O carro cortava as ruas em alta velocidade.Durante todo o trajeto, Eduardo permaneceu recostado no banco de trás, a testa franzida, sem dizer uma palavra.Gabriel o observou várias vezes pelo retrovisor. Em todas, encontrou o mesmo rosto fechado, sombrio.Quando chegaram ao hospital, Eduardo abriu a porta antes mesmo que o motorista tivesse tempo de reagir e entrou a passos largos.Gabriel precisou apertar o passo para acompanhá-lo. Chamou por ele algumas vezes, mas Eduardo parecia não ouvir. Avançava pelo corredor com uma pressa pesada, quase sufocante.O setor de reabilitação auditiva ficava no sétimo andar da ala de internação. O corredor era comprido, tomado pelo cheiro frio de antisséptico.A enfermeira da recepção fazia anotações de cabeça baixa. Ao ouvir os passos, ergueu o rosto.— Senhor Eduardo?Ela o reconheceu de imediato. Sem demora, abriu uma gaveta, retirou um saco plástico transparente, lacrado, e o entregou a ele.— Foi isso que a senhorita Bianca esqueceu aqui.Dentr
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