Eu não quis abrir a porta. Eu tinha medo de que, se eu falasse “não” olhando pra ele, eu não fosse mais ter coragem de mandar ele embora.Do lado de fora, o Thiago falou de novo:— Se você não abrir, eu vou ficar aqui até você abrir.Diante daquela teimosia, eu não tive escolha.Eu respirei fundo, girei a fechadura e abri a porta devagar.Depois de alguns dias sem ver o Thiago, eu achei que ele estava um pouco mais magro. Mesmo assim, ele continuava com a mesma postura impecável de sempre, frio, elegante, inalcançável.Na mão, ele carregava sacolas de supermercado, que não combinavam em nada com o terno sob medida que ele usava.Na mesma hora, a minha cabeça voltou pro passado.Naquela época, antes de a gente admitir qualquer coisa um pro outro, ele vivia aparecendo “de passagem” aqui em casa, trazendo sacolas de comida pra cozinhar pra mim.Todo o cuidado e toda a doçura dele existiam ali, no meio do vapor das panelas e do cheiro de tempero.E agora, mesmo que não tivesse passado tant
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