Raika As duas mãos dele estavam na parede, uma de cada lado da minha cabeça. O corpo inteiro me prendia. O rosto tão perto que eu sentia o calor da respiração dele na minha boca. Os olhos cor de mel queimavam de raiva e de outra coisa mais escura. — O que você pensa que está fazendo, sua pirralha? Chegar em mim no meio da festa, me dar bronca, se achar minha dona? A voz saiu baixa, carregada, quase um rosnado. Eu travei. O modo como ele falou, a raiva pura nas palavras, me fez engolir em seco. Mas o calor que emanava do corpo dele — madeira, uísque, desejo contido — me mantinha colada na parede, o coração disparado. — Por que você sente tanto prazer em me humilhar? — perguntei, a respiração acelerada, olhando direto nos olhos dele. — O que eu te fiz para você me desprezar desse jeito? — Eu não te odeio — respondeu, a mandíbula travada. — Você e seus pais são a única família que eu tenho. Você, mais do que ninguém, sabe o quanto eu amo meu irmão. Eu nunca vou magoá-lo. E você deve
Última actualización : 2023-08-22 Leer más