LOGINEle avançou mais um passo e baixou a voz:— Já guardei sua cara. Pode esperar. Você ainda vai se arrepender.A expressão feroz fez um frio percorrer o corpo de Beatriz.Nunca imaginara que tentar ajudar acabaria assim: o ladrão sem punição, ela sem apoio e ainda recebendo ameaças sem qualquer disfarce.Sob o olhar hostil do homem, ela tentou disfarçar o medo e manter a calma enquanto saía depressa da feira.Não tinha ido longe quando voltou a sentir que era observada.Atrás dela, passos continuavam no mesmo ritmo, sem pressa.Alguém estava seguindo seus movimentos.Assustada, Beatriz entrou pelas ruas e vielas, tentando despistar quem vinha atrás, mas acabou se perdendo.Quanto mais andava, mais afastado o lugar parecia. O calçamento se estreitava entre muros altos, e o silêncio aumentava.Os passos, porém, estavam cada vez mais próximos.Ela acelerou até começar a correr. Ao entrar numa passagem lateral, percebeu, desesperada, que não havia saída.Parou de repente e se virou, tremend
Rafael agradeceu em voz baixa e foi embora, sem acrescentar nada.Depois de caminhar um pouco, Beatriz percebeu que tinha esquecido o guarda-chuva da pousada e voltou depressa para buscar.Ao entrar na loja, viu sua primeira caneca na prateleira das peças que iriam ao forno. Cercada de trabalhos bem-feitos, a peça torta se destacava ainda mais.Ela apontou, intrigada.— Essa foi a que deu errado. Não precisa colocar no forno.O ceramista se assustou por dentro, mas abriu um sorriso rapidamente.— Achei o formato interessante. É diferente dos outros. Quero deixar aqui na loja para mostrar aos clientes que não tem problema se a primeira tentativa não ficar certinha. Também pode ser um jeito de criar alguma coisa original. Você se importa?Beatriz olhou para a caneca torta e não viu problema.— Não. Pode ficar à vontade.Pegou o guarda-chuva, agradeceu mais uma vez e saiu.Só então o ceramista respirou aliviado. Os jovens de hoje davam voltas demais quando o assunto era amor.Beatriz já
Beatriz começou a achar que havia alguma coisa errada.Era como se alguém cuidasse de cada detalhe para atender às suas necessidades sem aparecer. Não sabia explicar de onde vinha aquela impressão, mas ela causava certo desconforto.Com a xícara na mão, foi até a porta e olhou para fora, fingindo casualidade. Naquele instante, viu a proprietária entregar uma bandeja idêntica no quarto ao lado.— É um serviço especial da pousada, já incluído na diária. Experimente.Beatriz se surpreendeu, e boa parte da desconfiança desapareceu.Pelo visto, o tratamento era o mesmo para todos. Ela estava imaginando coisas.Talvez as recomendações na internet fossem exageradas, e aqueles doces não fossem tão raros nem tão caros para os moradores.Mais tranquila, voltou à janela e aproveitou os doces com o café.À noite, Isadora fez uma chamada de vídeo. Durante a conversa, virou a câmera para Neve, que roía uma folha de verdura.Ver o coelho daquele jeito tão adorável melhorou bastante o humor de Beatr
A dona da pousada fez um gesto de recusa.— Não precisa. Pediram que eu trouxesse. Não é para cobrar.— Pediram?Beatriz estranhou. Era a primeira vez que visitava aquele lugar e não conhecia ninguém ali. Quem mandaria remédios para ela?Ao perceber que tinha falado demais, a proprietária sorriu e se apressou em explicar:— Deve ter sido um hóspede antigo nosso, muito prestativo. Sempre pede que a gente cuide bem de quem viaja sozinho. Não se preocupe com isso. Descanse. Vou pedir uma sopa quentinha para a cozinha.Antes que Beatriz pudesse perguntar mais alguma coisa, ela fechou a porta e saiu depressa.Meia hora depois, voltou com uma tigela de sopa. O caldo leve tinha frango e legumes.Beatriz conseguiu comer com esforço. O calor chegou ao estômago e afastou boa parte do frio. Ela parecia até ter recuperado um pouco das forças.Conforme o remédio fazia efeito, voltou a adormecer. Dessa vez, o sono foi bem mais tranquilo.Em outra pousada à beira do rio, Rafael permanecia junto a um
Rafael sabia que Beatriz tinha ido à Mansão dos Santos no dia anterior. Também ouvira dizer que Gabriel estivera lá naquela noite.Será que ele tinha criado problemas outra vez? Era por isso que Beatriz parecia tão cansada e queria sair da cidade com tanta pressa?Rafael observou a leve tensão entre as sobrancelhas dela.O carro parou diante do terminal de voos domésticos, e o movimento suave despertou Beatriz.Ela desceu e recebeu a mala que Rafael tinha retirado do porta-malas.— Obrigada.— Eu já vinha para cá. Não precisa agradecer.Ele ficou ali, acompanhando Beatriz enquanto ela se afastava com a bagagem. Sua silhueta se misturou à multidão até desaparecer.Só então Rafael pegou o celular e fez uma ligação, com a voz baixa e clara:— Descubra qual é o voo de Beatriz hoje. Quero o destino, o número, o horário de chegada e onde vai ficar. Mande tudo assim que conseguir.......Depois de desembarcar, Beatriz ainda pegou um ônibus de viagem. Após quase três horas de deslocamento,
Beatriz tinha acabado de pegar o celular para ligar quando a tela se acendeu com o nome de Rafael.Ela atendeu e ouviu sua voz grave e agradável:— Desculpa incomodar. Estou perto da sua casa. Se puder, queria passar para buscar minha carteira.Naquele momento, Rafael acabava de sair da NovaCura Biotecnologia.Esperava aproveitar a reunião de trabalho para ver Beatriz, mas descobrira que ela estava de férias.A conversa de negócios perdeu todo o interesse. Ele participou por algum tempo, distraído, até encontrar uma justificativa para sair mais cedo.Como a vontade de ver Beatriz não passava, usou a carteira esquecida como pretexto para telefonar.Ela explicou:— Eu me mudei. Estou um pouco longe de onde morava. Se não precisar da carteira agora, posso mandar por um entregador. Assim você não perde a viagem.Rafael respondeu com gentileza, mas sem dar margem para discussão:— Não precisa chamar ninguém. Estou livre agora e posso buscar. Manda o endereço novo.Ele fingiu não saber para







