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Capítulo 2

Author: Pãozinho
— Débora, chega! É só um post no Instagram! Por que você sempre é tão implicante? Você fez a Gisele chorar, pede desculpa logo!

O meu coração afundou de repente. Eu não tinha feito nada, mas, mesmo assim, eu é que precisava pedir desculpas.

Eu soltei um riso frio:

— Pedir desculpas por quê? O que foi que eu fiz de errado?

Gabriel ficou furioso:

— Você ainda pergunta o que fez de errado? Se você deixou a Gisele chateada, está mexendo comigo também! Eu não quero saber. Você vai pedir desculpas agora! Senão, não venha dizer depois que eu fui duro com você!

A voz da minha mãe surgiu do outro lado da linha:

— Gabi, não fale assim com a Débora. Ela é sua irmã mais velha!

Logo em seguida, porém, ela voltou a falar comigo em um tom conciliador:

— Débora, o Gabi ainda é novo. Não leve tão a sério o que ele fala. E hoje nós só saímos para fazer uma refeição simples. Não precisa ficar chateada por causa disso.

Enquanto eu ouvia a minha mãe, uma amargura crescente tomava conta de mim. Respondi com frieza:

— Você não precisa explicar nada. No fim das contas, vocês são a verdadeira família.

Essas palavras deixaram a minha mãe completamente alterada. A voz dela subiu vários tons de uma vez:

— Débora, como você pode dizer uma coisa dessas? Só porque nós saímos para jantar sem você? Precisa mesmo reagir desse jeito? Fazer todo esse drama por tão pouco? Se você quer tanto assim comer, eu te mando duzentos reais para você comer até enjoar!

Enquanto ela falava, apareceu no celular a notificação do Pix:

[Duzentos reais recebidos.]

— Pronto. Já enviei o dinheiro. Vamos encerrar esse assunto.

Assim que terminou de falar, ela desligou sem esperar pela minha resposta.

Eu deixei escapar uma risada irônica.

Uma família assim, um afeto assim... eu realmente não precisava mais deles.

Peguei o celular e liguei para a minha melhor amiga:

— Aquele projeto de que você tinha me falado... eu ainda posso participar?

Do outro lado, ela respondeu imediatamente:

— Claro que pode! Dé, finalmente você resolveu entrar para a minha equipe! Quando consegue vir? Eu compro a sua passagem.

Não hesitei nem por um segundo:

— Amanhã. Quanto antes, melhor.

Quando desliguei, senti uma tranquilidade inesperada tomar conta de mim.

A minha melhor amiga já tinha me convidado inúmeras vezes para trabalhar com ela, e eu sempre recusava porque não queria ficar longe de casa.

Naquela época, o meu maior desejo era permanecer ao lado da minha família. Agora, finalmente, eu tinha decidido abrir mão dessa ilusão.

...

Quando os quatro voltaram para casa, já era alta madrugada. O cheiro de álcool pairava no ar, deixando evidente que tinham bebido.

Naquele momento, eu estava arrumando as minhas malas.

Assim que viram a cena, os rostos dos meus pais mudaram imediatamente. A minha mãe avançou até mim, arrancou as roupas das minhas mãos e as jogou no chão:

— Débora, o que significa isso? Está pensando em fugir de casa? Eu não acabei de transferir dinheiro para você? Então por que continua fazendo esse escândalo?

Eu me abaixei, recolhi as roupas e ergui os olhos para encará-la:

— Escândalo? Quem está fazendo escândalo aqui? Eu vi o grupo de WhatsApp de vocês. Em algum momento vocês realmente me consideraram parte desta família?

O rosto da minha mãe perdeu a cor na mesma hora:

— Débora, me escute...

Eu soltei uma risada fria:

— Não precisa. Um lar assim não me faz falta nenhuma.

O meu pai, que permanecera calado até então, finalmente resolveu falar. Mas cada palavra carregava censura:

— É só um grupo de conversa. O que isso prova? Débora, você é sensível demais.

Eu era sensível demais?

Tudo bem.

Afinal, acontecesse o que acontecesse, eu sempre acabava sendo a culpada da história.

Resolvi não responder mais nada e continuei arrumando as minhas coisas em silêncio.

Gisele se aproximou chorando:

— Débora, você viu as minhas mensagens no meu WhatsApp, não foi? Desculpa. A culpa é toda minha. Se eu não tivesse vindo morar aqui, você não estaria sofrendo por causa disso.

Enquanto falava, ela segurou o meu braço:

— Débora, por favor, não fique zangada comigo. Se alguém precisar ir embora, que seja eu. Você sempre fez parte desta família.

Eu puxei o braço imediatamente:

— Pare de fingir. Eu não acredito mais nesse seu teatro.

Eu nem tinha usado força, mas Gisele tropeçou para trás de forma exagerada, quase batendo a cabeça na quina da mesa. Gabriel a segurou a tempo.

Ele a colocou atrás dele como se estivesse protegendo algo precioso e, em seguida, me empurrou com força.

Sem conseguir reagir, eu caí pesadamente no chão.

A dor explodiu no meu joelho no mesmo instante, arrancando lágrimas involuntárias dos meus olhos.

E, ainda assim, Gabriel não demonstrou o menor sinal de arrependimento. Pelo contrário. Havia satisfação estampada no rosto dele:

— Quem mandou você partir para cima da Gisele primeiro? Considere isso uma lição! Quero ver se ainda vai ter coragem de encostar nela outra vez!

Por um instante, vi um lampejo de hesitação atravessar o rosto da minha mãe.

Ela chegou a dar um passo na minha direção, mas, antes que pudesse me ajudar, o choro de Gisele desviou completamente a atenção dela:

— Tia... talvez seja melhor eu ir embora. Se eu continuar aqui, só vou deixar todo mundo infeliz.

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