Depois de dizer aquilo, Heitor puxou alguns acordes sem ordem.As notas explodiram pela sala de ensaio, agudas, tortas, desagradáveis de propósito.Bianca nem franziu a testa.Heitor ergueu os olhos para ela sem parar de tocar. A cada movimento, atacava as cordas com mais força, embaralhando ainda mais os acordes, como se tentasse expulsá-la dali aos gritos, mas usando o violão em vez da voz.Bianca continuou onde estava, tranquila. Em determinado momento, até pegou o celular para conferir as horas.Cinco minutos.Dez minutos.Quinze minutos.A mão de Heitor já começava a doer, e aquela mulher continuava ali, parada, sem a menor reação.Ele enfim parou e a encarou, irritado.— Você é surda, por acaso?Bianca abaixou o celular e ergueu os olhos para ele.— Sou. — Ela assentiu de leve. — Quer dizer, fui por um tempo.Heitor travou.— Como é?Bianca não explicou. Apenas caminhou até ele e olhou para o violão em seus braços.— Belo violão. — Fez uma breve pausa. — Um Gibson Hummingbird. Ti
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