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Capítulo 217

Author: Sissi
Marcelo começou a secar o cabelo com a toalha, como se o constrangimento de instantes antes não tivesse acontecido.

Beatriz saiu do quarto algum tempo depois, ainda um pouco corada.

Tentando agir com naturalidade, foi à cozinha, serviu um copo de água quente e levou para Marcelo.

— Bebe um pouco para se aquecer. Cuidado, está quente.

Marcelo agradeceu em voz baixa:

— Obrigado.

Ao pegar o copo, seus dedos tocaram a mão de Beatriz.

O contato durou apenas um instante, mas despertou nele uma sensa
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    Os dois continuaram frente a frente, em silêncio. Beatriz deixou o sorriso desaparecer. Em seu rosto, restaram apenas frieza e distância.— O que havia entre nós acabou faz tempo. Vamos pelo menos preservar o pouco de dignidade que ainda resta. Para com isso. É constrangedor.Sem se importar com a expressão de Gabriel, ela virou as costas e subiu, sem hesitar.Gabriel permaneceu no mesmo lugar. O vento da noite passou por ele, mas não diminuiu a raiva em seu peito. Ainda olhando na direção em que Beatriz tinha desaparecido, murmurou:— Vou fazer você voltar implorando!......Na manhã seguinte, Beatriz se arrumou para sair. Ao chegar lá embaixo, reconheceu um sedã preto estacionado junto à calçada.Marcelo abriu a porta e se encostou ao lado do carro. Parecia estar esperando havia algum tempo.Ele estava sem o terno. Usava uma camisa preta com um botão aberto no colarinho e as mangas dobradas até os cotovelos. Sem a formalidade de sempre, parecia mais descontraído.Beatriz parou,

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    Beatriz ainda nem tinha se divorciado dele e já estava conhecendo a família de Rodrigo, toda dedicada aos cuidados de Anselmo!Quanto mais pensava, mais Gabriel se enfurecia. Estava prestes a entrar no quarto quando o celular tocou em seu bolso, interrompendo seus pensamentos.De cara fechada, se afastou até a curva do corredor e atendeu, contendo a fúria com dificuldade.— Alô.Vanessa falou do outro lado, preocupada:— Onde você está? Vi seu carro lá embaixo, mas não consegui encontrar você. Aconteceu alguma coisa?Gabriel lançou outro olhar sombrio para o quarto e respondeu sem dar muita atenção:— Não foi nada. Só estou resolvendo uma coisa. Já vou aí.Desligou antes que Vanessa pudesse responder e tornou a olhar pelo vidro da porta. Por fim, soltou um resmungo de desprezo e se afastou, furioso.Dentro do quarto, Beatriz ajeitava o cobertor de Anselmo quando teve a impressão de que alguém a observava pelas costas. Virou para a porta por reflexo, mas não viu ninguém.Rodrigo perc

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    Beatriz se alarmou e apertou o celular por reflexo.— Aconteceu alguma coisa com Anselmo?Rodrigo se apressou em explicar:— Não, ele está bem. Mas passou a tarde insistindo que quer ver você. Não toma os remédios, não colabora com os exames. Os médicos e as enfermeiras já tentaram de tudo. Parece uma criança fazendo birra. Eu não sabia mais o que fazer, por isso liguei.Beatriz relaxou ao saber que não havia nenhuma piora no estado de saúde. Imaginar Anselmo fazendo aquela birra despertou nela uma mistura de resignação e vontade de rir.Conferiu o horário e aceitou prontamente:— Fica tranquilo. Vou terminar o que estou fazendo e passo aí depois do expediente.O alívio era perceptível na voz de Rodrigo, assim como a gratidão.— Ótimo. Muito obrigado.......Depois do trabalho, Beatriz foi ao hospital. Estava tão preocupada com Anselmo que não notou o Rolls-Royce preto estacionado em frente ao prédio.Dentro do carro, Gabriel segurava um cigarro entre os dedos e observava distraído a

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    Marcelo começou a secar o cabelo com a toalha, como se o constrangimento de instantes antes não tivesse acontecido.Beatriz saiu do quarto algum tempo depois, ainda um pouco corada. Tentando agir com naturalidade, foi à cozinha, serviu um copo de água quente e levou para Marcelo.— Bebe um pouco para se aquecer. Cuidado, está quente.Marcelo agradeceu em voz baixa:— Obrigado.Ao pegar o copo, seus dedos tocaram a mão de Beatriz. O contato durou apenas um instante, mas despertou nele uma sensação agradável.Enquanto bebia, Marcelo olhava de vez em quando para Beatriz, que acariciava o coelho de cabeça baixa. Aos poucos, sentiu uma tranquilidade que não experimentava havia muito tempo. Aquele aconchego simples, tão cotidiano, dava vontade de ficar.Mas sabia que não seria adequado prolongar a visita. Quando terminou a água, conteve a vontade de permanecer ali, deixou o copo sobre a mesa e se levantou.Com uma gentileza contida, falou:— Já está ficando tarde, e parece que a chuva d

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