A noite já ia alta, silenciosa, sob um céu claro, de lua cheia e poucas estrelas.Quando saiu do quarto de Henrique, Carolina trazia nas bochechas um rubor incomum. Fechou a porta com cuidado, quase sem fazer ruído.Depois de tantos anos ao lado dele, de tanta intimidade compartilhada, ela sempre fora a parte mais passiva. Por timidez, nunca tinha conseguido se entregar de verdade.Mas, naquela noite, tinha virado do avesso a imagem reservada que sempre passara. Pela primeira vez, tomara a iniciativa com Henrique de um jeito que jamais ousara antes.Será que o tinha assustado?Só de lembrar, sentia o rosto queimar de vergonha.Carolina mordeu de leve o lábio inferior e se virou para voltar ao próprio quarto.Na manhã seguinte, bem cedo.Ainda meio perdido no sono, Henrique sentiu um peso leve subir na cama. Um perfume suave, misturado ao cheiro delicado de creme hidratante, invadiu seu olfato. Em seguida, um toque macio roçou entre suas sobrancelhas, úmido, morno, bom demais.Ele abriu
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