LOGINSean leu o título em voz alta:— "Acordo de Rompimento"? Ophie, você ainda não nos perdoou...— E por que eu deveria perdoar vocês?Meu olhar percorreu os rostos deles, frio e implacável.— Com que direito pedem perdão? Quando me espancaram, me trancaram e quase me levaram à morte, algum de vocês pensou em perdão? Assinem ou não, para mim vocês já estão mortos.— E se algum dia tentarem me assediar de novo, eu juro que farei tudo ao meu alcance para garantir que nem os Cavanaugh nem os Shaw tenham mais um único dia de paz.Com minha identidade e posição atuais, eu podia cumprir essa promessa.Eu já tinha morrido uma vez. Naturalmente, não voltei a esta casa despreparada.Os Cavanaugh e os Shaw já enfrentavam sérias dificuldades financeiras. Alexia, sozinha, tinha conseguido desestruturar as duas famílias.Três anos foram mais do que suficientes para desgastar o pouco afeto e paciência que ainda restavam, até que tudo desmoronasse.Eu havia voltado para jogar mais lenha na fog
Na residência dos Cavanaugh, o cabelo de Wesley estava quase completamente branco, e suas costas curvadas como se anos de estresse o tivessem envelhecido da noite para o dia.Sean, antes forte e de ombros largos, agora parecia abatido, com os olhos fundos, como se não dormisse há anos.Até Marcus estava ali, por motivos que eu não consegui compreender de imediato.Os três congelaram ao me ver. Deram um passo para trás, esfregando os olhos, incrédulos.Marcus foi o primeiro a reagir. Aproximou-se, segurou minha mão e se engasgou ao ver a marca de nascença única no meu pulso.— Ophie... É mesmo você! Você está viva! Eu sabia que você não me deixaria daquele jeito! Onde você esteve todos esses anos? Eu senti tanto a sua falta...Sean também se adiantou, os olhos cheios de lágrimas.— Ophie, é tão bom ter você de volta. Pensamos em você sem parar nesses três anos. Por que não voltou para casa? Você tem ideia de quantas lágrimas derramamos por sua causa? O pai ficou até duas semanas
Três anos depois, na Ópera Nacional de Levaine, quando os jurados anunciaram Ophelia Cavanaugh como medalhista de ouro, Jacqueline e eu nos abraçamos, lágrimas escorrendo pelo rosto.Só eu realmente entendia a dor e a luta que havia enfrentado nos últimos três anos.Quando fui para o exterior, mesmo com Jacqueline tendo providenciado os melhores médicos para mim, lutar contra o câncer esteve longe de ser fácil.Eu queria voltar ao palco o mais rápido possível, então me joguei no tratamento, chegando até a experimentar medicamentos anticâncer de última geração.Os efeitos colaterais me atingiram com força. Ganhei peso, perdi grande parte do cabelo e não conseguia comer. No pior momento, fiquei quase dez dias deitada numa cama de hospital, com tubos conectados por todo o corpo.Todos acharam que eu não resistiria.Mas eu acordei.A partir daquele momento, minha saúde melhorou dia após dia, até que finalmente voltei ao estúdio de dança.Eu ainda não conseguia acreditar.As palavr
Ponto de Vista em Primeira Pessoa de OféliaSó fiquei sabendo do caos na minha família depois.Porque eu não estava morta.Fui salva por Jacqueline Schmidt, filha do dono do restaurante. Ela me encontrou à beira da morte e me levou às pressas para o hospital. Foi ela também quem organizou tudo no cemitério para enganar minha família.Passei sete dias inteiros internada até meu estado se estabilizar.— Senhorita Cavanaugh, sua condição é extremamente rara. Se você se submeter ativamente ao tratamento, há uma pequena chance de recuperação...A voz do médico carregava um traço de empolgação. Eu o interrompi.— Obrigada, doutor. Não será necessário.Eu sempre fui azarada. Uma pequena chance de recuperação? Para mim, isso era praticamente zero.Eu não tinha amigos. Minha família e as pessoas que um dia amei me desprezaram e me abandonaram.O favoritismo, a traição, a dor sufocante, essas feridas eram impossíveis de apagar. Ficariam comigo para sempre.Eu não tinha apego a este mu
Marcus falou com a voz rouca:— Eu não acredito nisso! Eu nem cheguei a ver a Ophie em um vestido de noiva. Ela me amava tanto... Como pôde simplesmente me deixar assim?Ele agarrou Sean pelo colarinho, os olhos em chamas.— Por que você a trancou no restaurante a noite inteira? Você sabia que ela estava doente? A Ophelia era sua irmã!Todo o arrependimento e a dor que Sean vinha reprimindo explodiram de uma vez, e ele desferiu um soco violento no rosto de Marcus.— E com que direito você me culpa? Ela te ligou ontem! Eu ouvi quando ela mencionou o hospital! Você não fez uma única pergunta! Você sabe melhor do que ninguém o quanto a Ophelia te amava! Você era o namorado dela e mesmo assim falhou com ela. Se alguém tem que cobrar satisfações aqui, sou eu!Os dois homens, antes sempre elegantes e controlados, envolveram-se numa briga feroz, perdendo qualquer resquício de compostura.O prazer que Alexia sentia momentos antes desapareceu instantaneamente. A atenção deveria estar vol
Sean cambaleou em choque antes de agarrar o garçom pelo colarinho, a voz cortante:— O que você disse? Repete!Marcus arrancou o laudo médico das mãos do funcionário. Ficou sem fala ao encarar o nome no documento, o choque estampado no rosto.O garçom tremia.— A mulher com câncer em estágio avançado ficou presa no restaurante ontem à noite. Ela já estava doente e ainda teve uma reação alérgica. Faleceu esta manhã. Parecia que ela sofreu...Wesley levou a mão ao peito e começou a tossir violentamente.— Ophelia? Impossível! Ela é forte! Nasceu em circunstâncias impossíveis e ainda assim sobreviveu. Como poderia ter partido agora?Marcus não suportou mais e invadiu o restaurante. Sean foi logo atrás. Vasculharam cada canto, interrogando todos os funcionários sobre Ophelia, apenas para ouvir a mesma resposta gelada.O pânico de Wesley aumentou. Ele agarrou o braço de Sean.— Sean, é verdade? A Ophie... A Ophie está mesmo morta? Ontem ela estava discutindo com a gente. Como...Com







