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À Beira da Morte, Meu Marido Estava com a Amante
À Beira da Morte, Meu Marido Estava com a Amante
Autor: Sissi

Capítulo 1

Autor: Sissi
Cidade do Mar, hospital.

— Gravidez ectópica! Se a trompa romper, pode ser fatal! Uma cirurgia desse porte e você veio sozinha? Cadê seu marido? Ligue para ele agora mesmo. Precisamos de alguém para assinar a autorização da cirurgia!

Beatriz Ferreira suportava a dor lancinante no abdômen enquanto discava no celular.

O telefone tocou por um longo tempo.

Finalmente, do outro lado da linha surgiu uma voz fria:

— O que foi?

— Gabriel... você está ocupado? Minha barriga está doendo muito. Será que você pode...

Antes que ela terminasse a frase, ele a interrompeu com impaciência:

— Não posso. Se está com dor, procure um médico. Estou ocupado.

— Gabriel, quem é? — perguntou uma voz feminina ao fundo.

— Ninguém importante.

A voz dele mudou na mesma hora, suave e indulgente.

— Qual você quer? Eu compro para você.

Logo em seguida, veio o som seco da ligação sendo encerrada.

O coração de Beatriz parecia estar sendo lentamente dilacerado por uma lâmina.

Ao perceber o rosto dela cada vez mais pálido e a respiração acelerada, o médico gritou imediatamente:

— Rápido! Preparem a sala de cirurgia! Vamos operar agora!

Quando Beatriz acordou novamente, já estava em um quarto de hospital.

— Você acordou? A situação de ontem foi muito perigosa. Ainda bem que conseguimos operar a tempo. Caso contrário, você poderia ter morrido.

Enquanto ajustava o soro, a enfermeira não conseguiu conter a indignação:

— Seu marido também... sinceramente! Uma cirurgia tão séria e ele nem apareceu. Que irresponsável!

— Aqui está o telefone de um centro de cuidados. Se precisar, pode chamar uma cuidadora.

— Obrigada.

Beatriz pegou o cartão que a enfermeira entregou.

Ela tirou o celular do bolso, pronta para ligar para o centro de cuidados.

Porém, naquele instante, uma notícia em destaque surgiu na tela.

[Gabriel Santos, presidente do Grupo Santos e homem mais rico da Cidade do Mar, gasta 14 milhões de dólares em um leilão para arrematar um colar de diamantes, tudo para arrancar um sorriso da namorada!]

A manchete chamativa fez as pupilas de Beatriz se contraírem.

O homem bonito na foto era Gabriel.

Seu marido.

E ela... era apenas a esposa escondida nas sombras.

Durante quatro anos de casamento, Gabriel sempre manteve uma postura fria e distante.

Ela acreditava que aquilo era simplesmente parte da personalidade dele.

Na tentativa de conquistar o coração dele, Beatriz sempre procurou ser dócil, paciente e obediente.

Mas agora, ao ver Gabriel abraçando outra mulher em público, demonstrando carinho sem qualquer disfarce...

Ela finalmente entendeu.

Não era que ele fosse frio por natureza.

Ele simplesmente nunca a amou.

Uma dor aguda apertou seu peito. Seus olhos ficaram vermelhos.

Era hora de desistir.

Esse casamento de fachada que durou quatro anos precisava terminar.

Beatriz pediu alta dois dias antes do previsto.

O médico franziu a testa, preocupado.

— Seu corpo ainda está muito fraco. Por que não fica mais dois dias?

— Tenho algumas coisas para resolver em casa.

— Nesse período você precisa descansar bem. Nada de esforço físico. E lembre: absolutamente nada de relações sexuais. Volte daqui a sete dias para um novo exame.

— Obrigada, doutor. Eu entendi.

......

Beatriz voltou para a mansão no condomínio Jardins do Lago.

A empregada Odete franziu o rosto e começou a repreender:

— Você está cada vez mais sem limites! Ficou dias sem aparecer em casa e nem voltou para dormir! Se o Sr. Gabriel descobrir, vai ficar furioso!

Apesar de ser apenas uma babá, Odete se comportava quase como se fosse a sogra da casa.

Ela ajudou a criar Gabriel desde pequeno e sempre se considerou alguém de posição especial naquela família.

Quanto a Beatriz, uma esposa que nunca recebeu o amor do marido, Odete simplesmente não a levava a sério.

Beatriz sabia muito bem que aquela atitude de Odete, mesmo que não tivesse sido ordenada diretamente por Gabriel, certamente era tolerada por ele.

Caso contrário, Odete jamais teria tanta ousadia.

No passado, para agradar Gabriel, Beatriz sempre tentou agradar todas as pessoas ao redor dele.

Mesmo quando Odete a intimidava ou a humilhava, ela sempre engolia tudo em silêncio.

Mas desta vez não estava mais disposta a suportar.

Beatriz ergueu a mão e deu um tapa direto no rosto de Odete.

— Tenha respeito! Você é só uma empregada. Quem deu a você o direito de falar comigo desse jeito?

Odete levou a mão ao rosto, os olhos arregalados de surpresa, como se jamais tivesse imaginado que Beatriz teria coragem de reagir.

— Você... você teve coragem de me bater?

— Bati mesmo. E daí? Vai fazer o quê? Vai revidar?

A frieza nas palavras de Beatriz deixou Odete sem reação.

Mesmo que Gabriel nunca demonstrasse atenção por ela, Beatriz ainda era a esposa escolhida pessoalmente por Alzira, a avó de Gabriel.

Odete não tinha alternativa além de engolir a própria raiva.

Beatriz virou e subiu as escadas.

Atrás dela, Odete murmurou em voz baixa:

— De que adianta ser bonita? O Sr. Gabriel nunca gostou de você. Mais cedo ou mais tarde ele vai arrumar outra!

As palavras cruéis atingiram o coração de Beatriz como lâminas.

Ela respirou fundo.

Não importava mais. Depois de hoje, tudo que tivesse relação com Gabriel deixaria de ter importância.

Ao voltar para o quarto, Beatriz começou a separar seus pertences.

Ela tinha muito pouco.

Uma única mala foi suficiente para guardar tudo.

Quando levantou a mala, acabou forçando a ferida da cirurgia.

Uma dor aguda rasgou seu abdômen, e o suor começou a escorrer pela testa.

Ela tomou vários comprimidos para dor até conseguir aliviar um pouco.

Talvez por causa do efeito do remédio, acabou se deitando na cama e adormeceu, meio atordoada.

No meio da noite, uma figura alta entrou no quarto.

Logo depois, ouviu o som da água correndo no banheiro.

Cerca de vinte minutos mais tarde, Gabriel saiu com apenas uma toalha enrolada na cintura.

Ele tinha um rosto extremamente bonito, ombros largos e cintura estreita.

Os músculos do abdômen bem definidos pareciam cheios de força.

Gotas de água escorriam pela pele e desapareciam sob a toalha frouxa.

Sem dizer uma palavra, ele levantou a camisola de Beatriz, como se estivesse apenas cumprindo uma obrigação.

Mesmo dormindo, Beatriz sentiu uma pontada de dor e se assustou.

— Está doendo... — murmurou, empurrando ele instintivamente. — Sai...

Uma voz grave e carregada de ironia soou acima dela.

— Fazendo cena de novo? Esse é seu truque agora?

Gabriel não se afastou.

Pelo contrário, continuou com sarcasmo:

— Não foi você que implorou para a vovó estabelecer uma noite por mês para isso? Agora não quer mais?

A dor da ferida parecia rasgar seu corpo. Lágrimas escorreram pelos cantos dos olhos de Beatriz.

Ela sabia que Gabriel a odiava.

Na época, Alzira havia arranjado o casamento entre os dois.

Depois do casamento, Gabriel sempre a tratou com frieza.

Foi Alzira quem impôs a regra de que, uma vez por mês, ele deveria dormir com ela.

E, todas as vezes, Gabriel apenas a tratava como um objeto para satisfazer o próprio desejo.

Ao lembrar dos quatro anos de casamento, o coração de Beatriz se encheu de dor.

Ela sempre foi cuidadosa, sempre cedeu, sempre tentou agradar.

Mas nunca conseguiu conquistar nem um pouco do afeto dele.

Se era assim, por que continuar se enganando?

— Gabriel... vamos nos divorciar...

Antes que terminasse a frase, o celular dele tocou de repente.

Gabriel odiava receber ligações durante a noite.

Mas dessa vez atendeu imediatamente, e com uma voz surpreendentemente suave.

— O que foi?

— Estou sozinha e com medo... Você pode vir ficar comigo? — disse uma voz feminina manhosa do outro lado da linha.

— Claro.

Ele respondeu sem qualquer hesitação.

Na voz dele havia uma ternura que Beatriz jamais tinha ouvido.

— Me dá vinte minutos. Já estou indo.

Assim que desligou, Gabriel levantou e saiu do quarto sem sequer olhar para ela.

Alguns minutos depois, ouviu o som do carro saindo da garagem.

As lágrimas molharam o travesseiro enquanto os dedos de Beatriz apertavam o lençol com força.

Então era assim a diferença entre amar e não amar.

Na manhã seguinte.

Beatriz deixou o acordo de divórcio sobre a mesa e saiu de casa puxando a mala.

Uma dor aguda atravessou seu abdômen.

Ela sentiu algo quente escorrer entre as pernas.

Ao abaixar a cabeça, viu uma mancha de sangue chocante se espalhando pelo chão.

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