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Capítulo 4

Author: Trigo Selvagem
Ponto de Vista em Terceira Pessoa

Alexia não estava gravemente ferida. Era apenas um pequeno corte na perna, mas ainda assim deixou os três homens em estado de alerta.

Quando soube que Sean havia trancado Ophelia, um sorriso astuto curvou seus lábios. Ela se agarrou ao braço de Wesley, piscando de maneira charmosa.

— Eu estou bem. Ainda posso viajar com o Marcus amanhã, não posso? Você prometeu, papai.

Incapaz de resistir a ela, Wesley cedeu com um suspiro indulgente.

Vendo que ele havia cedido, Alexia aproveitou:

— Eu ainda não terminei de arrumar as malas. Já que todo mundo está aqui, podem me ajudar a decidir quais roupas e joias eu devo levar.

A empregada dispôs as roupas e acessórios de Alexia um por um. Ela pegou um colar de diamantes, depois um par de brincos de pérola.

— O Sean me deu este de aniversário. Preciso levar.

— E este foi o papai quem escolheu... Também tenho que levar.

Cinco ou seis malas abertas estavam diante dela, e parecia decidida a não sair dali enquanto não estivessem completamente cheias.

A paciência de Marcus começou a se esgotar. Ele franziu a testa.

— Lexi, você não precisa de todos esses diamantes, pérolas e vestidos sofisticados para uma viagem. Tudo isso só vai te atrapalhar.

Alexia piscou, confusa.

— Mas todas essas coisas são importantes para mim! Quero tirar fotos incríveis que deixem todo mundo com inveja. Não posso deixar nada para trás.

Wesley bocejou e finalmente disse:

— O Marcus tem razão. Leve o que você gosta e deixe o resto. Nada disso vai desaparecer.

Sean concordou:

— Ouça ele, Lexi. Quando você voltar, eu compro bolsas e joias novas para você.

O sorriso de Alexia vacilou.

— Eu disse que queria levar um segurança, mas vocês disseram não. Agora estão dizendo que eu nem posso levar as coisas que amo? Então qual é o sentido de viajar?

Marcus franziu o rosto.

— Então você não consegue viajar sem joias? A Ophelia sempre foi a que mais gostou de viajar, e ainda assim ela só pegava uma mochila e ia. Nunca complicava as coisas desse jeito.

O quarto mergulhou em silêncio.

Eles nunca haviam comprado bolsas de grife ou joias para Ophelia.

Os olhos de Alexia se arregalaram.

— Marcus, você está me chamando de difícil?

Marcus hesitou, depois se virou para Sean.

— A Ophie já voltou?

Sean havia trancado Ophelia no restaurante depois que Marcus saiu.

— Eu a tranquei lá para que aprendesse uma lição. — Disse Sean, olhando o relógio. — Em algumas horas vão soltá-la, e ela voltará para casa sozinha.

O olhar de Marcus pousou na sopa de frutos do mar que a empregada havia trazido. De repente, ele se lembrou de algo.

— Vocês deixaram algum remédio para alergia para a Ophie? Ela é alérgica a frutos do mar.

Sean congelou.

— Eu... Eu estava levando a Lexi para o hospital. Esqueci disso...

Wesley se levantou.

— Vá buscá-la agora. Ela vai ficar bem.

Ao perceber que a atenção de todos havia se desviado dela, Alexia finalmente perdeu o controle.

— Do que vocês estão falando? A Ophelia e eu somos gêmeas! Eu não sou alérgica a frutos do mar, então como ela poderia ser? Ela está obviamente fingindo para chamar a atenção de vocês!

Marcus imediatamente ordenou à empregada que preparasse o remédio de alergia de Ophelia.

— Lexi, continue arrumando as malas. Vou verificar a Ophelia primeiro e depois volto para te ajudar.

Alexia gritou:

— Papai! Sean! Vejam o que o Marcus está fazendo!

O rosto de Sean escureceu.

— Lexi, estamos apenas nos certificando de que a Ophie está bem. Você já teve atenção demais por hoje. A ida ao restaurante não vai levar mais que uma hora. Pare de ser irracional.

Wesley concordou com a cabeça.

Alexia agarrou o braço de Sean, recusando-se a soltá-lo.

— Vocês estão mentindo! Disseram que eu era a mais importante, e agora ninguém liga para mim! Por quê? Por causa daquela inútil? Mesmo que ela seja alérgica, ela não morreu! Pode se virar sozinha!

À medida que entrava em pânico, a fachada doce e gentil que havia construído com tanto cuidado começou a ruir.

Marcus parou abruptamente.

— Lexi, a Ophie é sua irmã e minha namorada. Não é "uma inútil".

Sem dizer mais nada, os três homens entraram no carro e partiram em alta velocidade em direção ao restaurante.

Depois do escândalo de Alexia, o clima dentro do carro era pesado e desconfortável.

Sean murmurou de repente:

— A Ophie quase nunca fica doente. Talvez a Lexi tenha razão. Ela não é realmente alérgica. Só quer que a gente se sinta culpado.

Abaixou a voz, murmurando para si mesmo:

— Se ela estiver bem desta vez, eu compro um presente de aniversário para ela também.

Wesley recostou-se no banco, assentindo levemente. Enquanto isso, Marcus permanecia em silêncio, acelerando pelas ruas.

Quando chegaram ao restaurante, uma pequena multidão havia se reunido e conversava entre si.

Um garçom de olhar atento reconheceu Sean e correu até ele, entregando-lhe um papel amassado.

— Senhor Cavanaugh... Esta mulher com câncer em estágio avançado é da sua família, certo? Ela... Faleceu esta manhã.
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