Henrique segurava a chave do carro. Ao passar pela sala, diminuiu o passo, parou e cruzou o olhar com o dela. A voz saiu grave, contida:— Bom dia.— Eu fiz macarrão. Come comigo? — Carolina apertou, sem perceber, o avental cinza contra o corpo. No fundo dos olhos, havia uma expectativa delicada, quase frágil.Henrique hesitou por alguns segundos. Depois caminhou até a mesa, pousou a chave do carro, puxou a cadeira e se sentou.Um sorriso suave surgiu no rosto de Carolina. Ela voltou rapidamente à cozinha, trouxe uma tigela de macarrão e entregou a ele um garfo e uma faca.Sentou-se à frente de Henrique, lançou um olhar para a própria tigela e pensou que, dessa vez, o macarrão certamente estava bem cozido.Então levantou os olhos para ele.Henrique segurava os talheres, mas já não tinha aquele sorriso gentil de quando ela lhe preparara o café da manhã da outra vez. Agora, o rosto estava neutro, o olhar frio, distante.Aquilo deixou Carolina inquieta.Ela perguntou com cuidado, quase em
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