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Capítulo 3

ผู้เขียน: Pãozinho
A minha mãe não ligou mais para nada. Ela abraçou a Gisele com força:

— Menina boba, como é que eu vou deixar você ir embora? Agora você só tem a mim.

Enquanto falava, ela se virou para mim, com os olhos cheios de decepção:

— Débora, dessa vez você passou de todos os limites. Eu estou muito desapontada com você.

Desapontada?

O canto da minha boca se curvou num sorriso amargo. Ela queria que eu cedesse em tudo para a Gisele. Eu cedi.

Ela queria que eu fosse madura, que eu entendesse o lado dela. Eu entendi.

Então, do que exatamente ela estava desapontada?

Porque eu não continuei deixando a Gisele me tratar como um cachorro e ainda ficar calada?

Ou porque, depois de descobrir que eles nunca me viram como parte da família, eu me recusei a continuar fingindo ser uma idiota?

"Mas, mãe… eu também sou uma pessoa. Eu também tenho dignidade." Eu pensei.

O meu pai tentou fazer o papel de apaziguador:

— Débora, a sua mãe ficou realmente chateada desta vez. Pede desculpa para a Gisele e acaba com isso.

De novo o pedido de desculpas. Do começo ao fim, eu era sempre a pessoa que precisava pedir desculpas.

Dessa vez, eu não ia ceder.

Eu levantei o queixo, teimosa, encarei cada um deles e falei, sílaba por sílaba:

— Eu não vou pedir desculpa.

Ninguém esperava por isso. Gabriel simplesmente me acertou um chute no meio do corpo:

— Então eu quero ver se é a sua boca que é dura ou se é o meu punho.

Na mesma hora, o gosto de sangue subiu pela minha garganta e eu cuspi um jato vermelho no chão. Mesmo assim, Gabriel não parou. Ele continuou me humilhando:

— Débora, para de fazer cena! Eu estou avisando: se você não admitir que errou com a Gisele, eu vou bater até você admitir.

Enquanto falava, ele ergueu o pé de novo.

O meu pai segurou o braço dele:

— Gabi, chega. Ela é a sua irmã.

Gabriel rebateu na hora:

— Ela não é minha irmã coisa nenhuma! Ela é mesquinha demais, eu não quero uma irmã assim! A minha irmã é só a Gisele!

Foi então que a minha mãe também decidiu se pronunciar:

— Débora, você não pode culpar a gente por ficar do lado da Gisele. Olha como você está agora. Eu lembro que antes você era tão compreensiva…

Dito isso, ela puxou a Gisele para dentro do quarto.

Pelo canto do olho, eu vi a Gisele olhar para mim, vitoriosa. O olhar dela parecia dizer:

"Viu? Você nunca vai ganhar de mim. Tudo o que era seu agora é meu, inclusive a sua família."

Gabriel, como se tivesse recebido autorização, voltou a avançar na minha direção com os olhos cheios de ódio.

O meu pai, ao ouvir a minha mãe falar daquele jeito, também engoliu qualquer resto de dúvida. Ele não disse mais nada e entrou para o quarto dele.

Gabriel começou a estalar os dedos e a fechar o punho, indo e voltando:

— Débora, eu vou te dar um conselho: pede logo desculpa para a Gisele. O meu punho não é leve. Depois, quando você estiver toda dolorida e ainda assim tiver que admitir que errou, vai ser pior.

Era a primeira vez que eu via aquele lado dele. De repente, ele me pareceu um estranho completo. No dia a dia, ele nunca tinha sido muito carinhoso comigo, mas, na frente dos nossos pais, ele pelo menos se continha.

Agora, ele me olhava como se eu fosse um criminoso imperdoável, alguém que merecia ser destruído.

E, no entanto, o que tinha existido entre nós nunca tinha sido tão grave assim.

As manobras da Gisele eram realmente impressionantes. Primeiro, ela conquistou a minha mãe. Depois, o meu pai. Agora, o Gabriel. Um por um, todos estavam dispostos a me machucar por causa dela.

Eu soltei uma risada desesperada:

— Hoje, mesmo que você me bata até a morte, eu não vou pedir desculpa.

Gabriel começou a desferir socos no meu corpo, um atrás do outro. Eu não soltei um único gemido. Perto da dor que eu sentia por dentro, aquilo era quase nada.

No fim, foi o meu pai que decidiu intervir:

— Chega. Se continuar assim, vai acabar em tragédia.

Gabriel parecia já ter perdido o interesse também e parou.

A casa inteira mergulhou num silêncio denso. Eu fiquei caída no chão frio, revendo, uma a uma, as lembranças da minha vida com eles.

Não sei quanto tempo passou até eu ouvir o sussurro dos meus pais vindo de dentro do quarto.

— Você acha que hoje a gente passou do limite?

— Não. Quem passou do limite foi a Débora. Já estava na hora de ela aprender uma lição.

— No máximo, amanhã eu faço alguma coisa gostosa para ela comer, para compensar.

— Você sabe como ela é. O que ela mais valoriza é a família.

Eu ri, sem som. Então era isso. Justamente porque eu valorizava a família, eles se sentiam no direito de pisar na minha dignidade.

Nesse momento, o meu celular tocou.

A minha melhor amiga tinha enviado a passagem de avião: voo marcado para a primeira hora da manhã seguinte.

Eu engoli a dor e me levantei devagar. Peguei o meu documento, juntei o essencial e saí pela porta.

No instante em que fechei aquela porta atrás de mim, senti uma liberdade tão intensa que quase perdi o equilíbrio.

Eu não queria mais aquela casa. Nunca mais.

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