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Último Desejo: Todos Nós Juntos
Último Desejo: Todos Nós Juntos
Author: Trigo Selvagem

Capítulo 1

Author: Trigo Selvagem
Embora eu tenha nascido apenas cinco minutos depois da minha irmã gêmea, Alexia Cavanaugh, minha família sempre me tratou como se eu fosse a maldição que causou a morte da nossa mãe.

Cresci cercada pelo favoritismo deles e pela inveja silenciosa de Alexia, até o dia em que fui diagnosticada com câncer em estágio terminal.

Decidi que não imploraria mais pelo afeto deles, nem me contentaria com as migalhas da atenção que me davam. Eu tinha terminado com aquilo. Iria embora nos meus próprios termos.

E, ainda assim, as mesmas pessoas que antes me ignoravam estavam começando a se desestabilizar.

...

— Estou aqui fora.

Quando meu namorado, Marcus Shaw, ouviu minha voz rouca, fez uma pausa de alguns segundos, mas não disse nada. Chamou um garçom e pediu que me deixasse entrar.

Meu irmão, Sean Cavanaugh, foi o primeiro a me ver. O sorriso dele desapareceu imediatamente.

— Ophelia, onde você estava? Não sabe que hoje é o aniversário da Lexi? Não podia ter escolhido hora pior para aparecer!

O barulho de talheres e pratos ecoava pelo salão.

Meu pai, Wesley Cavanaugh, bufou.

— Você é apenas cinco minutos mais nova que a Lexi, mas continua agindo assim. Como pode aparecer num lugar desses sem nem se vestir adequadamente?

Puxei uma cadeira e me sentei em silêncio.

Então eles lembravam. Lembravam que eu e Alexia fazíamos aniversário no mesmo dia, só não queriam comemorar o meu.

Forcei um pequeno sorriso e disse calmamente:

— Fui comprar um presente de aniversário para a Alexia e não tive tempo de me trocar.

Percebendo que eu não retrucava como costumava fazer, todos congelaram por um instante. O ambiente ficou tenso e constrangedor, nada parecido com a cena acolhedora que eu tinha visto pela janela.

Meu pai virou o rosto, murmurando:

— Sempre arranjando desculpas.

Sean disse, tentando aliviar o clima.

— Ophie, não liga para o que o pai diz. Quando você não está por perto, é justamente de você que ele mais fala.

Mantive a expressão neutra, pensando com amargura:

Provavelmente para me criticar.

Sean colocou um pedaço de lagosta no meu prato.

— Come um pouco. É lagosta importada, fresquíssima. O pai até pediu para guardarmos para você. Lembro que era a sua favorita.

Ao encarar a lagosta no meu prato, tive dificuldade para respirar. Meu peito apertou e meu estômago se revirou.

Eu era alérgica a frutos do mar.

Quem sempre amou lagosta foi Alexia.

Soltei um riso frio.

— Sua memória é realmente boa, não é?

Meu pai bateu a mão na mesa.

— Está emburrada por quê? Tudo o que fazemos é para o seu bem, e é assim que você reage? Desde o dia em que nasceu, você é a mais problemática dos três. Depois do que fez com sua mãe, ainda quer me deixar louco também? E ao Sean?

Cada palavra atravessava meu corpo, infiltrando-se nos ossos e no sangue, deixando apenas uma dor profunda que se espalhava por todos os meus membros.

Peguei o pedaço de lagosta e mordi, engolindo a carne doce.

O sabor era perfeito.

Para mim, até as melhores coisas sempre tinham um preço.

— Eu também sinto falta da mamãe. Nunca quis magoar ninguém. Não queria a lagosta porque sou alérgica. E nenhum de vocês se lembrou disso. — Disse de forma plana, como se estivesse contando a história de outra pessoa.

O rosto do meu pai vacilou por um momento, mas ele ainda assim não recuou.

— Talvez, se você não tivesse tantos problemas o tempo todo, as pessoas lembrassem. Se ninguém sabia, por que não falou?

A expressão de Sean mudou. Ele segurou minha mão com força.

— Ophie, nós somos sua família. Você não precisa fingir que está tudo bem nem brigar conosco. Vamos, cospe isso agora.

Marcus se levantou rapidamente e veio até nós.

— Alergia não é brincadeira. Ophie, cospe isso imediatamente!

A preocupação nos olhos dele parecia genuína. Por um instante, aquilo me desarmou.

Eu estava prestes a estender a mão para ele quando um suspiro agudo soou ao nosso lado.

Marcus passou por mim como se eu não existisse e correu para a frente, segurando Alexia no exato momento em que ela desabava. Um dos braços dele envolveu a cintura dela de um jeito inconfundivelmente íntimo.

— Lexi, o que foi? Está se sentindo mal?

Marcus sempre foi calmo e contido. Eu nunca o tinha visto tão ansioso.

Baixei lentamente a mão que havia erguido por instinto. O absurdo da situação quase me fez rir.

Alexia se apoiou fracamente contra o peito dele e apontou para a mesa.

— Ophelia disse que tinha preparado um presente para mim, então pensei em abrir e dar uma olhada. Mas tinha sangue nele. Marcus, Sean, pai... Estou com medo...

Olhei na direção indicada. Havia mesmo uma mancha discreta de sangue na caixinha de joias.

Devia ter sido quando desmaiei mais cedo e arranhei o braço.

Meu pai pegou a caixa e a arremessou pelo salão.

— Você não sabe que a Lexi desmaia ao ver sangue? Ophelia, quer matar sua irmã?

Aquele colar era o lançamento mais recente. Eu havia economizado por um ano inteiro para comprá-lo.

Sean me encarou, a decepção evidente no rosto.

— Ophie, todo mundo sabe que essa loja nunca erra na embalagem. Não importa o quanto esteja chateada, você não pode deixar sangue de propósito num presente só para assustar a Lexi.

Marcus, que tinha acabado de desligar uma ligação com seu médico particular, virou-se bruscamente.

— Ophelia, não use o fato de ser a irmã mais nova como desculpa. Peça desculpas à Lexi.

Alexia me olhava com satisfação mal disfarçada.

Qualquer pessoa que nos visse juntas saberia que éramos gêmeas, mas sempre diziam que eu era a mais bonita. Eu aprendia mais rápido, me destacava naturalmente.

Alexia tinha inveja de mim havia muito tempo. Parecia gentil e tranquila, mas usava o favoritismo do pai e do Sean para me afastar.

E agora, até meu próprio namorado havia escolhido o lado dela.

Apertei o corte no meu braço, tremendo.

Falei em voz baixa e obediente:

— Desculpa, Lexi. Eu não quis te assustar. Não vai acontecer de novo.

E, assim, o nojo e a irritação nos olhos de todos congelaram.
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