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last update publish date: 2026-10-12 03:51:27

O dia do casamento finalmente chegou, e Amelia sentia um peso enorme sobre os ombros. Por um instante, desejou com todas as forças fugir, escapar daquele destino imposto... mas sabia que era impossível.

Diante do espelho, seu reflexo mostrava uma mulher indubitavelmente deslumbrante. O vestido branco de seda caía com elegância, ajustando-se perfeitamente à sua silhueta, e o véu delicado acariciava seus ombros. Contudo, sua aparência impecável não conseguia disfarçar a tempestade que sentia por dentro.

Apesar da beleza, sentia-se uma perdedora, uma mulher prestes a ser entregue como uma simples moeda de troca em um acordo desesperado pela salvação de sua família. Um pacto. Era só isso.

Ela revirou os olhos com frustração e apertou com força o buquê de flores entre as mãos, como se agarrar-se a ele pudesse lhe dar alguma estabilidade. O local da cerimônia estava lotado. Entre os convidados, reconheceu alguns rostros familiares, enquanto outros eram completos desconhecidos. Não importava. Amelia detestava ser o centro das atenções, e estar cercada de tanta gente só intensificava seu desconforto.

Ao longe, seus olhos o encontraram: Maximilian Schneider. O homem com quem iria se unir em matrimônio. Não o havia visto nenhuma vez sequer desde que aceitara, a contragosto, aquela união forçada — embora o tivesse visto várias vezes no passado.

Ele estava lá, esperando-a no final do tapete, impecável em seu terno preto. Sua expressão era fria, quase inescrutável, mas para Amelia não foi difícil identificar o desdém em seu olhar. Era evidente que ele também não fazia questão de estar ali.

Ela puxou o ar fundo, tentando acalmar o turbilhão dentro de si, e começou a caminhar em sua direção. Só então se deu conta de que o próprio pai a levava pelo braço, guiando-a até aquele homem. Um homem que claramente não a queria.

Quando parou diante dele, Maximilian a encarou com desprezo e tédio, sem fazer o menor esforço para disfarçar.

Estavam ambos presos em uma farsa, obrigados a fingir carinho diante de uma multidão que esperava por um conto de fadas. Amelia quis sentir o mesmo por ele, mas seu coração traiçoeiro tinha outros planos. Ao vê-lo tão de perto, sentiu o peito arfar e a boca secar.

Por que diabos Maximilian Schneider tinha que ser tão incrivelmente bonito? O cabelo escuro, perfeitamente penteado, contrastava com a pele clara. Seus traços eram marcantes, masculinos, e os olhos de um azul profundo — como safiras submersas em um oceano de sombras — pareciam perfurá-la.

Amelia odiava a atração inexplicável que sentia por aquele homem que claramente a desprezava.

O pai de Amelia a entregou a Maximilian, e ela sentiu o braço se soltar do de seu pai para ser tomado pelo homem que agora seria seu marido. A voz do celebrante cortou o silêncio, dando início ao casamento. Amelia tentou prestar atenção, mas sua mente vagava longe. Tudo dentro dela gritava para correr para longe, mas seus pés permaneciam imóveis.

Então, Maximilian falou:

— Eu, Maximilian Schneider, prometo ser seu companheiro, estar com você pelo resto da minha vida. Nos dias bons e ruins, permanecerei ao seu lado. Vou te dar meu amor, apoio e respeito, e juntos teremos um futuro de plena felicidade. Amelia Williams, vou te amar todos os dias da minha vida. Eu prometo — finalizou com uma voz firme e convincente.

Por um segundo, ela quase acreditou. Seu discurso soara tão sincero, tão cheio de compromisso, que por um momento fugaz ela pensou que aquelas palavras pudessem ser reais. Mas não; sabia que ele não passava de um ótimo ator naquela peça de teatro chamada casamento.

Ele pegou a mão dela para deslizar a aliança em seu dedo. O toque suave da pele dele contra a sua provocou um calafrio que percorreu todo o seu corpo. Ela detestou reagir assim, como se estivesse traindo o próprio orgulho.

Chegou a vez dela. Amelia ergueu os olhos para os pais, que assistiam entre os presentes. Hesitou por um segundo. Uma palavra. Apenas uma palavra — "não" —, e tudo aquilo terminaria. Mas sabia que não podia fazer isso. Não podia se dar ao luxo de um ato de rebeldia agora.

— Eu, Amelia Williams, prometo a você, Maximilian Schneider, que te amarei com todo o meu coração e serei fiel mesmo na adversidade. Estarei com você nos dias bons e maus, na saúde e na doença. Vou te amar e respeitar por toda a minha vida — concluiu com uma voz firme por fora, mas que por dentro parecia estilhaçada.

Assim que terminou, sentiu raiva de si mesma. Dizer todas aquelas falsidades a enchia de ódio, mas ela não tinha escolha.

— Sendo assim, eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva — anunciou o celebrante.

Maximilian inclinou-se sobre ela e depositou um beijo em seus lábios, mal passando de um toque frio e distante. Um mero ato forçado para cumprir as expectativas da plateia. Amelia sentiu a rejeição naquele gesto, mas não se importou; ela mesma compartilhava do mesmo sentimento. No entanto, o que veio a seguir a fez ferver de raiva.

Enquanto os aplausos ecoavam e o casal se afastava levemente, Maximilian inclinou-se junto ao ouvido dela e, com um tom baixo e carregado de desprezo, sussurrou:

— Acha que eu esqueci o quanto você é infantil e imatura? Você não passa de uma rebelde caprichosa, uma garotinha de quem seus pais quiseram se livrar, aproveitando-se desta situação para se salvar. Agora você está presa, Amelia. Vai ter que me obedecer e seguir as regras que eu ditar. E é bom não ser uma vagabunda, igual a ela.

Como ela? A quem ele se referia?

O veneno naquelas palavras a fez tremer de raiva. Amelia quis gritar, bater nele, lembrá-lo de que ele não tinha o menor direito de tratá-la daquele jeito, ainda mais depois que o irmão dela o havia salvo. Mas conteve-se, pelo menos na aparência.

Com um sorriso forçado, ela inclinou-se para sussurrar a resposta de volta ao ouvido dele:

— Imagino que terei que ser uma esposa submissa, já que estou presa a você. Mas escute bem, Maximilian Schneider: eu não serei sua marionete, muito menos sua prisionera. Se acha que pode me esmagar, está muito enganado.

Ao se afastarem, o sorriso falso continuava no rosto dela. Maximilian não parecia nada satisfeito com a resposta, e ela soube que acabara de flertar com o perigo. Desafiá-lo seria sua perdição, mas ela não podia permitir que ele a pisoteasse tão facilmente.

Enquanto ambos sorriam para os convidados, ela sibilou entredentes, em um sussurro quase inaudível:

— Vá para o inferno, Maximilian.

Ele a ouviu, e o olhar dele endureceu ainda mais. Mas Amelia não se deixou intimidar. Se aquela seria sua nova vida, ela estava determinada a sobreviver.

A festa logo começou, um banquete opulento. Maximilian aproximou-se dela com um sorriso que não chegava a alcançar os olhos.

— Amelia — disse ele, com um tom que soava quase brincalhão —, nós deveríamos dançar esta música. Assim todos verão o quanto nos amamos.

Amelia revirou os olhos, sentindo a frustração borbulhar por dentro. Contudo, não podia negar aquela pequena demonstração de cumplicidade diante dos convidados. Com um suspiro resignado, dirigiu-se ao centro da pista, onde todos os recém-casados eram observados com expectativa.

Uma música suave preenchia o ambiente.

Maximilian se aproximou, pousando a mão na cintura dela com uma segurança que a fez estremecer. Um calafrio percorreu seu corpo, e a proximidade daquele físico a deixou nervosa. Apesar do rancor mútuo, a intensidade nos olhos dele e o roçar da mão provocavam um mar de sensações proibidas.

— Olha como nos observam — disse ele, com a voz baixa e irônica. — Não parecemos o casal perfeito?

Amelia o encarou, sentindo o coração disparar. Era como se cada movimento dele despertasse uma centelha de emoção que ela tentava reprimir a todo custo. Sabia que ele estava zombando por dentro, saboreando o efeito que exercia sobre ela. Mesmo assim, não conseguia evitar sentir-se enredada naquela dança, naquela farsa que era sua vida.

Enfim, a música chegou ao fim e, sob os aplausos discretos dos convidados, eles se afastaram. Maximilian pegou uma taça de champanhe e, logo em seguida, outra, saboreando cada gole como se fosse um troféu. Amelia, por sua vez, decidiu que ao menos podia se dar ao luxo de um pouco de diversão em meio a tanta opressão. Embora não tivesse intenção de se embriagar, serviu-se de duas taças, cedendo ao impulso de se libertar, ainda que por um instante.

De repente, em um momento de distração, Maximilian apertou sua cintura com firmeza e sussurrou em seu ouvido:

— Vamos para a nossa lua de mel, querida esposa.

Ela tremeu no mesmo instante.

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