LOGINRodrigo, com quem eu estava em guerra fria, postou no Instagram: "Os cem primeiros que curtirem recebem uma transferência de término" Em minutos, já eram noventa e nove curtidas e compartilhamentos. Eu sabia o que ele estava esperando. Que eu cedesse. Como nas dez vezes anteriores, que eu pedisse para ele apagar o post. Mas dessa vez, compartilhei e comentei. "Me inclui." Depois disso, bloqueei todas as formas de contato dele. Três dias depois, a irmã dele me mandou mensagem: "O espetáculo de formatura do meu irmão ainda tem um ingresso reservado para você. Ele disse que, se você for, ele te perdoa." Olhei para a passagem aérea sobre a mesa e respondi: "Não tenho tempo" Eu realmente não tenho tempo, porque fui aprovada no mestrado de uma universidade da capital e, naquela mesma noite, meu voo vai partir para a matrícula. A partir de agora, ficamos separados por milhares de quilômetros. E não vamos mais nos ver.
View MoreMeu coração afundou um pouco. Veio um incômodo.Por que ele ainda estava assim.Eu pensei em dar a volta na hora, mas ele ouviu meus passos e virou a cabeça de repente.A chuva tinha encharcado o cabelo e os ombros dele. Ele parecia ainda mais abatido do que da última vez.As bochechas estavam fundas. Os olhos, cheios de veias vermelhas. A barba no queixo mais longa e mais desordenada. O corpo inteiro carregava um peso de decadência e cheiro de álcool.Só que, no instante em que me viu, aqueles olhos mortos se acenderam com um brilho quase assustador.— Verônica... — A voz saiu rouca, quase rasgando. Ele se levantou cambaleando, por pouco não caiu.Eu parei.Ele puxou o canto da boca, tentando sorrir. Ficou pior do que chorar.— Você acabou de sair do laboratório? Tão tarde assim. Está cansada?— Tô bem.Meu olhar desceu até as latas vazias aos pés dele.— Você anda bebendo demais?Ele balançou a cabeça, num riso amargo.— Não... eu larguei o trabalho que minha família tinha arranjado
O sangue sumiu do rosto dele. Os lábios se moveram algumas vezes, mas a voz não saiu.— Verônica... — Ele murmurou e deu meio passo à frente. Estendeu a mão, como se quisesse me tocar, mas ficou travado no ar.— Eu realmente... eu sei que fui um desgraçado. Eu e ela não tivemos nada. Eu me arrependo todos os dias de não ter te contado, de ter deixado você ir embora com raiva. Aquela apresentação... aquele dia era o nosso terceiro aniversário. Eu tinha preparado...— Rodrigo. — Eu o interrompi de novo. Desta vez, o tom era claro. Sem espaço para discussão. Um aviso para ir embora.— O que ficou para trás, seja bom ou ruim, eu não quero mais tocar nesse assunto. Verdade ou mentira já não muda nada para mim. Entre nós, tudo já acabou de vez. Por favor, não me procure mais. Para mim, isso é um incômodo.Eu não olhei para o rosto que ficou pálido como papel nem para o corpo prestes a ceder. Apertei os livros contra o peito e virei as costas.O sol continuava bonito. As folhas douradas de
O outono da capital chegou rápido e sem deixar margem para meio-termo.Desde que entrei na universidade da capital, minha vida mudou junto com a estação. Tudo ficou mais claro. Mais nítido.O primeiro ano do mestrado era mais puxado do que eu imaginava.A orientadora Joana era mesmo rigorosa, mas justa.Se os dados estavam sólidos e a apresentação fazia sentido, ela nunca economizava nos elogios.Eu passava quase todo o meu tempo entre o laboratório e a biblioteca.Também comecei a ter um novo círculo social.Os veteranos do laboratório tinham cada um suas manias, mas, no geral, eram diretos e verdadeiros.Tinha uma, a Lívia, que era despachada por natureza. Sempre me via sozinha e fazia questão de me arrastar para provar os pratos novos do refeitório. Dizia que era para melhorar a alimentação de uma criança solitária.De vez em quando, no fim de semana, eu ia com a Lívia a museus ou só caminhava à beira do lago sem nome.A gente falava dos experimentos, dos planos para o futuro, de qu
O rosto de Carolina ficou branco na mesma hora. Ela não esperava que Rodrigo lembrasse de tudo com tanta clareza. Muito menos que ele fosse desmontar a história dela de forma tão direta.— Rodrigo, não foi isso que eu quis dizer. Eu só fiquei com medo de você estar sendo enganado por ela...— Enganado por ela?Rodrigo finalmente se sentou direito. Apagou o cigarro no cinzeiro com um gesto duro.— Carolina, há quantos anos a gente se conhece? Eu sempre te tratei como uma irmã. Achava que você só era um pouco mimada, um pouco teimosa. A Verônica brigou comigo onze vezes. Em dez, foi por sua causa. E eu sempre pensei que ela exagerava. Que você era só ingênua, sem malícia.Ele encarou os olhos dela, cada vez mais inquietos, palavra por palavra, claro e frio.— Mas agora, olhando para trás, eu só consigo pensar numa coisa. Eu fui cego. Toda vez que eu e ela tínhamos qualquer atrito, você aparecia no momento exato. Ou chorando, precisando que eu te consolasse. Ou soltando uma frase que faz












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