarde, eu estava organizando alguns papéis na sala de estar e ela entrou, procurando um livro na estante. Parou de repente, segurou-se na prateleira e soltou um suspiro baixo, quase imperceptível. — Está acontecendo de novo? — perguntei, sem conseguir me conter, antes de pensar se devia ou não falar. Ela virou para mim, os olhos nos meus, e por um segundo pareceu que ela queria dizer algo, perguntar, pedir alguma coisa — mas depois fechou a boca, desviou o olhar e respondeu com a mesma indiferença de sempre: — É só um pouco de tontura, Rafael. Já passa. Não se preocupe,finge que eu não estou aqui. __Mas como não se preocupar? E você está aqui.Eu sabia o que poderia ser, e Lucas já desconfiava,mas ele sabe que é o pai,mas eu desejo que seja do meu irmão,eu tinha certeza , Marina carregava um filho. a felicidade do casal será tanta que eles vão embora pra Bagdá E eu vou ficar, aqui na minha própria casa tranquilinho, tranquilinho, onde tudo parece "maravilha" e organizado. vejo a tempestade se formando bem devagar, sem poder fazer nada para impedir. Não consigo viver bem na minha própria casa. Acabo de receber uma mensagem do meu pai me cobrando a visita. Guardei o celular no bolso da calça, respirei fundo e tentei organizar os pensamentos. Aquela mensagem não era um convite, era uma ordem — quando Antônio Capeball pede para alguém ir até ele, não há desculpas que sirvam, e atraso é visto como falta de respeito. Olhei ao redor da sala, vi que Marina já tinha saído e Lucas estava no escritório ao telefone, então aproveitei para sair sem dar muitas explicações, apenas deixando recado com a empregada que ia até a casa do pai e voltaria mais tarde. O caminho até lá era curto, mas pareceu mais longo do que o normal, meu coração b**e forte. Na minha cabeça, já iam surgindo as possibilidades: ele queria falar dos negócios? Do andamento da empresa? Ou já tinha ouvido comentários, notado algo estranho e queria perguntar diretamente sobre Marina e a situação deles estarem morando na minha casa? Conhecia o meu pai melhor do que ninguém: ele não perdia detalhes, sabia de quase tudo o que acontecia ao nosso redor, e quando ele queria algo dito, arrancava a verdade sem precisar levantar a voz. Quando cheguei, o porteiro abriu a porta antes mesmo de eu tocar a campainha, como se já esperasse por mim. Ao entrar na sala principal, fiquei surpreso ao ver que não era só ele que estava lá. Sentada na poltrona ao lado, com a postura ereta e o olhar atento, estava Dona Elza, a mãe de Marina. Ela segurava uma xícara de chá, mas parecia mais observar o ambiente do que beber, e ao me ver chegar, levantou a cabeça e fez um aceno de cabeça seco, sem sorrir. Antônio estava de pé, olhando pela grande janela que dava para o jardim, e só virou o corpo quando ouviu os meus passos. Com a sua figura imponente, os ombros largos e o rosto com aquelas marcas de quem passou a vida tomando decisões difíceis, ele parecia maior ainda dentro daquela sala. — Finalmente chegou, Rafael — disse ele, com a voz grave e calma, sem muita demonstração de emoção. — Sente-se. Temos assuntos para conversar. Cumprimentei os dois com educação, beijei a mão de Dona Elza e me sentei na poltrona em frente a eles, mantendo a postura reta e tentando parecer tranquilo, por mais que por dentro eu já estivesse com a pulga atrás da orelha. — Não sabia que a senhora também viria, Dona Elza — comentei, só para quebrar o silêncio inicial. — Vim por um motivo que interessa a todos nós, Rafael — respondeu ela, direta e sem rodeios. — Como mãe, estou de olho na minha filha, e como parte da família agora, também preciso saber como andam as coisas. Antônio fez um gesto com a mão, pedindo calma, e começou a falar: — Rafael, não vou enrolar com você. Você sabe como funcionam as coisas aqui. Tudo tem que estar nos eixos, a imagem da família tem que estar impecável, e o acordo que fizemos com Alfredo e Elza é algo que deve ser mantido com toda a seriedade. Agora, eu tenho ouvido coisas, tenho visto coisas, e quero ouvir a sua versão. Por que Lucas e Marina ainda estão morando na sua casa? A casa que preparei para eles já poderia estar pronta há pelo menos quinze dias, se quisessem. Fiz uma cara de surpresa, como se a pergunta fosse nova para mim, e respondi com calma: — O Lucas me disse que os móveis atrasaram a entrega, pai, e que a pintura ainda estava secando em alguns cômodos. Ele achou que não seria confortável morar lá ainda, e também não queria que Marina ficasse em hotel, pois achou que não combinava com a nossa posição. Achei melhor concordar, afinal tenho espaço de sobra, não atrapalha em nada. É só por um tempo curto. Antônio olhou firme nos meus olhos, como se tentasse enxergar além das minhas palavras, e depois olhou para Dona Elza, que continuou: — Não é só isso, Rafael. Eu tenho ido visitar a minha filha, tenho falado com ela, e tenho percebido que algo não está bem. Ela anda pálida, sem apetite, reclama de tonturas e mal-estar quase todos os dias. Diz que é cansaço, mas eu conheço o corpo dela. Uma mulher na idade dela, com esses sintomas tão seguidos… não é só cansaço de mudança. Senti um nó se apertar ainda mais na garganta, mas mantive a voz estável: — Também notei isso, Dona Elza. Mas pensei que fosse o choque de uma vida nova: casamento, viagem, mudança de rotina. Tudo de uma vez pode deixar qualquer pessoa assim. Até o Lucas comentou comigo esses dias que achou estranho, mas não sabemos ao certo o que é. Antônio se sentou, apoiou os cotovelos nos joelhos e aproximou um pouco mais o corpo, com aquele tom que ele usava quando queria ser mais direto e sério: — É possível sim, mas também há outra possibilidade, não é mesmo? Sintomas como esses são muito comuns no início da gravidez. Se for esse o caso, é uma notícia excelente, algo que só fortalece ainda mais a união entre as famílias. Mas se não for, temos que saber o que é, para tratar logo e não deixar que nada interfira na tranquilidade de todos. Ele fez uma pausa, e depois completou: — Mas há uma coisa que me intriga, Rafael. Se ela estiver esperando um filho, já deve ter passado mais de dois meses do casamento, o que faz sentido para esses sinais aparecerem. Mas eu quero saber de você: como é a convivência entre eles? Você mora na mesma casa, vê tudo de perto. Eles estão bem? Se dão como marido e mulher devem se dar? Não há nada de estranho, nada que fuja do normal? A pergunta me pegou de surpresa, mas eu tinha que responder com cuidado, sem levantar suspeitas, mas também sem mentir de forma a deixar lacunas:Mas porque eles não pergunta para o Lucas? _ Cadê mãe,pai?E cadê seu marido dona Elza? _Sua mãe está lá em cima. _meu marido foi pescar. _Vamos continuar . Meu pai falou. — Eles se tratam com educação, pai, como deve ser. Não há brigas, não há discussões. São um pouco reservados, sim, mas cada um tem o seu jeito. O Lucas anda muito ocupado com os negócios, e Marina ainda está se acostumando com tudo, então não costumam sair muito nem fazer grandes demonstrações. É tudo calmo, mas normal. Foi então que Dona Elza se inclinou para frente, com um olhar mais afiado: — Eu também percebo isso. A minha filha sempre foi calada, mas agora parece ainda mais distante, como se estivesse guardando algo para si mesma. E ela e o Lucas… não vejo aquela proximidade que se espera de um casal que acabou de se casar. Não me abraçam, não conversam com intimidade, parecem mais duas pessoas que dividem o mesmo espaço do que marido e mulher. Você, Rafael, que está lá todos os dias, não percebe isso também? Engoli em seco, pensando rápido no que dizer. Não podia confirmar demais, nem negar totalmente: — É verdade que não são de muita demonstração, mas cada casal tem o seu ritmo, não é mesmo? Talvez estejam se conhecendo ainda, levando as coisas com mais calma. Não vejo nada de errado nisso, só um jeito mais reservado de levar a vida. Antônio ficou em silêncio por alguns segundos, batendo devagar com os dedos sobre o braço da poltrona, um gesto que ele fazia quando estava pensando em várias coisas ao mesmo tempo. Depois, ele levantou a cabeça e disse: — Tudo bem, por enquanto. Mas eu quero que você fique de olho, Rafael. Você é o mais velho, tem mais juízo, e é de confiança. Seja o que for que esteja acontecendo, se for algo bom, vamos receber de braços abertos. Se for algo que possa trazer problemas ou dúvidas, eu quero saber antes que vire algo maior. Não quero surpresas, entendeu? A reputação da família Capeball e da família dela não pode ser colocada em risco por nada nem ninguém. — Entendi, pai — respondi, com firmeza. — Vou ficar atento e qualquer coisa que perceba, venho lhe contar imediatamente. Dona Elza se levantou, ajeitou a saia e disse com uma voz mais suave, mas ainda cheia de preocupação: — E peça também para que não a sobrecarreguem. Se ela estiver mesmo esperando um bebê, precisa de repouso, de cuidados, de não ficar muito tempo sozinha com esses pensamentos. Se precisar de algo, de um médico ou de qualquer coisa, é só avisar. — Pode deixar, Dona Elza. Vou passar a palavra para o Lucas também, para ele ter mais cuidado com ela — respondi. Antônio me acompanhou até a porta da sala, aproveitou que Dona Elza tinha saído para se despedir📖 Grávida do meu cunhadoAutora: Edivania RiosTodos os direitos reservados – LEI Nº 9.610/98Quando a Marina parou de contar tudo sobre a lua de mel e como foi voltar para casa, nossa ela falou... Falou feito uma criança.Aí nossos pais me pediram também para eu falar, mostrar entusiasmado. Então foi a minha vez de contar o resto da história. Ela sempre fala de nós, de nossos filhos, mas raramente fala do quanto ela é importante para a história.Passado 2 anos e meio depois...Hoje acordei antes de todo mundo. Ainda estava meio escuro, só com uma luz amarela começando a aparecer na borda do horizonte. Fui até a cozinha fazer café, e enquanto esperava a água ferver, olhei pela janela para o pasto: o cavalo pequeno que compramos para o menino estava ali, mordiscando o capim-verde, e as galinhas já estavam andando soltas pelo quintal.Hoje estamos na fazenda,pai , mãe, sogra, sogro.Laura acordou chorando pouco depois - ela está começando a engatinhar e quer ficar em pé o tempo todo. A
!📖 Grávida do meu cunhadoAutora: Edivania RiosTodos os direitos reservados – LEI Nº 9.610/98O dia do casamento chegou mais rápido do que eu imaginava. Eu acordei às cinco horas da manhã - nem precisava de despertador, a ansiedade já estava me acordando há horas. Minha mãe chegou cedo para me ajudar a se arrumar, e minha sogra veio logo em seguida com uma tigela de caldo de cana:— Bebe isso, filha! Vai te dar força para o dia todo! Você não pode se cansar muito, não é só você agora!Minha amiga Camila veio fazer meu cabelo e maquiagem - ela ficou olhando para minha barriga que já estava aparecendo .— Marina, você está radiante! A gravidez fica muito bem em você!Quando coloquei o vestido de noiva, eu quase chorei de emoção. A renda brilhava na luz da janela, a manga longa cobria minhas mãos delicadamente, e a cauda pequena ficava perfeita na cadeira onde eu estava sentada. Minha sogra entrou na sala e parou na porta:— Meu Deus do céu... você é a noiva mais linda que eu já vi na
📖 Grávida do meu cunhadoAutora: Edivania RiosTodos os direitos reservados – LEI Nº 9.610/98Eu sempre imaginei que seria assim - eu contando para ele sobre a gravidez de uma forma romântica, com flores e música. Mas na verdade, foi o Moisés quem acabou contando sem querer, com seu desenho de barriguinha grande.Ele ouviu eu assustada no banheiro e falei alto no susto empolgação já viu, criança não tem desconfiometro. Mesmo assim, o momento do pedido foi tudo o que eu sempre sonhei, mesmo que foi pedido novamente...Eu nem consigo explicar o que senti naquele momento - as pernas trêmulas, as lágrimas rolando sem parar, o coração parecendo querer sair do meu láito. Depois que ele viu o desenho e eu contei sobre o teste, ele ficou quieto por um segundo, depois sorriu e disse:— Marina... Você não tinha me dito que estava grávida.Mesmo assim ele afirmou:__você era a mulher da minha vida. Mas agora isso fica ainda mais real.E nesse momento que ele se ajoelhou e tirou a aliança do bols
Grávida do meu cunhadoAutora: Edivania RiosTodos os direitos reservados – LEI Nº 9.610/98Já fazia meses que eu sonhava com esse momento, mas nunca imaginei que ia virar um circo tão grande, só estava esperando Marina se divorciar,e divorciou. Decidi preparar tudo na minha casa - a casa onde tudo começou, mas agora toda arrumada, com flores em todos os cantos, mesa posta com o melhor da nossa porcelana. Minha mãe Luciana prometeu que não ia trometar tanto dessa vez, mas aí está ali, passando a mão na barriga da Marina como se fosse uma boneca de porcelana:— Cuidado, filha! Não se mexa tanto que o bebê pode ficar mal posicionado...De repente, ela viu uma das empregadas colocando as cadeiras de jeito errado e explodiu:— Dona Carmem! Para com isso! As cadeiras têm que ficar em linha reta, não em zig-zag! Se o pastor João chegar e ver isso todo desarrumado, vai pensar que a gente não tem educação!A empregada deu um jeito e falou baixinho:— Desculpe, dona Luciana... eu estava tenta
📖 Grávida do meu cunhadoAutora: Edivania RiosTodos os direitos reservados – LEI Nº 9.610/98Não sei bem como explicar o que aconteceu depois que me prenderam. Lembro que estive na delegacia por um tempo, depois levaram-me para o presídio. Lá dentro, eu não conseguia dormir, não conseguia comer - as paredes pareciam se mexer, ouvia vozes que não eram de ninguém, via coisas que ninguém via. Ficava acordado a noite toda, olhando para o teto, pensando que todo mundo estava tramando contra mim, que Rafael e Marina estavam roubando minha herança, que Patrícia estava esquecendo de mim.Meus pais foram lá nem tenho certeza se foi mesmo.Passaram uns meses assim, até que um dia vieram buscar-me: dois policiais e uma mulher de jaleco branco. Ela falou comigo de forma calma, diferente de todo mundo que eu tinha visto até então:— Lucas, eu sou a Dra. Silvana. Nós vamos levar você para um lugar diferente, onde você pode receber ajuda. É um hospital psiquiátrico - algumas pessoas chamam de clín
📖 Grávida do meu cunhadoAutora: Edivania RiosTodos os direitos reservados – LEI Nº 9.610/98Eu nunca tinha visto o Lucas assim na minha vida inteira. Nem quando brigávamos de crianças, nem quando ele descobriu que o pai tratava ele diferente de mim. Eu sempre achei que ele era o predileto, mas hoje percebo que éramos tratados iguais. Tudo se resolvia em família... mas nunca vi aquele olhar, com sangue nos olhos, como se estivesse pronto para acabar com tudo e todos.A arma estava apontada direto para a Marina, e eu senti o coração parar de bater por um segundo. O menino estava atrás de mim, abraçado na minha perna, e eu conseguia sentir ele tremer. Eu queria pular em cima dele na hora, mas sabia que qualquer movimento errado poderia acabar mal.Enquanto Marina falava com ele, tentando acalmá-lo, eu tirei o celular do bolso com a mão trêmula e liguei para a polícia. Falei baixo, quase sussurrando:— Alô, polícia? Preciso de ajuda urgente. Tem um homem armado na esquina da Rua das Fl







