A máscara permaneceu no chão. Clara não sabia por quanto tempo olhou para ela, caída sobre o tapete como uma coisa morta. Antes, aquele objeto parecia fazer parte de Gabriel, uma extensão escura de sua pele, de sua história, de sua condenação. Agora, separado dele, parecia menor. Ainda pesado, ainda terrível pelo que representava, mas menor do que o homem parado diante dela. Gabriel continuava sem se mover. Era estranho vê-lo assim, exposto à luz da lamparina, sem a máscara e sem qualquer palavra que pudesse reorganizar a cena. As cicatrizes deformavam o lado esquerdo de seu rosto, puxavam a pele, alteravam a simetria, tornavam sua expressão mais difícil de ler e, ao mesmo tempo, mais impossível de ignorar. Clara não tentou transformá-las em beleza. Não tentou procurar uma forma poética para suavizar a violência do que via. O fogo havia deixado marcas reais. Cruéis. Permanentes. Mas ele estava ali. E isso, de algum modo, importava mais. Gabriel segurava a mão dela contra o
Última atualização : 2026-08-23 Ler mais