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Capítulo 3

Author: Trigo Selvagem
Sean ergueu a voz.

— Ophelia! A mamãe morreu por sua causa, e agora você ainda está desejando a morte da Lexi? Você não tem coração. Como pode ser tão cruel?

Ele normalmente parecia calmo, mas bastava envolver Alexia para que todo o autocontrole desaparecesse. O tapa veio com toda a força. Por um instante, tudo ficou escuro, e eu cambaleei, mal conseguindo me manter de pé.

O gosto de sangue encheu minha boca. Engoli em seco, forçando-o pela garganta abaixo, até que minha visão começou a clarear lentamente.

Lexi.

Ophelia.

O nome dela era sempre pronunciado com carinho.

O meu saía frio, vazio, sem emoção.

Por que eu ainda insistia em resistir?

Soltei uma risada amarga e vi Alexia correr em minha direção, lágrimas escorrendo pelo rosto.

— Sean, não bate nela. — Disse, fingindo preocupação enquanto passava a mão pelo meu rosto. — Está doendo? Ophie, eu nunca quis ficar entre você e o Marcus. Se você não quer que ele viaje comigo, ele não vai. Não fica brava...

Ela falava com doçura, mas sua mão pressionava com força minha bochecha inchada, e seus olhos brilhavam com uma satisfação evidente.

A dor me fez empurrá-la. Eu nem tinha usado muita força, mas, de repente, ela cambaleou para trás e caiu com violência no chão.

Sean e Marcus gritaram ao mesmo tempo e correram até ela. Os cacos de porcelana espalhados pelo chão cortaram sua panturrilha.

Meu pai avançou, o rosto tomado pela fúria.

— Sua ingrata! Não sei o que fiz para merecer uma filha como você! Foi por termos sido brandos demais que você perdeu completamente o controle, chegando ao ponto de machucar a própria irmã!

Marcus me lançou um olhar de decepção e ligou imediatamente para seu médico particular.

Sean reforçou:

— Pai, a Ophelia passou dos limites. Se não a castigarmos, ela nunca vai aprender!

Em seguida acrescentou:

— O médico já chegou. Marcus, leve a Lexi para fora e garanta que o corte não infeccione.

Marcus concordou, pegou Alexia nos braços e saiu sem sequer me lançar um olhar.

Meu pai me encarou uma última vez antes de segui-los. Quando Sean já estava na porta, virou-se de repente e chamou alguns garçons.

— Estendam nossa reserva por mais um dia. Depois que sairmos, tranquem as portas. Não se preocupem com ela.

Os garçons trocaram olhares inseguros.

— Senhor... E se acontecer alguma coisa?

Sean respondeu, impaciente:

— Não vai acontecer nada! Abram as portas amanhã de manhã. Ela precisa aprender uma lição esta noite. Pago o dobro, então não se preocupem com mais nada.

Sem alternativa, os funcionários obedeceram.

As pesadas portas do salão de festas se fecharam com um baque surdo e definitivo.

Arrastando meu corpo dolorido, cambaleei até a porta, a tempo de ouvir a voz fria de Sean do outro lado:

— Fique aí e pense no que fez. Quando aprender a lição, nós deixamos você sair.

— Não...

A palavra mal passou pela minha garganta. Eu não consegui dizer mais nada.

A reação alérgica se espalhava pelo meu corpo, fazendo-o inchar. O câncer avançava sem controle. Era como se milhares de formigas rastejassem sob minha pele.

Sufocamento... Dor... Uma coceira e dormência incessantes...

Eu me arrependia de tudo.

Meu maior arrependimento foi ter feito parte desta família.

Meus sentidos foram se apagando, um a um, até que a última lágrima escorreu pelo meu rosto.

Não sei quanto tempo se passou antes que meus olhos finalmente se fechassem.
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