LOGIN"Valentina"Eu olhei para a Tati parada na porta. Ela usava um vestido verde oliva de cetim, super curto, frente única e com um decote drapeado que ia até o umbigo, mostrando o piercing que estava assombrando o Murilo. Ela se equilibrava sobre saltos agulha altíssimos dourados e seus cachos estavam presos em um rabo, deixando as costas à mostra e apenas duas mechas finas caíam sobre o rosto cuidadosamente maquiado. Eu olhei rapidamente para o Murilo, ele havia perdido completamente o ar ao ver a minha amiga e não conseguia tirar os olhos dela. Era isso, a Tati tinha nocauteado o Pudinzinho. Mas o clima na sala não arrefeceu com a chegada da Tatiana.- Eu não aceito, Dante! - A Aurélia começou a gritar. - Eu não vou tolerar essas mulheres na minha casa! Esta é a minha casa, minha! Minha Casa!- Minha nossa! Para de gritar, perua! - Eu coloquei os dedos nos ouvidos. - Isso é muito vulgar. - Essa casa nunca foi sua, destruidora de lares! - A Márcia disparou certeira.- Qual o problema,
"Valentina"Eu sabia muito bem que a indignação da Aurélia era motivada pelo fato de que eu pedi a D. Marta que avisasse aos agregados que haveria um jantar formal, mas sem dizer quem eram os convidados. Eu imaginei que a Aurélia já desconfiasse que eu tinha convidado a Constança e por isso estava parecendo tão agitada. - Dante, como você marca um jantar assim, sem me consultar? - A Aurélia foi falando indignada.- E por que ele te consultaria, perua? Por acaso é você quem cozinha? Não! É você quem serve? Não! Você é a dona da casa? Também não! - Eu abri um sorriso cínico para ela. - Você já está no lucro só por poder participar desse jantar, então se comporta. - Dante, você não pode permitir que a sua dançarina exótica fale comigo desse jeito! Eu exijo saber quem são os convidados desta noite.- Aurélia, eu não controlo a boca da minha esposa. Ela tem liberdade para falar e fazer o que ela quiser. E quer saber, Aurélia? Você merece os insultos dela. Foi você quem a insultou primeir
"Valentina"Eu terminava de fechar o zíper de um vestido preto sob medida, as curvas do meu corpo pareciam saltar com total atrevimento no linho. Eu estava satisfeita com a imagem refletida no espelho. Roupas sob medida realmente valorizavam o melhor do corpo. E junto com a maquiagem e o cabelo preso de um lado apenas, eu me senti bonita, verdadeiramente bonita. Mas eu me distraí no momento em que a porta de comunicação entre o banheiro e closet foi aberta e o Dante saiu de lá com nada mais que uma toalha enrolada na cintura. Ele havia chegado quando eu estava terminando a maquiagem e passou por mim, me dando um beijo no pescoço que me deu vontade de ir atrás dele no banho. - Você trancou a porta. - Eu me virei para ele e ele sorriu de lado. - Só porque nós temos uma aposta em andamento. - Ele se encostou no batente da porta e passou a mão pelos cabelos molhados. Eu mordi os lábios e senti a fisgada no meu ventre.- Ô homem gostoso! - Meu pensamento escapuliu pela minha boca e eu s
"Dante"O Murilo olhava estupefato para o aparelho. Ele demorou um pouco para conseguir dizer alguma coisa.- Mãe, espera, espera! A Valentina te convidou para jantar, entendi, mas o que o anel da minha avó e o dedo da Tatiana têm a ver com isso? - O Murilo perguntou e olhou para mim, movendo os lábios para me perguntar sobre o jantar sem emitir som. Eu dei de ombros e peguei o meu celular do bolso. - Tem tudo a ver, Murilo! - A Constança respondeu impaciente. - Ora, o jantar é para vocês dois, para comemorar que fizeram as pazes. Achei uma delicadeza da Valentina. E ela vai convidar a Márcia também. Ah, como eu gostaria que a Estela estivesse aqui. - A Constança suspirou, ela ainda sentia falta da minha mãe, como eu. - Ela ia amar a Valentina!- O Dante está aqui e você está no viva-voz. Você arrancou um sorriso idiota dele. Parece que ele concorda com você. - O Murilo respondeu para a mãe. - Mas eu continuo sem entender como é que você chegou ao anel. - Ora, Murilo! Eu não te ensi
"Dante"A minha entrada na sala do Murilo foi anunciada por um latido alto e alguns rodopios à minha frente, o Newton parecia feliz em me ver, diferente do Murilo que ergueu os olhos parecendo preocupado. - Você também voltou, Newton. - Eu me abaixei e fiz um carinho na cabeça do cachorro que colocou a língua para fora e fechou os olhos, parecendo satisfeito com o pequeno agrado. - Voltou, mas não virá todos os dias. A Morena não quer que ele deixe de ir à creche. Aparentemente a educação dele é importante. - O Murilo respondeu e largou a caneta sobre a mesa. - Vocês já estão discutindo a educação da criança, que lindo! - Eu brinquei e o Murilo estreitou os olhos como se me lançasse uma advertência. - O que foi, Murilo? A Tatiana voltou e voltou de uniforme. Imagino que vocês tenham se resolvido. - Eu me sentei em frente a ele. - Nos resolvemos. - Ele confirmou e fez uma breve pausa, desviando os olhos para a cadeira vazia da Tatiana e voltando a me olhar depois de alguns segundos
"Valentina"O Dante e eu entramos no elevador da empresa na manhã de sexta ainda rindo do clima de velório no café da manhã. Os agregados estavam todos à mesa e o que mais me surpreendeu foi a D. Marta informar que havia recebido o pagamento que eu exigi do Otto. - Eu ainda não acredito que ele pagou as despesas dele. - O Dante riu, abraçado a mim. - Encrenca, como você consegue essas coisas?- Eu já disse chicletinho, eu sou "uma deusa, uma louca, uma feiticeira". Talvez o encostado esteja preocupado com a minha parte louca. - Eu pisquei para ele. - Ah, e ele deve mesmo ficar bem preocupado. - Ele acrescentou e me deu um beijo no pescoço. - Você parou de me chamar de mauricinho. - Ele observou.- Porque você é realmente um chicletinho, está mais agarrado a mim do que a minha máscara de cílios. - Eu brinquei e ele riu. Eu adorava ouvir a risada dele e ver os olhos brilhando, como se sorrissem junto com a boca. Ele ficava de tirar o fôlego quando sorria.O som do bipe eletrônico indi







