Sandro não respondeu.Agachou-se ao lado dos dois homens desacordados e vasculhou seus corpos em busca de qualquer ferramenta útil. Depois, arrastou os dois sem nenhuma delicadeza, entre puxões e chutes, e os jogou para fora do ônibus.Só então voltou para perto de Daniel.Daniel franziu a testa.— Sandro.— Eu não tenho o costume de bancar o herói.Sandro voltou a se concentrar no dispositivo.— Mas, pelo que aconteceu hoje, eu também carrego minha parte de culpa.Daniel estranhou.— Culpa?Sandro não interrompeu os movimentos.Também não explicou.Gabriel foi alguém que ele seguiu por muitos anos.Agora, vendo a organização chegar àquele ponto, Sandro também sentia que traiu a si mesmo de algum modo.Mas nada disso podia ser dito a Daniel.Daniel não recebeu resposta e, ainda assim, não insistiu.Talvez, quando a vida chegava perto demais do fim, muitas perguntas perdessem o peso.A existência dele, mesmo curta, já não parecia tão pobre.Conheceu riqueza, poder, prestígio.Conheceu t
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