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Adeus à Família que Me Abandonou Primeiro
Adeus à Família que Me Abandonou Primeiro
ผู้แต่ง: Pãozinho

Capítulo 1

ผู้เขียน: Pãozinho
Justo nessa hora, a minha mãe ligou para mim:

— Débora, eu e o seu pai vamos chegar tarde hoje, temos algumas coisas para resolver. Você tira as roupas que deixei secando na varanda e guarda tudo direitinho. Ah, Gabi e a sua prima também vão sair hoje. Não precisa esperar por nós. Prepare alguma coisa para comer e jante sozinha.

Antes que eu conseguisse responder, ela já tinha desligado.

Eu fui até a varanda. Quando vi o varal cheio de roupas do meu irmão e da minha prima, fiquei parada por alguns segundos, perdida em pensamentos.

No fim das contas, os sinais sempre estiveram ali. Eu é que insistia em fingir que não os enxergava.

Em algum momento, sem que eu percebesse, passei a ser a peça que não se encaixava naquela família.

Peguei, sem pensar muito, a última maçã que havia em casa.

A minha prima, Gisele Peres, tinha dito que estava com vontade de comer maçã. Por causa disso, a família inteira esperava que eu abrisse mão dela.

Eu cortei a fruta ao meio, uma metade para cada uma. Mas o que recebi em troca foi a repreensão da minha mãe:

— Meio pedaço de maçã não serve nem para matar a vontade da Gisele!

Enquanto falava, ela pegou a metade que estava nas mãos da minha prima e a jogou no lixo.

Depois ela segurou Gisele pelo braço e saiu com ela.

— Vamos, Gisele! Eu compro quantas maçãs você quiser!

O meu irmão também reagiu imediatamente:

— Você precisa ser tão mesquinha assim? Até você quer disputar uma maçã com a Gisele?

Ao lado deles, meu pai permaneceu indiferente, como se nada tivesse a ver com ele.

Durante muito tempo, eu acreditei que eles faziam aquilo porque a minha prima era uma hóspede na nossa casa.

Mas eu estava errada.

A intrusa naquela família nunca foi a Gisele. Era eu.

Recolhi as roupas do varal uma por uma, dobrei tudo e as deixei nos respectivos quartos.

As camas macias e bem arrumadas transmitiam uma sensação aconchegante que quase doía de observar.

Depois lancei um olhar para a pequena cama improvisada que eu tinha na varanda.

Uma pontada amarga subiu pelo meu peito.

Na segunda manhã após a chegada de Gisele, ela apareceu com olheiras profundas.

A minha mãe imediatamente perguntou se ela tinha dormido mal.

Gisele respondeu de forma delicada que sempre tinha dormido sozinha e ainda não conseguia se acostumar a dividir o quarto.

Foi assim que eu acabei sendo transferida para a varanda.

A mãe dela, minha tia, tinha acabado de falecer.

Eu me compadecia da dor que ela estava enfrentando e também não queria criar problemas para a minha mãe.

Por isso, aceitei a mudança sem reclamar. Mas a minha compreensão apenas deu a eles mais motivos para exigir cada vez mais de mim.

Porque eu era compreensiva, precisava ceder tudo para Gisele.

Porque eu era compreensiva, a minha mãe lavava apenas as roupas de Gisele e de Gabriel, enquanto eu cuidava das minhas sozinha.

Porque eu era compreensiva, todas as tarefas domésticas acabavam sobrando para mim, enquanto os dois apenas aproveitavam o conforto da casa.

E o que mais me machucava era lembrar que nem sempre tinha sido assim.

Antes da chegada de Gisele, a minha família também me amava. Então por que tudo mudou tão depressa?

Ao pensar nisso, senti os olhos arderem.

Sentei-me na cama e comecei a navegar pelo celular sem objetivo algum.

Gisele havia acabado de publicar uma foto no perfil secundário dela no Instagram.

Na imagem estavam meu pai, minha mãe, meu irmão e ela.

Os quatro sorriam radiantes. Pareciam uma família perfeita.

A legenda dizia:

[Essa palavra, "mãe", demorou para chegar, mas finalmente chegou. Obrigada por me darem uma segunda família.]

Nos comentários, algumas pessoas escreviam:

[Parabéns! A família da sua tia foi a sua salvação.]

[Que lindo! Desejo toda a felicidade do mundo para vocês.]

Sem pensar muito, deixei uma curtida na publicação.

Depois escrevi:

[Desejo que vocês continuem felizes para sempre como uma família.]

Pouco tempo depois, a postagem desapareceu.

Provavelmente Gisele tinha se esquecido de que, certa vez, usou o meu celular para seguir aquele perfil secundário e nunca removeu o acesso.

Logo em seguida, o celular tocou.

Era ela.

— Débora, não leva a sério aquele post no Instagram. Eu publiquei só por brincadeira.

Eu sorri.

A habilidade de Gisele para fingir inocência estava cada vez mais impressionante.

Na frente dos meus pais, ela sempre se comportava como a filha perfeita.

Mas, quando ninguém estava olhando, fazia questão de usar a diferença de idade para me intimidar.

Eu suportei.

Depois vieram as vezes em que ela simplesmente tomava aquilo que era meu. E, no final, quem acabava sendo acusada de mesquinharia era eu.

Tentei me explicar inúmeras vezes. Mas tudo o que recebia em troca eram críticas e repreensões.

Ao perceber o meu silêncio, a voz dela começou a falhar do outro lado da linha:

— Débora, você ficou chateada comigo, não ficou? Me desculpa... A culpa é minha. Eu só... eu só queria tanto ser amada...

As palavras foram sendo engolidas pelo choro.

Antes que eu pudesse reagir, ouvi outra voz tomar o telefone.

Era Gabriel Dutra.

E a primeira coisa que ele fez foi começar a me insultar.

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