LOGIN"Valentina"Eu estava ofegante quando tirei o último vestido, um vermelho cereja brilhante e com um drapeado lindo que deixava as minhas costas copmpletamente a mostra. Com certeza eu ficaria com ele. - Então, garotas, vocês serão as minhas musas da estação? - O Pierre perguntou quando nós nos sentamos ao lado dele, depois de experimentar tudo e selecionar o que gostamos.- O que isso significa, Pierre? - Eu perguntei.- Fotos, gata! Talvez um desfile. Ou dois. Depende. Mas eu estou preparando a minha coleção da primavera e ela tem a cara de vocês duas, até porque eu tive um insigth de criatividade depois que conheci vocês. - Você está dizendo que se inspirou em nós? - A Tati perguntou. - Totalmente! - Ele declarou.- E se eu engravidar? - Eu o encarei e pensei que ele ia desmaiar, porque ele colocou a mão no peito, arregalou os olhos e fez um som como se estivesse sem ar. - Grávida? - Ele pronunciou eufórico. - Você e o deuso Montenegro vão ter um bebê?- É uma possibilidade, afi
"Valentina"O nosso novo estúdio de dança estava tão silencioso que parecia um lugar isolado do mundo. Mas isso em breve ia mudar. Longe de toda a rigidez sufocante da casa e da empresa do Dante, ali a minha independência financeira ganhava vida. Era o meu mundo. Onde eu me sentia na minha própria pele. Assim que entramos a Tati jogou o paletó do Murilo sobre o balcão da recepção. Pelo que eu entendi o Murilo ameaçou chamar a segurança para vestir nela o paletó antes de sair, caso ela se negasse. Conhecendo a minha amiga, ela tinha feito a manhã do advogado um inferno. O estúdio estava impecalvemente limpo, cortesia do Sr. Dante Montenegro. Quando eu o avisei, voltando do haras, que pretendia vir para o estúdio, ele disse que mandaria fazer a limpeza. Eu pensei em protestar, mas antes que eu abrisse a boca ele disse que era o ato final dele no cumprimento do nosso contrato e que ele não voltaria a se meter.- Tati, precisamos inaugurar. - Eu me sentei no chão, encostada na barra cen
"Dante"Eu encarei o Hércules. Ele estava com os ombros caídos e a expressão derrotado, mas acima de tudo, os olhos dele estavam apagados, algo havia deixado de brilhar neles. Eu senti algo que eu não sabia explicar, mas eu tinha a obrigação de pará-lo, porque eu sabia melhor que ninguém que ele não pararia antes de considerar que tinha deixado tudo organizado. Era o que eu estava fazendo quando pensei que ia morrer, preparando a minha transição. Mas, no caso do Hércules, esse tempo que ele julgava que tinha, poderia ser tempo suficiente para um erro irremediável. E por mais que me incomodasse dizer a ele que ele precisava parar, essa era a coisa certa a fazer.- Você vai assinar a sua aposentadoria e se afastar da presidência deste hospital antes do anoitecer, Hércules. - Eu decretei com a minha voz mais severa, eu não estava dando escolha a ele, eu não podia dar. - Você nomeará um médico como diretor e responsável interino pela neurologia e deixará que ele termine de treinar o seu a
"Dante"Era bastante desconcertante encarar aquele homem, um médico respeitado, se debatendo em desespero e medo. Por longos meses eu acreditei que esperava a morte, assim como ele, e eu fiz de tudo para continuar sendo quem eu era até o fim, por isso eu compreendia o que ele sentia e como era difícil enfrentar o pânico de perder a funcionalidade humana. Felizmente para mim que aquele diagnóstico era uma fraude, ao contrário do Hércules.No entanto, por mais que eu compreendesse e sentisse uma profunda solidariedade por ele, os segredos do Hércules eram pesados demais para serem sustentados por mais tempo e não havia margem para concessões. Ele não podia continuar exercendo a medicina. E, além disso, ele precisava me contar tudo o que sabia sobre o falso diagnóstico que me deu. - Hércules, você sabe que eu compreendo exatamente a agonia de lutar contra o tempo. - Eu pronunciei devagar, mantendo o tom firme, mas conciliador. - Mas a minha solidariedade ao seu desespero de homem doente
"Dante"A recepção do consultório do Hércules Medina foi projetada para acalmar os pacientes que aguardavam, oferecendo conforto total e acolhimento, além de deixar claro que o médico que atendia ali era bem sucedido e competente. O brilho do mogno polido combinava com as poltronas off-white macias e as luzes indiretas criavam um clima relaxante. Porém, eu continuava tenso. Não houve nenhuma dificuldade na recepção. Assim que eu me apresentei ela sorriu e interfonou para o médico. Eu sabia que o Hércules não poderia se recusar a me atender, porque ele nunca havia recusado antes e ele certamente sabia que, nas circunstâncias atuais, me recusar despertaria suspeitas. - Os senhores podem entrar. - A secretária anunciou colocando o fone no gancho. Eu me apressei em direção ao consultório.O Hércules estava sentado atrás da sua imensa mesa diretora, cercado de papéis e com uma aparência preocupada. No entanto, a nossa visita não parecia tê-lo surpreendido. Ele se levantou para nos oferec
"Dante"Eu observei o Murilo afundando na cadeira enquanto puxava a gravata. Eu ia ajudá-lo, mas não podia negar que ver como a Tatiana o desconcertava era bem interessante e divertido. Ele jurava que os dois eram apenas amigos, sem benefícios e sem terceiras intenções, mas ele estava na miséria com o tratamento frio da Tatiana.- Eu pensei que ela poderia gostar da surpresa. Me diz, Dante, como eu resolvo isso? - O Murilo perguntou, se afundando mais na cadeira.- O problema das surpresas, meu caro, é que elas dão margem para enganos. - Eu declarei. - Mas sairmos para jantar hoje é uma ótima ideia. - Eu concordei. - E sabe o que mais funciona para se desculpar com as mulheres? Flores! Não só para se desculpar, mas...- Você acabou de dizer que elas não são como as mulheres que conhecemos antes, acha mesmo que ela vai gostar de receber flores? - A minha mãe sempre dizia que não há mulher no mundo que resista ao encanto de uma flor. Ela costumava estar certa. - Eu dei de ombros e o Mu







