Justo nessa hora, a minha mãe ligou para mim:— Débora, eu e o seu pai vamos chegar tarde hoje, temos algumas coisas para resolver. Você tira as roupas que deixei secando na varanda e guarda tudo direitinho. Ah, Gabi e a sua prima também vão sair hoje. Não precisa esperar por nós. Prepare alguma coisa para comer e jante sozinha.Antes que eu conseguisse responder, ela já tinha desligado.Eu fui até a varanda. Quando vi o varal cheio de roupas do meu irmão e da minha prima, fiquei parada por alguns segundos, perdida em pensamentos.No fim das contas, os sinais sempre estiveram ali. Eu é que insistia em fingir que não os enxergava.Em algum momento, sem que eu percebesse, passei a ser a peça que não se encaixava naquela família.Peguei, sem pensar muito, a última maçã que havia em casa.A minha prima, Gisele Peres, tinha dito que estava com vontade de comer maçã. Por causa disso, a família inteira esperava que eu abrisse mão dela.Eu cortei a fruta ao meio, uma metade para cada uma. Mas
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