Quando chegou perto dele, Carolina o chamou em voz baixa, com o maior cuidado do mundo:— Henrique...Henrique tinha achado que aqueles passos eram de Lívia.Mas, no instante em que ouviu a voz de Carolina, o corpo inteiro se retesou. As mãos se fecharam de repente nos apoios da cadeira de rodas, e os nós dos dedos saltaram, rígidos.Na penumbra espessa, mal dava para distinguir o rosto um do outro.Só se viam contornos vagos, sombras recortadas no escuro.Carolina se agachou diante dele. Pousou as duas mãos sobre as coxas presas aos suportes da cadeira e, em seguida, ajoelhou-se no chão. Quando falou, a voz saiu trêmula, embargada pelo choro:— Me perdoa, Henrique.Henrique não disse nada.Aquele silêncio esmagou o coração de Carolina, como se o reduzisse a pó. Os olhos já estavam inundados de lágrimas. Lutando com todas as forças para conter a dor, ela acariciou as pernas dele com as duas mãos, e tornou a pedir, numa voz suave e estremecida:— Me perdoa.No escuro, os olhos de Henriq
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