Na manhã seguinte, o clima na mesa do café tinha ficado pesado de um jeito estranho.Thiago estava sentado na minha frente, com os traços bonitos duros e frios, como se tivessem sido cobertos por uma camada fina de gelo.Ele sempre tinha sido econômico nas palavras, mas, em dias normais, ele ainda respondia aqui e ali às brincadeiras da avó. Naquele dia, porém, ele só mantinha os olhos baixos, cortando a comida do prato de forma mecânica, rodeado por uma frieza que parecia afastar todo mundo.No começo, Dona Joana não percebeu nada. Depois de tomar um gole de café, ela me lançou um sorriso alegre:— Ah, é mesmo, Débora, que presente o Thiago te deu ontem? Anteontem eu já tinha visto ele mexendo numas caixinhas lá no escritório, todo misterioso, e ele não quis contar nem pra mim.A mão com o garfo parou no ar por um instante. Na hora, a imagem de Thiago entrando no meu quarto na noite anterior veio à tona: eu tinha quase certeza de que ele segurava uma caixinha quadrada.Antes que eu re
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