A manhã no Pátio das Hortênsias nasceu sob um céu azul-turquesa, limpo e frio, típico do inverno na Serra da Mantiqueira. O vento que descia dos rochedos trazia o aroma úmido da terra e das agulhas de pinheiro, misturando-se suavemente à fumaça que subia pela chaminé do forno do ateliê. No interior do casarão, o silêncio era interrompido apenas pelo estalar suave da lenha na lareira da sala de estar e pelo ruído rítmico do lápis de Clara Mendes deslizando sobre o papel de gramatura alta. Ela desenhava estudos anatômicos e esboços de formas cerâmicas, compenetrada e em paz. Pela primeira vez em mais de uma década, Clara não sentia a sombra do medo, da vigília constante ou do julgamento velado. A partida definitiva de Arthur Albuquerque, consumida pela barreira intransponível erguida por Gabriel Valois e pela absoluta indiferença de Clara, deixara no ar de Roseiras uma sensação de alívio e renovação. A terra parecia respirar mais leve. Alice entrou na sala trazendo uma bandeja de prat
Last Updated : 2026-08-02 Read more